O governo de Sergipe planeja incluir a Companhia Estadual de Desenvolvimento Industrial (Codise) como sócia minoritária da Sergas, para manter a estrutura de capital misto da distribuidora estadual, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico do estado, Marcelo Menezes
Em entrevista ao estúdio eixos durante o Sergipe Oil & Gas (SOG) 2026, direto de Aracaju na quinta (30/7), Menezes disse que a proposta de revisão do contrato de concessão da distribuidora deve ser apresentada até o início de 2027, após processo de audiência pública.
“O estado, através da Agrese, contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para fazer um estudo de modelagem desse novo contrato de concessão, da própria gestão da companhia”, afirmou Menezes. Confira na íntegra.
Com a saída da Mitsui do capital da empresa, o estado passou a controlar 100% da Sergas e agora busca reestruturar o contrato.
A ideia, conforme o secretário, é que a empresa atue como facilitadora da atração de investimentos, com foco em modicidade tarifária.
“A finalidade é que nós tenhamos uma tarifa competitiva, que o estado seja atrativo para que as empresas possam vir aqui se instalar”, disse.
Ele mencionou que a taxa de retorno de 20% prevista no contrato anterior deve ser revista.
Sobre o debate do gas release, Menezes defendeu a preservação da molécula própria da Petrobras, mas afirmou que o gás de terceiros — como o das empresas indianas parceiras no Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) — deve ser comercializado de forma concorrencial, conforme prevê o artigo 33 da Lei do Gás.
“Apesar da Petrobras entender que o gas release já aconteceu, não é o entendimento da agência reguladora nem do mercado”, afirmou.
Ele reforçou que o projeto SEAP é “irreversível” e que não há intenção de interferir no gás da estatal.
“O que se defende é que o gás próprio da Petrobras seja preservado como medida de estímulo ao aumento da produção. O gás de terceiros, porém, deve ser comercializado para gerar concorrência”, disse.
Menezes também detalhou uma proposta em discussão com a ANP e a Transportadora Associada de Gás (TAG) para a criação de uma estação de movimentação de gás no ponto de chegada do escoamento do SEAP.
A iniciativa pode permitir o abastecimento de um distrito industrial com tarifa de transporte reduzida.
“O custo corresponderia à operação e manutenção e um retorno do investimento dessa estrutura, seria um custo bastante reduzido”, explicou.
Segundo ele, o projeto visa atrair indústrias intensivas em gás para Sergipe e transformar o estado, gerando empregos e renda, em vez de depender apenas da arrecadação de royalties.
“O grande desafio é construir essa competitividade do estado, com modicidade tarifária, diferencial no transporte e competição na molécula”, concluiu.