Segmento de Óleo & Gas reduz emissão, diz estudo

Segmento de Óleo & Gas reduz emissão, diz estudo
19 de novembro de 2025

Consultoria e IBP apontam que houve aumento da produção no período analisado

A emissão de gases de efeito estufa por barril de petróleo e gás produzido no Brasil está em linha com as metas do Plano Clima para 2030 e abaixo da média mundial, aponta o resultado de um inventário realizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) e pela empresa especializada em transição energética Way Carbon. Ao mesmo tempo, o levantamento aponta que as emissões totais da cadeia de óleo e gás, desde o poço até o posto, também tiveram queda em 2023 na comparação com 2022, dado mais recente do levantamento.

É a terceira edição do inventário, que já analisou as emissões em 2020 e em 2022: não houve edição relativa a 2021 porque os números seriam distorcidos por causa da pandemia. O estudo sai em um momento em que a COP30 busca consensos para implementar medidas que reduzam emissões, o que envolve menor uso de combustíveis fósseis e redução da extração de petróleo.

De acordo com a análise, as emissões de gases-estufa do setor de exploração e produção (E&P) em 2023 ficaram em 15,69 quilos de carbono equivalente por barril de óleo equivalente (kgCO2e/boe). O valor é 2,61% inferior à marca de 16,11 kgCO2e/boe e está bem próximo da meta do Plano Clima, de atingir 15 kgCO2e/boe em 2030. Também está abaixo da média mundial, de 17,1 kgCO2e/boe.

Em paralelo, as emissões absolutas da cadeia de óleo e gás totalizaram 57,56 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MTCO2e) em 2023, 5,8% abaixo do apurado em 2022 (ver infográfico). O IBP planeja apresentar os resultados do inventário para o presidente da COP30, André Corrêa do Lago. Participaram do inventário 31 empresas de diversas atividades da cadeia, como exploração e produção (E&P), refino, transporte, logística e produção de derivados, entre outros.

A elaboração do inventário considerou os escopos 1 e 2 do Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol), que estabelece os padrões globais de emissões de gases de efeito estufa. O escopo 1 considera emissões diretas, relativas às operações das empresas. O escopo 2 envolve as emissões indiretas da compra de eletricidade e calor.

O inventário não considera as emissões de escopo 3 dadas as dificuldades de monitoramento e acompanhamento das emissões indiretas relativas à cadeia de valor das empresas, por estarem fora do controle operacional delas.

Para o presidente do IBP, Roberto Ardenghy, o estudo mostra que o Brasil está descarbonizando a produção de petróleo de maneira relevante e que a queda nas emissões ocorreu com aumento na produção de óleo e gás. Isso porque os resultados refletem uso de tecnologias que adicionaram eficiência energética e demandaram menos recursos nas operações. Como exemplos, foram adotadas plataformas com geração de energia elétrica associada (“all-electric”) e redução no consumo de água no refino do petróleo, apontou Ardenghy.

Ainda há muito a ser feito, diz o presidente do IBP, uma vez que o padrão de emissões a ser alcançado é o da Noruega, que consegue produzir um barril de petróleo com emissão de 7 quilos de CO2 equivalente. Para isso, tecnologias como a captura e armazenamento de carbono (CCUS, na sigla em inglês) e eólicas offshore serão importantes para acelerar a descarbonização do petróleo. O que mede a velocidade e a intensidade da redução de emissões são as tecnologias, disse.

“Se o CCUS não é a bala de pratam pelo menos de bronze ela é, vai ajudar muito a descarbonizar. E existem vários campos de produção na Noruega que são energizados com eólicas offshore”, afirmou Ardenghy.

Felipe Bittencout, presidente da Way Carbon, avalia que o país está bem posicionado no cenário global e tem que usar todas as ferramentas disponíveis para combater mudanças climáticas, o que inclui o CCUS, uso de biocombustíveis e tecnologias voltadas para a eficiência energética. “Acho que o Brasil está alinhado com os compromissos internacionais”, disse.

O inventário analisa as emissões de 2023 por uma questão temporal, pois embora as empresas que participaram do estudo já tenham levantado dados de 2024, eles ainda não foram auditados, segundo o gerente de sustentabilidade do IBP, Carlos Victal.

Bittencourt, da Way Carbon, salienta que as referências do inventário podem ajudar na busca de financiamento, um dos desafios da descarbonização. Ardenghy, do IBP, avalia que os custos das novas tecnologias para descarbonização vão cair à medida que ganharem escala no mercado.

Fonte: Valor Econômico.
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