São Paulo defende inclusão do gás na política nacional de data centers

São Paulo defende inclusão do gás na política nacional de data centers
13 de janeiro de 2026

Na visão do governo do estado, termelétricas a gás próximas aos centros de carga podem desafogar o Sistema Interligado Nacional

Por Gabriel Chiappini

O governo de São Paulo defende que o gás natural seja reconhecido como combustível elegível na política nacional de estímulo à instalação de data centers no país, o Redata, ao lado de fontes renováveis.

Para a subsecretária de Energia e Mineração da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Marisa de Barros, excluir o gás natural das políticas públicas para data centers cria entraves desnecessários ao desenvolvimento do setor, especialmente em um contexto de crescimento da demanda por energia elétrica.

“É um prejuízo para a sociedade a gente limitar esses projetos ex-ante, sendo que existe uma governança ambiental robusta em termos de arcabouço legal e regulatório (…) Os órgãos reguladores ambientais fazem isso muito bem, não precisam do Poder Executivo para fazê-lo”, defendeu, em entrevista à agência eixos.

“É do meio ambiente a competência para dizer se aquela termoelétrica atende ou não do ponto de vista ambiental, seja em relação ao consumo de água, ou às emissões, e ao impacto para a população local”, afirmou.

Lançado via medida provisória (MP 1318/2025) em setembro, o regime de tributação especial garante benefícios fiscais para empresas que investirem em infraestrutura digital sustentável no Brasil.

Os incentivos incluem isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI, desde que as companhias cumpram critérios ambientais, como o uso de “energia limpa ou renovável”.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicou que a política não contempla a geração termoelétrica a gás natural fóssil. Entidades da indústria de energia, do setor produtivo e representantes do Congresso Nacional defendem a inclusão da fonte na política.

Energia próxima ao centro de carga

São Paulo é hoje um dos principais destinos de projetos de data centers no Brasil, em razão da proximidade com o maior centro de consumo de dados do país e das exigências técnicas de latência.

Para Barros, termelétricas a gás natural instaladas próximas aos centros de carga podem cumprir papel estratégico.

“Gerando localmente aquela energia para os data centers, você libera o Sistema Interligado Nacional (SIN) para atender o crescimento da demanda e outros setores da economia”, disse.

Transição pragmática

A subsecretária ressalta que a política energética paulista aposta em uma transição pragmática, que combine diferentes fontes e tecnologias, sem soluções únicas.

“A gente consegue fazer uma transição energética de ‘e, e, e’, não de ‘ou, ou, ou’.”

Segundo ela, a função do poder público é buscar o equilíbrio entre descarbonização, segurança energética e modicidade tarifária.

“A energia tem que ser limpa, segura e barata. Não posso fazer um projeto megalomaníaco de energia 100% renovável em que o consumidor vai pagar a conta no final (…) Não tem só o elétrico e nem é para ter só o gás natural. É para ter o que tiver que ser onde faz sentido. E essa é a responsabilidade do gestor público”, sinalizou Barros.

Biometano pode descarbonizar térmicas

Além do gás natural, o governo paulista vê espaço para o biometano na estratégia de descarbonização do setor elétrico, inclusive em termelétricas já existentes.

A lógica é semelhante à observada em outros segmentos industriais, com o caso da produção de fertilizantes da Yara com biometano, substituindo gradualmente o combustível fóssil pelo renovável.

“Essa empresa sempre consumiu gás natural e agora entrou com 3% de biometano. Acho que a termelétrica pode acontecer da mesma forma, começando com 100% de gás natural e vai aumentando a participação de biometano, seja em períodos específicos, seja de maneira flex, de acordo com o planejamento do insumo”.

O estado de São Paulo prevê alcançar entre 700 mil e 750 mil metros cúbicos por dia de capacidade instalada de produção de biometano até o fim deste ano, com projeção de chegar a quase 1 milhão de m³/dia em 2026, somando resíduos do setor agroindustrial e de aterros sanitários.

Fonte: Eixos.com.
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