Petronotícias abre a cobertura desta sexta-feira (19) com uma nova entrevista da série especial Perspectivas 2026. O nosso entrevistado de hoje é o presidente da Ocyan, Rodrigo Lemos, que revela projeções positivas da companhia para o próximo ano. Segundo o executivo, há várias frentes de crescimento no horizonte, com oportunidades tanto em Manutenção e Serviços Offshore como em Negócios Digitais e Tecnologia. Contudo, uma das prioridades da empresa para 2026 será no segmento de Construção Submarina, com o início da fase de instalação offshore do projeto de revitalização da malha de gás da Petrobras na Bacia de Campos. O contrato, conquistado em parceria com a companhia portuguesa Mota Engil, prevê serviços em projetos de EPCI offshore, que inclui engenharia, fabricação, aquisição e instalação de equipamentos. Já no setor de Produção Offshore, Lemos afirma que a Ocyan pretende renovar contratos, preservar a estabilidade operacional e capturar novas oportunidades no mercado de FPSOS, especialmente em modelos BOT.
Como foi o ano de 2025 para sua empresa e seu setor?
FPSO Pioneiro de Libra
Após a conclusão da transição acionária em 2024, a Ocyan iniciou um novo ciclo em 2025, marcado por maior acesso a capital e crédito, fortalecimento da relação com o mercado financeiro e aumento da atratividade para investidores. Nesse contexto de reaquecimento do setor de óleo e gás, atuamos com disciplina financeira, controle rigoroso de custos e foco na recomposição e otimização do nosso portfólio.
Realizamos movimentos estratégicos relevantes, como a venda do FPSO Cidade de Itajaí, ativo no qual detínhamos 50% de participação por meio de uma joint venture com a Altera Infrastructure. A operação fortaleceu nossa posição financeira e ampliou a capacidade de investir em novas oportunidades alinhadas à estratégia da companhia, com foco em eficiência operacional e melhor equilíbrio contratual.
Ocyan também atua manutenção e operação dos ativos de Papa Terra, por meio de joint venture com a Altera
Na área de Manutenção e Serviços Offshore (MSO), celebramos 25 anos de atuação já com uma visão voltada ao futuro. Destacam-se a execução de uma campanha de flotel no FPSO Cidade de Itajaí com desempenho de excelência — nota máxima em segurança — e reconhecimentos relevantes de SMS por parte de nossos clientes. A evolução do portfólio permitiu ainda a abertura de uma segunda base operacional e o retorno das atividades de fabricação de equipamentos offshore.
A agenda de inovação avançou de forma consistente. A Nexio, nosso hub tecnológico em parceria com a EloGroup, completou seu primeiro ano com 13 parcerias firmadas e expansão para soluções digitais além do óleo e gás, preparando-se para a internacionalização e atuação downstream.
Na Construção Submarina, tivemos um avanço expressivo no projeto EPCI offshore da revitalização da malha de gás da Bacia de Campos — um projeto inédito para a Ocyan. Além disso, participamos ativamente das licitações de descomissionamento submarino.
Se fosse consultado, que sugestões daria para melhorar o ambiente de negócios no setor?
O aumento das exigências para a estruturação de novos projetos — seja no custo do capital, no volume de garantias ou nas condições contratuais — tem elevado significativamente a complexidade dos investimentos no setor de óleo e gás. Nesse cenário, é fundamental avançar para modelos contratuais com melhor equilíbrio na alocação de riscos, evitando a transferência excessiva de responsabilidades para as empresas prestadoras de serviços.
Outro ponto essencial é ampliar a previsibilidade da demanda. Quando as operadoras comunicam de forma clara seus pipelines de projetos de médio e longo prazo, a cadeia de fornecedores consegue planejar investimentos, desenvolver competências e estruturar equipes com mais eficiência, gerando ganhos de produtividade e competitividade para todo o setor.
Quais são as perspectivas da empresa para 2026?
As atividades offshore de revitalização da malha de gás na Bacia de Campos vão acontecer junto às plataformas de Namorado e Garoupa
Para 2026, vemos frentes claras de crescimento. Em MSO, o foco será ampliar eficiência, produtividade e rentabilidade nos projetos que concentram a maior parte do nosso time. Em Macaé, contamos com capacidade instalada para fabricação de tubulações, estruturas e equipamentos de grande porte. Seguiremos acelerando melhorias no processo fabril, ampliando o valor agregado dos serviços e fortalecendo a atuação com clientes privados e novas parcerias.
No braço de Negócios Digitais e Tecnologia, a prioridade é consolidar e rentabilizar a Nexio, expandir seu portfólio para novos mercados e capturar sinergias internas, tendo projetos de P&D autossustentáveis como vetor de inovação.
Em Construção Submarina, o descomissionamento se consolida como um mercado relevante e em expansão no Brasil. De acordo com o Plano de Negócios 2026–2030, a Petrobras deve descomissionar 18 plataformas e recolher cerca de 1.800 km de linhas flexíveis até 2030. Outras operadoras também avançam nessa agenda, o que gera muitas oportunidades de projetos. Em paralelo, seguimos avançando no projeto de revitalização da malha de gás da Bacia de Campos, que entra na fase de instalação offshore em 2026.
Em Produção Offshore, manteremos o foco em excelência operacional, com destaque para o desempenho do FPSO Pioneiro de Libra e a continuidade da operação das unidades do campo de Papa-Terra. Para 2026, buscamos renovar contratos, preservar a estabilidade operacional e capturar novas oportunidades de projetos, especialmente em modelos BOT.