O Petronotícias abre o noticiário desta quinta-feira (16) com uma entrevista com o presidente da Repsol Sinopec Brasil, Alejandro Ponce. A empresa participa de importantes projetos de produção de óleo e gás no país, nas bacias de Santos e Campos, incluindo Albacora Leste, Lapa e Sapinhoá.
A companhia também tem participação em outros empreendimentos ainda em fase de exploração, com destaque para o campo de Raia, que tem potencial para suprir até 15% da demanda nacional de gás natural.
“Nossa expectativa com Raia é reforçar a posição do Brasil no panorama energético mundial e destacar o pioneirismo da Repsol Sinopec em uma cadeia inovadora e responsável em projetos de óleo e gás”, disse.
O executivo destacou que o Brasil está entre os três países mais estratégicos dentro do Grupo Repsol e, também, o que mais receberá investimentos em 2026. Por fim, Ponce fala sobre os planos para a comercialização de gás natural da Repsol Sinopec e sobre os projetos da empresa relacionados à transição energética e à descarbonização.
Para começar, seria interessante um comentário sobre o recente primeiro óleo de Lapa Sudoeste. Poderia compartilhar conosco a importância desse novo feito para as operações da empresa no Brasil?
O desenvolvimento de Lapa Sudoeste conta com três novos poços conectados ao FPSO Cidade de Caraguatatuba
O primeiro óleo da porção Sudoeste do campo de Lapa ocorreu no início de março. Nesta fase inicial, estimamos que Lapa Sudoeste aumente a produção do campo em 25 mil barris de petróleo por dia, elevando o total para cerca de 60 mil barris diários. Lapa Sudoeste aumentará significativamente a produção diária do nosso portifólio de ativos, que inclui campos do pré-sal de classe mundial, como Sapinhoá, também na Bacia de Santos, e Albacora Leste, na Bacia de Campos.
Conduzido pelo consórcio formado pela Repsol Sinopec Brasil, TotalEnergies (operadora) e a Shell Brasil, o projeto no pré-sal da Bacia de Santos recebeu o investimento de US$ 1 bilhão.
O desenvolvimento de Lapa Sudoeste conta com três novos poços conectados ao FPSO Cidade de Caraguatatuba, já em atividade no campo de Lapa. O início da produção é um marco que reforça nossa capacidade de executar projetos com eficiência, maximizando o uso da infraestrutura existente para otimizar reservas e resultados. É um exemplo claro de como a colaboração entre equipes e a excelência técnica podem impulsionar o desenvolvimento do pré-sal.
Outro importante projeto com participação da Repsol Sinopec é o campo de Raia (BM-C-33). Ele é relevante tendo em vista o potencial de suprir até 15% da demanda nacional de gás natural. Como está a expectativa da empresa com esse projeto, que deve entrar em produção em 2028?
Nossa expectativa com Raia é de reforçar a posição do Brasil no panorama energético mundial e destacar o pioneirismo da Repsol Sinopec em uma cadeia inovadora e responsável em projetos de óleo e gás.
Formado pelo consórcio entre a Repsol Sinopec Brasil (35%), a operadora Equinor (35%) e a Petrobras (30%), o projeto Raia, aliado ao seu potencial energético, com reservas recuperáveis de gás natural e condensado de mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe), tem a projeção de gerar 50 mil empregos diretos e indiretos ao longo de sua vida útil, além de apresentar uma concepção de produção segura, eficiente e responsável.
Raia utilizará um FPSO (Floating, Production, Storage and Offloading / Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência, na sigla em inglês) capaz de tratar o gás produzido e especificá-lo para venda, sem a necessidade de processamento em terra. A plataforma ainda conta com a utilização de tecnologia de ciclo combinado, que contribui diretamente para a redução das emissões de CO2 do campo para cerca de 6 kg por barril.
Com investimento de aproximadamente US$ 9 bilhões e inserido no novo PAC do Governo Federal, seu desenvolvimento tem avançado significativamente.
Em dezembro do ano passado, foi instalada a base que vai ligar a produção no mar à estrutura que levará o gás até a costa. Agora, em março, iniciamos a etapa de perfuração. O FPSO Raia já teve todos os seus módulos içados e posicionados, e tem previsão de chegar ao Brasil em 2027.
Ainda falando em gás natural, em 2020, a Repsol Sinopec firmou um acordo com a Petrobras para uso compartilhado da infraestrutura de escoamento e processamento de gás do pré-sal. Poderia fazer um balanço dessa operação, que está completando seis anos em 2026?
Em verdade, a Repsol Sinopec Brasil participa apenas do SIE (Sistema Integrado de Escoamento) de forma integrada na cadeia do gás do pré-sal. Não temos participação no SIP (Sistema Integrado de Processamento). O SIE foi criado com objetivo de maximizar a produção de gás, por meio do compartilhamento da infraestrutura de escoamento, como uma via alternativa.
Neste contexto, eu destacaria o papel dos ativos de escoamento no sentido de assegurar a fluidez do GNL ao longo do sistema (flow assurance), e que é parte fundamental de projetos upstream. Sem esses projetos a produção de muitos campos estaria prejudicada.
Como é feita a comercialização do gás da Repsol Sinopec? A venda é direcionada a outras petroleiras ou há planos para fechar contratos com distribuidoras de gás?
Estamos trabalhando no nosso portfólio e avaliando todas as opções. Dentro dessa estratégia, podem fazer parte as distribuidoras, comercializadoras e consumidor final.
Olhando para o médio/longo prazo, a empresa planeja expandir seu portfólio de ativos de óleo e gás no Brasil ou vai se concentrar no desenvolvimento dos projetos em carteira?
Continuaremos com participação ativa em projetos de produção de petróleo e gás e no mercado de gás natural, avaliando todas as oportunidades de negócio e trabalhando juntamente aos sócios na busca por soluções para a monetização do gás do pré-sal.
Além de óleo e gás, a Repsol Sinopec anunciou, ao longo dos últimos anos, uma série de projetos relacionados à transição energética e descarbonização. Poderia, por favor, nos atualizar sobre os principais planos e iniciativas da empresa nesses segmentos?
Acreditamos que o investimento em inovação e tecnologia é essencial na busca por soluções para superar os desafios da descarbonização e transição energética. Priorizamos a eficiência operacional para tornar a produção de energia mais segura, eficiente e responsável, atendendo às demandas futuras e fomentando o desenvolvimento do país. Tal ideal é refletido em nosso compromisso contínuo com eficiência operacional e desenvolvimento técnico e socioambiental.
Impulsionamos novas soluções tecnológicas para ampliação do potencial do setor e redução de emissões de gases do efeito estufa, como o próprio Projeto Raia, que além de ter sua estrutura planejada para otimização do processo de produção, tem como um de seus pilares centrais o gás natural, combustível da transição.
Além dos investimentos direcionados aos nossos ativos, integram nosso portfólio de PD&I iniciativas como: o “DAC.SI”, voltado à Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS); o “CO2CHEM”, pioneiro no Brasil no desenvolvimento de tecnologias de conversão de CO₂ em combustíveis renováveis; e o “DAC to Sea”, que busca a integração das tecnologias de captura e conversão de CO2 para produção de combustível marítimo.
Temos um histórico sólido de liderança em inovação no setor, tendo sido reconhecidos cinco vezes como vencedores do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica. Depois da Espanha, sede do grupo Repsol, o Brasil é o maior potencializador de novas tecnologias do grupo, com investimentos que chegaram ao patamar de R$ 225 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos, sendo mais de 50% do valor aportado em nosso portfólio de descarbonização e transição energética, seguindo a ambição do Grupo de zerar as emissões líquidas até 2050.
Nossas iniciativas não se limitam ao escopo operacional e de pesquisa, dedicamos parte do nosso budget a projetos socioambientais, como o projeto autoral e voluntário Ecos do Amanhã, idealizado em parceria com a UNESCO, que atua na restauração de ecossistemas brasileiros e na valorização da cultura oceânica no Brasil.
Por fim, poderia falar da importância do mercado brasileiro de óleo e gás e das perspectivas de crescimento da presença da empresa no país?
O Brasil é um grande player no setor mundial de energia e está entre os três países mais estratégicos dos vinte em que temos a atuação Grupo Repsol e, também, o que mais receberá investimentos em 2026. Dados do IBP apontam que o setor representa 17% do PIB industrial do país e seguirá contribuindo com o crescimento econômico, por meio de aportes previstos em exploração e produção de O&G, estimados em cerca de US$ 173 bilhões entre 2024 e 2033. Por nossa parte, temos a missão de seguir contribuindo com investimentos no setor, visando atender a demanda da energia da sociedade, de forma segura, acessível e responsável.