Reforma na Bolívia abre espaço para petroleiras independentes regionais, diz Ricardo Savini

Reforma na Bolívia abre espaço para petroleiras independentes regionais, diz Ricardo Savini
13 de maio de 2026

Fundador da Bossa Energy, Ricardo Savini analisa perspectivas de abertura na Venezuela e Bolívia e o avanço do shale gas na Argentina

A reabertura do setor de óleo e gás na Bolívia, se bem sucedida, tende a atrair, num primeiro momento, petroleiras independentes, e só depois despertar o interesse das majors, na visão do geólogo Ricardo Savini, CEO da Bossa Energy.

O podcast gas week está de volta e traz, no episódio de abertura da temporada 2026, uma análise sobre o novo momento do mercado de gás da América do Sul com o fundador da 3R Petroleum (atual Brava Energia), Fluxus (J&F) e, agora, da Bossa Energy — startup recém-criada e focada na aquisição de ativos de óleo e gás no continente. Assista na íntegra.

“Pode ser que ela [Petrobras] decida investir [na Bolívia] por proximidade, diplomacia. Mas eu acho que é um mercado para empresas privadas e independentes, principalmente latino-americanas”

Savini cita players regionais da Colômbia e Argentina com experiência em onshore, além de petroleiras de capital aberto no Canadá e Estados Unidos, mas com com base de ativos na América do Sul, como potenciais interessados na Bolívia. E a própria Bossa Energy mira oportunidades no país.

“E, no momento em que o novo gás for descoberto e novos megacampos forem descobertos, eu acho que vem uma volta das majors. Sou um otimista com a Bolívia: as majors podem voltar pra Bolívia, mas não nesse momento”.

Reforma da lei ‘não é uma opção’ para Bolívia

Na avaliação do executivo, a reforma da Ley de Hidrocarburos é um caminho irreversível, diante da necessidade do país de atrair petroleiras estrangeiras.

“Eles têm que mudar a lei. Eles não têm nenhuma opção”, disse.

Como já mostramos na gas week, o governo Rodrigo Paz acena com a redução fiscal, para atrair petroleiras estrangeiras e, assim, tentar reverter o declínio das reservas de gás. Mais sobre a reforma boliviana:

E, para Savini, reduzir as participações governamentais sobre a produção de óleo e gás deve ser, justamente, a prioridade da nova lei.Ele acrescenta que, apesar de onshore, a exploração na Bolívia tem custos crescentes, devido a complexidades operacionais, o que aumenta a necessidade de rever o regime fiscal.

“É impossível investir em gás na Bolívia [hoje]. É impossível você fazer exploração, é impossível você perfurar poços — até appraisal [de avaliação]. Porque não se pagam”

Outros destaques da entrevista

  • Shale gas de Vaca Muerta é, hoje, uma “briga de cachorro grande”, pelos altos valores envolvidos na aquisição de ativos e no desenvolvimento da produção não-convencional;
  • Foco cada vez maior das empresas em Vaca Muerta, por outro lado, abre espaço para a entrada de novos atores no E&P convencional no país vizinho;
  • Ambiente de negócios para o gás na Venezuela ainda é desafiador, mas Savini vê potencial para que país se posicione como fornecedor de GNL no mercado global;
  • Brasil não tende a perder capital para países vizinhos, porque já é um destino consolidado de investimentos na indústria de óleo e gás;
  • Bossa Energy mira oportunidades de aquisição de ativos na Bolívia, Argentina, Brasil (sobretudo no onshore) e também o Peru;
  • Companhia está em fase inicial de captação de investidores e espera avançar com aquisições ainda este ano — a depender da estruturação financeira.

Confira quem já passou pelo videocast gas week:

Fonte: Eixos.com.
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