Preço do petróleo cai abaixo de US$ 60 com expectativas de acordo de paz Rússia-Ucrânia

Preço do petróleo cai abaixo de US$ 60 com expectativas de acordo de paz Rússia-Ucrânia
16 de dezembro de 2025

Queda histórica do petróleo reflete expectativas de acordo de paz e excesso de oferta global previsto para 2026

Por Ernesto Neves 

Os preços do petróleo caíram nesta terça-feira aos menores níveis desde maio, refletindo expectativas de que um eventual acordo de paz entre Rússia e Ucrânia pode reduzir distorções logísticas no mercado de petróleo, já projetado para enfrentar grande excesso de oferta em 2026.

O barril de Brent caiu quase 3%, para US$ 58,81, atingindo seu menor valor desde 5 de maio. O preço internacional de referência não fechava abaixo de US$ 60 desde o início da pandemia de Covid-19. Nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI) recuou 3%, para US$ 55,09, patamar mais baixo desde o início de 2021.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia está “mais próximo do que nunca”, embora autoridades europeias alertem que questões territoriais ainda precisam ser resolvidas.

Analistas destacam que qualquer avanço na negociação teria impacto imediato no mercado, ao permitir que o petróleo russo volte a seguir padrões logísticos históricos, atualmente alongados devido às sanções.

Segundo o Morgan Stanley, dezenas de milhões de barris poderiam voltar ao mercado, talvez até algumas centenas de milhões, caso as rotas longas deixem de ser necessárias.

Especialistas, porém, alertam que o mercado pode estar antecipando os efeitos do acordo.

O recuo atual se soma a uma tendência de queda sustentada. O Brent acumula cinco meses consecutivos de perdas, sua maior sequência negativa em 11 anos, e caiu quase US$ 20 por barril em 2025, em meio a temores de excesso de oferta global.

A produção mundial aumentou em 3 milhões de barris por dia neste ano, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), impulsionada por países da Opep e fora do bloco, incluindo EUA, Canadá, Brasil e Argentina.

Apesar de a Opep ter ajustado seus planos de crescimento e da redução da oferta em novembro devido a sanções contra Rússia e Venezuela, a IEA projeta um excedente médio de 3,7 milhões de barris por dia em 2026, ainda maior que o observado durante a pandemia.

As últimas negociações entre Rússia e Ucrânia têm avançado de forma cautelosa, com encontros recentes mediados por líderes europeus e americanos buscando um cessar-fogo e definições sobre territórios ocupados.

Embora ainda não haja consenso sobre questões cruciais, houve sinais de aproximação em pontos logísticos e humanitários, como corredores de exportação de grãos e desmobilização parcial de tropas em áreas sensíveis.

Esse progresso, mesmo que inicial, gera otimismo e antecipa uma normalização das exportações russas, atualmente atrasadas por rotas longas e sanções, o que poderia aumentar a oferta global e pressionar os preços para baixo.

Fonte: Veja Negócios.
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