Por Maria Clara Machado
O preço mais baixo do petróleo, que reduziu em 1,8% os planos investimentos da Petrobras nos próximos cinco anos, também se refletiu nas ambições da empresa em projetos de energia eólica e solar. No Plano Estratégico (PE) da Petrobras 2026-2030, divulgado nesta quarta-feira, 27 de novembro, a alocação renovável perdeu US$ 2,6 bilhões, o equivalente a 60% do montante indicado no PE anterior.
Agora, as iniciativas de gás e baixo carbono têm investimentos previstos em US$ 6,4 bilhões. Considerando todas as áreas de atuação, a Petrobras planeja investir US$ 109 bilhões nos próximos cinco anos.
Em energias de baixo carbono, a Petrobras informou que deverá priorizar os biocombustíveis, como etanol, biodiesel, biometano, diesel R, SAF e biobunker. De acordo com a empresa, esta estratégia está “em linha com o avanço regulatório e o mercado, aproveitando as sinergias com as operações da companhia”.
Assim, a geração elétrica renovável não deve ser prioridade para a companhia. As ambições de potência instalada em energia eólica onshore e solar caíram de 4,5 GW até 2030 para 1,7 GW até o mesmo ano. Na avaliação da companhia, a demanda por geração renovável deverá se acelerar após 2030.
A Petrobras afirma que continua buscando parceria para projetos solares e de eólica onshore, tanto para oportunidades comerciais, quanto de autogeração. A forma de implementação também pode ser via joint-venture ou em projetos próprios para descarbonização.
Até o momento, a companhia não anunciou nenhum projeto de geração renovável, apesar de a diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade, que também inclui operações de gás natural, ter sido criada em 2023. Mesmo assim, a Petrobras indica que suas operações em geração solar e eólica onshore começarão em 2026.
Já a geração térmica pode ser ampliada com uma nova usina, de 800 MW, no Complexo de Energias Boaventura. A Petrobras já confirmou que pretende oferecer o projeto no leilão de reserva de capacidade na forma de potência de março de 2026.
Neste Plano Estratégico, a Petrobras também indica pela primeira vez a intenção de investir em tecnologias de armazenamento de energia, com cronograma de partida em 2025. Os valores para estas atividades não foram detalhados.
A geração eólica onshore e solar passa a representar 27% do capital destinado à área de Gás, Energias e Baixo Carbono que, no total, tem agora investimentos previstos em US$ 6,4 bilhões nos próximos cinco anos. No PE anterior, a geração elétrica renovável representava 49% do total da área, que também tinha orçamento 28% maior.
O segmento de etanol, mercado para o qual a Petrobras já anunciou que pretende retornar, teve ligeiro aumento nos investimentos planejados: passou de US$ 2,14 no último PE para 2,18 no PE divulgado nesta semana.
Iniciativas em captura e estocagem de carbono preservaram a projeção de US$ 900 milhões em aportes. O segmento de biodiesel e biometano foi o único que passou a ter previsões maiores de investimentos, passando de US$ 620 mil para US$ 1,15 bilhão. Já as parcerias em biorrefino perderam a verba anteriormente prevista, de US$ 450 milhões e não aparecem no novo PE.
Projetos de hidrogênio de baixo carbono se mantiveram com a mesma previsão de investimentos, a US$ 450 milhões.
No documento, a companhia detalhou a taxa interna de retorno de seus projetos, em dólar. Assim, enquanto projetos de exploração e produção de petróleo (E&P) tem taxa de retorno de 23%, as iniciativas de gás e energias de baixo carbono apresentam retorno inferior a 10%. O segmento de refino, transporte e comercialização tem taxa de retorno de 15%.
Em 2026, a Petrobras pretende iniciar a operação de uma planta piloto no Rio Grande do Norte, com potência de 2 MW em eletrólise. Outro projeto da companhia na área é a planta na Refinaria de Paulínia (Replan), prevista para entrar em operação em 2029 com capacidade de 20 MW em eletrólise.
No Plano Estratégico, a Petrobras indica que as iniciativas em hidrogênio podem ocorrer também por meio de joint-ventures.
Segmento principal da Petrobras, a área de E&P perdeu 9,42% dos investimentos previstos, e agora tem perspectivas de US$ 69,2 bilhões para os próximos cinco anos. O montante equivale a 75,4% do total a ser investido pela empresa no período.
A maior redução deve ocorrer em projetos que ainda não receberam decisão final de investimento (FID, na sigla em inglês) e que estejam em avaliação, que perderam US$ 8,4 bilhões em provisões.
A Petrobras pretende implementar medidas para reduzir custos e aumentar a eficiência dos projetos. Em E&P, algumas dessas medidas são a redução de gastos em plataformas sem produção e a otimização da logística aérea e marítima, com revisão das demandas e tarifas praticadas. Também faz parte da estratégia da empresa se articular pela redução das tarifas de transporte de gás natural.