Petrobras pode investir em unidades de exportação de gás

Petrobras pode investir em unidades de exportação de gás
4 de agosto de 2026

Estatal começará a estudar a viabilidade de investir em unidades de liquefação de gás em alto-mar caso seja obrigada a vender parte da produção a concorrentes

A Petrobras vai começar a estudar a viabilidade de investir em unidades de liquefação de gás em alto-mar (“offshore”, no termo em inglês) para exportar parte da produção brasileira de gás, segundo fontes a par do assunto.

Essa possibilidade surge em meio às discussões do programa “Gas Release”, previsto na Nova Lei do Gás, que busca ampliar o acesso de empresas privadas ao mercado de gás. A iniciativa, que precisaria ser regulada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), obriga que um agente dominante venda parte da produção de gás natural a concorrentes para desconcentrar o mercado. A discussão está na pauta da próxima reunião da agência, na sexta-feira (7).

Caso essa restrição à atuação da Petrobras se confirme, a estatal avalia levar investimentos ao exterior. “Na forma como o ‘Gas Release’ está proposto agora, ele não gera nenhuma molécula de gás adicional. O programa tira o mercado estatal para dar ao privado”, disse ao Valor uma fonte próxima à Petrobras.

A petroleira anunciou ontem a terceira descoberta de gás na Colômbia. Caso as três áreas do país vizinho produzam os volumes esperados, a estatal brasileira vai extrair na Colômbia uma quantidade de gás compatível com a produção do principal braço do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), na Bacia Sergipe-Alagoas.

O projeto no Nordeste é considerado importante para ampliar a produção de gás da Petrobras, com previsão de duas plataformas e um gasoduto de escoamento com 134 quilômetros de extensão. O projeto SEAP I tem capacidade de processar 10 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, enquanto SEAP II poderá processar 12 milhões de metros cúbicos de gás.

A atividade da Petrobras na Colômbia não prevê ainda a exportação do gás, mas pode ser uma opção futura. Para trazer o gás colombiano ao Brasil, a regulação brasileira terá que se manter como está, disse a fonte. A soma das três descobertas pode atender o mercado colombiano por 10 anos, garantindo a autossuficiência daquele país. A Petrobras atua na Colômbia há 39 anos e é operadora do consórcio do Bloco GUA-OFF-0, com 44,44%, em parceria com a estatal colombiana Ecopetrol, que tem 55,56%.

A produção nesse bloco tem investimento estimado de US$ 1,2 bilhão na fase exploratória e de US$ 2,9 bilhões no desenvolvimento da produção. O projeto tem previsão de produzir 13 milhões de metros cúbicos de gás por dia durante 10 anos. A expectativa é de que os primeiros volumes de gás natural comecem a ser extraídos em 2030, depois da concessão de todas as licenças e permissões.

A descoberta anunciada nesta segunda (3) foi no poço exploratório Sandia-1, no mesmo bloco onde já havia os outros dois poços. A perfuração começou em 12 de junho deste ano e alcançou a profundidade final no dia 29 do mesmo mês, com a comprovação da presença de hidrocarbonetos. O poço está a 42 quilômetros da costa colombiana, em uma lâmina d’água de 1,251 mil metros, em águas ultra profundas.

A atuação da Petrobras no mercado de gás colombiano foi impulsionada pelas mudanças regulatórias naquele país, com medidas que buscaram garantir o abastecimento nacional e mitigar riscos de déficit. Entre as mudanças estava a possibilidade de contrato firme de venda de gás de longo prazo, o que viabilizou economicamente o projeto.

Segundo a fonte, a nova descoberta na Colômbia fortalece a integração regional da América Latina, que pode ganhar uma nova fase caso o gás colombiano possa ser exportado. A companhia também compra gás da Bolívia, por meio do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol), e da Argentina.

Fonte: Valor Econômico.
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