Por Lorena Marcelino
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta sexta-feira (7/8) que a companhia poderá reavaliar investimentos “à luz de uma possível alteração regulatória” no setor.
A declaração foi dada logo após a diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovar a abertura de consulta pública sobre a criação de um programa de descontração da oferta de gás natural, o gas release.
“Ainda não sabemos como isso vai terminar, mas o fato é que, independentemente do que aconteça, vamos ter que olhar os projetos à luz de uma possível alteração regulatória. Isso é assim no mundo todo e não vai ser diferente na Petrobras. Não somos uma ONG, somos uma empresa, e empresa tem que dar lucro”, afirmou a presidente, durante teleconferência com analistas, ao comentar sobre o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP).
Pela proposta apresentada pela ANP, 100% da produção da estatal será preservada.
O programa de gas release vai mirar o gás que a estatal compra de terceiros – inclusive volume importado pelo Gasbol.
A intenção da agência é iniciar a implementação do programa a partir de 2027.
“A nossa posição é a de que redistribuir moléculas de gás existentes, transferir meramente titularidades de moléculas de gás, não vai resolver o problema estrutural de necessidade de aumento de oferta de gás e, portanto, não vai reduzir o preço”, complementou o diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, William Nozaki, em coletiva de imprensa.
Nozaki argumentou que o mercado de gás brasileiro passou por uma desconcentração nos últimos anos, e que, atualmente, já tem mais de 30 comercializadoras concorrendo com a estatal.
“A Petrobras hoje tem 65 contratos de compra e venda de gás. Os terceiros têm mais de 180 contratos”, comentou.
O diretor da ANP, Pietro Mendes, relator do caso, rebate as críticas da estatal. Ele destacou que a Petrobras vende o gás mais caro que outros agentes e compra barato de terceiros, atuando como uma atravessadora, com spread de 3,6 vezes sobre o valor de compra.
Questionado sobre a ameaça da petroleira de cancelar investimentos em Sergipe, único grande projeto de gás natural novo no portfólio e sob operação da companhia, Nozaki reforçou que mudanças regulatórias levam à necessidade de reavaliar projetos.
“Mudanças necessariamente levam a necessidades de reavaliações que vão ser feitas de maneira (…) muito criteriosa, a partir da divulgação do texto que foi feito hoje”, afirmou.