Petrobras inicia implantação dos gasodutos do SEAP em Sergipe em 2027

Petrobras inicia implantação dos gasodutos do SEAP em Sergipe em 2027
31 de julho de 2026

Diretora da Petrobras confirma início da infraestrutura do SEAP em 2027. Projeto pode transformar Sergipe em um dos principais polos de petróleo e gás do país

As duas plataformas do Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), o maior investimento da Petrobras fora do pré-sal, terão a infraestrutura de escoamento implantada a partir de 2027, segundo a diretora executiva de Exploração e Produção da estatal, Sylvia Anjos, na abertura da 5ª edição do Sergipe Oil & Gas (SOG26), nesta quarta-feira (29).

O empreendimento prevê a construção de um gasoduto de 134 km de extensão, dos quais 111 km em trecho marítimo e 23 km em terra, além da interligação de 32 poços e da instalação de equipamentos submarinos. Segundo a Agência Petrobras, a licitação para o fornecimento de árvores de natal molhadas (ANMs) já está em andamento, e novas licitações para as demais infraestruturas devem ser abertas ainda em 2026.

“A questão da infraestrutura tudo já começa provavelmente para o ano que vem. A gente está em toda a parte de contratação e tudo mais. Mas eu só posso garantir que, quando a plataforma chegar, vai estar tudo pronto”, afirmou Sylvia Anjos. Embora a executiva tenha usado o singular, o SEAP prevê duas unidades de produção: a P-81, vinculada ao módulo SEAP I, e a P-87, do módulo SEAP II, ambas contratadas junto à SBM Offshore sob o modelo BOT (Build, Operate and Transfer).

Capacidade e investimentos

As duas plataformas terão capacidade instalada conjunta de 240 mil barris de petróleo por dia e processamento de 22 milhões de m³ de gás natural por dia. O início da produção de óleo está previsto para 2030, com exportação de gás a partir de 2031. Os investimentos totais nos dois módulos superam R$ 60 bilhões, com produção estimada em mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente.

A decisão final de investimentos (FID) do SEAP II foi aprovada em dezembro de 2025. O FID do SEAP I foi aprovado em abril de 2026. A assinatura dos contratos com a SBM Offshore estava prevista para maio de 2026, após etapas de governança e aprovação junto aos parceiros.

Transição energética

Durante a palestra de abertura, Sylvia Anjos defendeu que o petróleo e o gás natural continuarão desempenhando papel estratégico na transição energética. Segundo ela, o setor de energia responde por 68% das emissões globais de gases de efeito estufa, enquanto a agricultura representa 11%.

No Brasil, o cenário é diferente: a energia responde por 25% das emissões e a agropecuária por 38%. Para a executiva, essa característica da matriz energética brasileira reforça a importância do gás natural como combustível de transição e amplia a relevância de projetos como o SEAP.

Sergipe prepara salto histórico na produção

Hoje, Sergipe ocupa uma posição modesta entre os produtores nacionais. Dados consolidados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o estado encerrou 2025 como o nono maior produtor de petróleo e gás do Brasil, com produção média de cerca de 12,4 mil barris de óleo equivalente por dia, mantendo em operação campos históricos como Carmópolis, o maior campo terrestre produtor de petróleo do país.

Com o início da produção do SEAP, entretanto, esse cenário deverá mudar radicalmente. A Petrobras estima que Sergipe alcance produção de aproximadamente 240 mil barris de petróleo por dia e 18 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente, volume equivalente a cerca de 20% da produção nacional de gás natural.

Na prática, o Sergipe Águas Profundas poderá multiplicar por quase vinte vezes a produção atual do estado, reposicionando Sergipe entre os principais polos brasileiros da indústria de petróleo e gás. “Vai realmente contribuir não só para o gás do país, mas também para reduzir o preço do gás. Só se reduz preço com aumento da oferta. Hoje nós somos importadores”, afirmou Sylvia Anjos.

Plataformas exigirão bilhões em investimentos

A dimensão do projeto explica por que as obras de infraestrutura precisam começar anos antes da chegada das plataformas.

Cada FPSO do SEAP demandará investimentos da ordem de US$ 5 bilhões, terá vida útil superior a 25 anos, contará com 10 a 20 poços produtores, entre 200 e 350 quilômetros de linhas submarinas e operação em lâminas d’água próximas de 2 mil metros.

Os poços poderão alcançar aproximadamente 7 mil metros de profundidade, enquanto cada unidade terá capacidade para gerar cerca de 100 megawatts de energia.

Descomissionamento também movimenta bilhões

Ao mesmo tempo em que prepara a chegada da nova fronteira petrolífera, Sergipe também vive o encerramento de um ciclo histórico da indústria. A Petrobras executa na Bacia Sergipe-Alagoas um dos maiores programas de descomissionamento do país, com previsão de investimentos de aproximadamente US$ 1,7 bilhão até 2029. O programa envolve a retirada e destinação sustentável de 26 unidades de produção marítimas, além do abandono de poços e da recuperação ambiental das áreas operacionais.

Plataformas marítimas de Sergipe estão sendo retiradas. Foto: Petrobras

O descomissionamento cria uma nova frente de negócios para empresas de engenharia, logística, manutenção e serviços especializados, movimentando a cadeia produtiva antes mesmo da entrada em operação das plataformas do SEAP.

Na prática, Sergipe passa a viver duas etapas simultâneas da indústria do petróleo: o encerramento da produção em ativos maduros e a implantação da maior fronteira de exploração offshore da Petrobras fora do pré-sal.

Estado quer transformar gás em indústria

Durante a abertura do Sergipe Oil & Gas, o governador Fábio Mitidieri defendeu que Sergipe aproveite a nova riqueza para industrializar sua economia.

“Não queremos ser apenas o Uber do gás, extraindo essa riqueza e enviando para outros estados. Queremos atrair indústrias, agregar valor e gerar empregos aqui.”

Segundo o governador, o Estado trabalha para ampliar a qualificação da mão de obra, preparar o ambiente regulatório e transformar a expansão da produção de gás natural em desenvolvimento econômico permanente.

A abertura do evento também foi marcada pela assinatura de dois acordos de cooperação técnica voltados ao fortalecimento do mercado de gás natural. Um deles integra o Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural, reunindo o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Governo de Sergipe. Outro acordo aproxima a ANP e a Agrese para harmonizar a regulação estadual, criando um ambiente mais favorável à expansão da infraestrutura e à atração de novos investimentos.

Lei do Gás abriu caminho para investimentos

Relator da Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021) no Senado, o senador Laércio Oliveira afirmou que os números apresentados durante o evento representam uma transformação para Sergipe. “Quando vejo essa curva de crescimento, não enxergo apenas gráficos. Vejo a transformação da vida de milhares de sergipanos. Quero ajudar a construir essa escadinha para que Sergipe chegue ao topo.”

Segundo o parlamentar, a legislação abriu o mercado brasileiro de gás natural, ampliou a concorrência e criou condições para novos investimentos no setor.

Durante o evento, Laércio também revelou que solicitou à Petrobras a doação da plataforma Guaricema para Sergipe e participou do lançamento do livro Cinco Anos da Lei do Gás: Conectando o Brasil ao Futuro, obra que analisa os impactos do novo marco regulatório sobre o mercado brasileiro de gás natural.

Sergipe consolida protagonismo energético

Para o sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, Sergipe vive um momento histórico. “Hoje, quando se fala em petróleo e gás no Brasil, fala-se também em Sergipe.”

Realizado até sexta-feira (31), no Centro de Convenções AM Malls, o Sergipe Oil & Gas chega à quinta edição consolidado como o principal encontro da cadeia de óleo e gás do estado. O evento reúne cerca de 90 expositores, mais de 120 palestrantes e representantes das principais empresas do setor.

Fonte: Movimento Econômico.
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