Por Leo Garfinkel
A Petrobras deve finalizar em 7 de agosto a perfuração do Poço Morpho, na Margem Equatorial, informou a estatal nesta 6ª feira (12.jun.2026) ao Poder360. O prazo consta em cronograma enviado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
O empreendimento está localizado no bloco exploratório FZA-M-59, na Bacia do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A área faz parte da porção brasileira da Margem Equatorial.
No início de fevereiro, o Ibama aplicou multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras por um vazamento de 18.440 litros registrado em 4 de janeiro durante atividades relacionadas à operação.
Na ocasião, a estatal afirmou que o material liberado era biodegradável e faz parte das tecnologias utilizadas para viabilizar a perfuração. O projeto ficou paralisado por 1 mês até a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) liberar a retomada das atividades.
O Poço Morpho é o 1º dos 15 que a Petrobras pretende perfurar na região até 2030, sob um investimento de R$ 13 bilhões. Apesar da previsão de chegada ao reservatório do empreendimento, a descoberta de um único poço não permite uma avaliação conclusiva sobre a viabilidade econômica da região, que ainda está em fase de pesquisa.
A avaliação do potencial exploratório dependerá dos resultados obtidos. Depois do Poço Morpho, a companhia planeja iniciar no Rio Grande do Norte as perfurações do Poço Mãe de Ouro, Inhame e Taianga, na Bacia Potiguar, autorizadas pelo Ibama em março.
Os empreendimentos no Estado nordestino somam-se aos poços Pitu Oeste e Anhangá e outros 6 poços autorizados na 1ª fase do projeto de perfuração exploratória.
Conforme mostrou o Poder360, o governo aposta na pesquisa da Margem Equatorial para manter a produção de petróleo e gás natural estável nas próximas décadas.
Projeções do Ministério de Minas e Energia mostram que o Brasil precisará de novas reservas exploratórias até 2030 para manter o desempenho forte no setor, uma vez que o país não fez novas descobertas de reservas nos últimos anos.
O Brasil está produzindo em média 3,77 milhões de barris por dia e vem batendo recordes consecutivos na produção de petróleo e gás natural nos últimos meses. Segundo previsão da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), esse volume chegará a 5,3 milhões de barris por dia em 2030, sendo quase ⅔ desse volume proveniente do pré-sal.
Para manter esse desempenho, o país precisaria obrigatoriamente de novas frentes produtivas a partir de 2031. Do contrário, a produção deve cair para 5,1 milhões de barris/dia; em 2034, para 4,4 milhões, e em 2040, para 1,4 milhão, segundo as estimativas do governo.
A Margem Equatorial brasileira é uma extensa faixa do litoral Norte do país que abrange áreas marítimas situadas ao largo dos estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.
Essa região é considerada uma nova fronteira exploratória para o setor de petróleo e gás, com potencial ainda pouco conhecido, mas que vem despertando interesse em razão das características geológicas semelhantes às de grandes descobertas em outras partes do mundo, como na costa da Guiana e do Suriname.