O grande potencial a ser descoberto nas bacias da Margem Equatorial foi o que motivou a Petrobrás a encarar um longo e moroso processo de licenciamento ambiental junto ao Ibama. Superada essa etapa, a petroleira agora começa a enfrentar os desafios técnicos e econômicos.
No momento, as principais fichas da estatal estão especificamente em duas áreas: no poço chamado Morpho, na costa do Amapá, dentro da Bacia da Foz do Amazonas; e nos poços Pitu Oeste e Anhangá, no Rio Grande do Norte, na Bacia Potiguar. Apesar de promissores, esses poços vão exigir novamente a já conhecida capacidade técnica da Petrobrás em explorar recursos em ambientes desafiadores.
No caso da Bacia da Foz do Amazonas, trata-se do quinto poço mais profundo da história da companhia. Além disso, ele está em uma área de fronteira exploratória, o que exige uma cautela adicional para a perfuração, segundo a diretora de Exploração e Produção da companhia, Sylvia Anjos. “É um poço pioneiro numa área nova, então a gente se reveste de mais cuidados. O primeiro poço do pré-sal durou mais de um ano. Por quê? Porque você vai com todo cuidado, com todas as incertezas. Poço pioneiro é isso”, explicou.

Apesar de já ter perfurado um poço em menos de 40 dias no pré-sal, a Petrobrás terá de agir com menos velocidade na Bacia da Foz do Amazonas. A estimativa inicial é que a atividade, que está sendo realizada com o navio-sonda ODN-II, dure cerca de cinco meses. “O recorde de perfuração de um poço em 35 dias do pré-sal é já para uma área bastante amadurecida. Com cinco meses, vamos estar num poço pioneiro, numa área que vai a mais de 7 mil metros de profundidade, com uma lâmina d’água também quase de 3 mil, 2.880, e com a maior coluna de rocha perfurada”, afirmou.
Sylvia destacou ainda que o trabalho exigirá paciência e precisão, mas não descartou a hipótese de concluir a perfuração em um prazo menor do que o previsto inicialmente. “A coluna de rocha desse poço é superior à coluna de rocha que nós temos no pré-sal. Então, tudo isso leva mais rocha, mais tempo, mais troca de fase. Achamos que pode ser um pouco antes [dos cinco meses], mas esse aí é um prazo que vemos com mais segurança”, detalhou.

Descoberta da Petrobrás na Bacia de Potiguar
Já na Bacia Potiguar, a ideia é seguir avançando com a perfuração de um terceiro poço. As descobertas anteriores foram importantes, mas os volumes encontrados ainda não justificam o investimento em uma unidade de produção. A estratégia, portanto, é continuar dimensionando o tamanho das reservas. “Agora, com esse terceiro poço, vamos dimensionar melhor o potencial da área e ver que unidade de produção pode atender a esse volume.”
A executiva disse que o mercado, de maneira geral, se acostumou muito “com os bilhões de barris do pré-sal”. Contudo, a Petrobrás agora ajusta sua estratégia para novos cenários de produção. “Temos que fazer um ajuste para ter plataformas mais slim, mais compactas, unidades de produção para volumes menores. Esse é um desafio que é lançado para as equipes aqui, para [buscar] outras soluções”, detalhou.
O poço Anhangá está situado próximo à fronteira entre os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, a cerca de 190 km de Fortaleza e 250 km de Natal, em profundidade d’água de 2.196 metros, na Margem Equatorial brasileira. Ele foi a segunda descoberta da Petrobrás na Bacia Potiguar, realizada em 2024. Antes, a empresa já havia constatado a presença de hidrocarbonetos no poço Pitu Oeste, localizado na concessão BM-POT-17, a cerca de 24 km de Anhangá.