A Ocyan, antiga Odebrecht Óleo e Gás (OOG), vai entrar no mercado de revitalização de plataformas, ainda incipiente no país. A companhia vê a atividade como estratégica para o modelo de negócios, um ano e meio após a conclusão da venda da companhia da Novonor para o fundo de investimentos EIG e a gestora de recursos Lake Capital. Um primeiro passo foi dado: a empresa vai participar dos estudos da Petrobras sobre a extensão da vida útil de plataformas.
Especializada na indústria de óleo e gás, a companhia indicou dois representantes para participar de um grupo de trabalho como parte de um protocolo de intenções firmado em meados de junho entre a Petrobras e diversas entidades do setor. A Ocyan indicou nomes por integrar a Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro). Em nota, a Petrobras confirmou a criação do grupo e acrescentou: “a análise com esse grupo está em andamento e ainda não temos essa conclusão de quantas [unidades] poderão ser reutilizadas.”
A Petrobras avalia o retrofit de plataformas próximas do fim da vida útil como uma alternativa à escalada de custos para a encomenda de novas unidades de produção. O objetivo do estudo é entender como podem ser feitas as adaptações das unidades de produção para uma posterior reutilização. E se o país tem capacidade de realizar esta atividade.
Telmo Ghiorzi, presidente da Abespetro, disse que os estudos envolvem dez unidades da Petrobras que estão em vias de ser desmobilizadas, até 2029, ao chegarem próximas do fim da vida útil. “É um programa-piloto, a Abespetro fez uma chamada de várias empresas associadas que atuam no segmento e vamos estudar documentos técnicos. Vamos trabalhar em conjunto com a Petrobras para estudar se é melhor desmantelar ou reutilizar.”
Uma plataforma tem vida útil de 20 a 25 anos. Ao mesmo tempo, uma nova unidade tem custo estimado em torno de US$ 4 bilhões, o que corresponderia, ao câmbio atual, a um investimento de mais de R$ 22 bilhões por unidade de produção.
Rodrigo Lemos, presidente da Ocyan, avalia que não existem grandes entraves técnicos ou ambientais para retrofits de plataformas. Um dos exemplos é a FPSO Petrojarl I, da Altera Investimentos, parceira da Ocyan na joint venture Altera&Ocyan, na qual a empresa possui 50% de participação.
A FPSO é um navio que produz, estoca e escoa petróleo e gás. A unidade, que esteve até o fim do ano passado alugada pela Altera para operar no campo de Atlanta, na Bacia de Santos, para a Brava Energia, foi construída em 1984.
“O ponto central é avaliar o estado das plataformas e o investimento necessário. O custo de uma plataforma nova está tão proibitivo que, às vezes, compensa mais reutilizar o equipamento existente. Esse modelo gera boas oportunidades para o Brasil e a experiência comprova que é possível”, disse Lemos ao Valor, na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em abril.
Lemos assumiu a Ocyan para tocar a estratégia da empresa para as três principais áreas de negócio: produção offshore, “subsea” (atividades submarinas) e serviços. Os mercados que a empresa olha para os próximos anos, de acordo com o executivo, são de descomissionamento (desativação) de plataformas, operação e integridade de ativos de terceiros e fabricação de equipamentos submarinos.
No mercado de “subsea”, ressaltou, a Ocyan está participando do desenvolvimento do projeto de revitalização da malha de gás da Bacia de Campos, da Petrobras, que vai remover algumas plataformas para serem descomissionadas, com instalação de novas unidades e interligação submarina de poços.
“Não temos intenção de competir com a Subsea7, Saipem ou Technip, que tocam projetos muito grandes e não fazem parte do nosso nicho. Conhecemos nosso tamanho e preferimos projetos menores”, afirmou o presidente da Ocyan.