MERCADO DO PETRÓLEO COMEÇA O ANO ESTABILIZADO, MAS COM MUITOS FATORES DE GRAVES RISCOS GEOPOLÍTICOS

MERCADO DO PETRÓLEO COMEÇA O ANO ESTABILIZADO, MAS COM MUITOS FATORES DE GRAVES RISCOS GEOPOLÍTICOS
3 de janeiro de 2026

O primeiro dia útil do ano começa com os preços do petróleo estabilizados  depois dos registros de sua maior perda desde 2020.  O excesso de oferta e os problemas geopolíticos, deixaram os investidores de cabelo em pé, com destaque para o a guerra da Ucrânia, os problemas no Irã e o bloqueio americano no Caribe contra a  Venezuela. Os contratos futuros do petróleo Brent caíram 27 centavos nesta sexta-feira, para US$ 60,58 o barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA recuou 26 centavos, para US$ 57,16.

Os preços de referência do petróleo Brent e do WTI registraram perdas anuais de quase 20% em 2025, as maiores desde 2020, à medida que as preocupações com o excesso de oferta e as tarifas superaram os riscos geopolíticos. Foi o terceiro ano consecutivo de perdas para o Brent, a maior sequência desse tipo já registrada.

A instabilidade política no Irã, um dos grandes produtores de petróleo, apesar da sançõeseconômicas, leva insegurança para o mercado internacional.  O Irã classificou como “linha vermelha” uma possível intervenção americana no país nesta sexta-feira(2), após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que sairia “em resgate” aos manifestantes que participam de protestos hostis ao governo. Ao menos seis pessoas morreram no primeiro dia do ano e dezenas também ficaram feridos. Há relato de prisões em várias cidades do país.

“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro. Estamos com as armas preparadas e carregadas, prontos para agir. Obrigado por sua atenção a este assunto!”, escreveu Trump na Truth Social.

Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será alvo de uma resposta“, disse o conselheiro do aiatolá Ali Khamenei(direita), em uma publicação no X. “A segurança do Irã é uma linha vermelha”.

 O comentário da autoridade iraniana aconteceu logo após Trump fazer a publicação. As autoridades iranianas estão em alerta com os protestos que começaram  no domingo, motivados pelo aumento do custo de vida no país.  Antes de Trump, a agência de inteligência de Israel, Mossad, publicou uma mensagem aos manifestantes sugerindo apoio aos movimentos, o que causou mais irritação no governo iraniano.

Outro fator que ainda mexe com o mercado do petróleo é a guerra Rússia-Ucrânia. Os dois países intensificaram seus ataques. A Ucrânia está visando mais a infraestrutura energética russa nos últimos meses, com o objetivo de  cortar as fontes de financiamento de Moscou para sua campanha militar. No Oriente Médio, a crise entre os produtores da OPEP, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, sobre o Iêmen se agravou após a suspensão dos voos  no aeroporto de Aden no primeiro dia do ano.  Isso ocorreu antes de uma reunião virtual entre o grupo OPEP+, composto pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, marcada para o próximo domingo (4).

Os analistas esperam que este ano haja decisões para  o equilíbrio da oferta de petróleo e acreditam que a China continuará a aumentar os seus estoques de petróleo bruto no primeiro semestre, estabelecendo um preço mínimo para o petróleo. Espera-se um ano relativamente tranquilo para os preços do petróleo (Brent), oscilando em torno de US$ 60 a US$ 65 por barril.

O ditador sanguinário e usurpador do poder, Nicolás Maduro, continua pressionado, principalmente depois dos ataques contra as instalações químicas de uma empresa que seria fornecedora para os narcotraficantes venezuelanos e um porto, no sul do país antes do ano novo. Estes dois ataques já seriam sabotagem de equipes de elite do exército dos Estados Unidos, que já estariam em solo venezuelano. Enquanto isso, o ditador mandou soltar mais 88 prisioneiros políticos  e participou de uma cerimônia de despedida de fim de ano para as forças militares em La Guaira.

Ele voltou a propor “negociações sérias sobre o combate ao narcotráfico” oferecendo às empresas americanas acesso facilitado ao petróleo venezuelano. Ao mesmo tempo o ditador usando o seu habitual cinismo  negou qualquer ligação com o crime, afirmando  que os EUA estão tentando destituí-lo para assumir o controle das vastas reservas de petróleo e dos depósitos de minerais de terras raras da Venezuela. Em um evento antes do Natal, ele pediu a Trump que se concentrasse nos desafios internos, dizendo:

Honestamente, se eu falar com ele novamente, direi que cada um deve cuidar de seus assuntos internos. Precisamos começar a falar seriamente, com os fatos em mãos. O governo dos EUA sabe disso, porque já dissemos isso muitas vezes aos seus interlocutores, que se eles quiserem falar seriamente sobre o acordo para combater o narcotráfico, estamos prontos para isso. Se eles querem o petróleo da Venezuela, a Venezuela está pronta para aceitar investimentos dos EUA, como os da Chevron, quando, onde e como eles quiserem.”

Fonte: Petronotícias.
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