Por Gabriela Ruddy e André Ramalho
NESTA EDIÇÃO. Revisão das tarifas de transporte de gás é judicializada. Imposto de exportação aumenta arrecadação do governo em julho. Governo prorroga subsídio da gasolina. Lula e Congresso acertam votação de minerais críticos e Redata.
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A Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás) ingressou na quarta-feira (26/8) com uma ação judicial contra a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para derrubar o Método de Capital Recuperado (RCM) — metodologia alternativa para valoração da base de remuneração das transportadoras de gás
A disputa tem um impacto bilionário. Pelos cálculos apresentados pela ANP, em maio, a aplicação do RCM reduziria em R$ 10 bilhões a Base Regulatória de Ativos (BRA) pleiteada pelas transportadoras. O que está em jogo é a discussão sobre a Base Regulatória de Ativos (BRA) e a aplicação da metodologia alternativa, o RCM.
Já esperada, a judicialização da revisão tarifária é mais um litígio do mercado de gás, que acumula, nos últimos anos, importantes disputas nas diferentes esferas do Judiciário.Os casos mais emblemáticos envolvem os conflitos federativos na regulação de gasodutos no Supremo Tribunal Federal (STF).
As disputas não se limitam, contudo, à classificação de gasodutos.
Para evitar novas judicializações e construir uma regulação mais harmônica para o setor, o Ministério de Minas e Energia lançou, em julho, o Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural.
De olho no gás do pré-sal. O leilão de gás natural da União deveria ser mais aberto à participação dos players do mercado, na avaliação do CEO da Edge, Demétrio Magalhães. Em entrevista ao podcast gas week, o executivo questionou a opção do governo de destinar o gás da União a segmentos específicos, conforme aprovado pelo CNPE.
Imposto de Exportação. O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, disse que houve uma arrecadação atípica com o Imposto de Exportação de petróleo de R$ 7,982 bilhões no ano até julho.
Petróleo volta a cair. O Brent fechou na quarta (26/8) com leve queda, de 0,37%, cotado a US$ 86,94 por barril, numa sessão volátil, em meio a novos ataques de drones da Ucrânia em instalações de energia russas e detalhamento do acordo de compartilhamento de receitas entre Irã e Omã no Estreito de Ormuz.
Petróleo na África. As atuais crises geopolíticas abriram uma oportunidade para que países da costa sudeste da África se posicionem como produtores de óleo e gás natural, segundo a diretora de Petróleo do Ministério de Minas e Energia da Namíbia, Maggy Shino.
Furto de combustíveis. O projeto de lei 1482/2019, que aumenta as penas para os crimes de furto, roubo e receptação de combustíveis, óleo e derivados, está pronto para votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Esforço concentrado. O presidente Lula (PT) fechou acordo, na quarta (26), com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB); e do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), para votação na semana que vem de um pacote de cinco projetos considerados prioritários pelo governo — entre eles o Marco Legal dos Minerais Críticos e o Redata, programa de estímulos à instalação de data centers com consumo de energia renovável.
Data center no Ceará. O Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou cinco novos projetos industriais e de serviços nas ZPEs de Pecém (CE), Bacabeira (MA) e Parnaíba (PI), com investimentos previstos de R$ 206 bilhões. O maior deles é um data center associado à Voltalia, com aportes de R$ 181,7 bilhões no Pecém.
Fora do CNPE. O MME atualizou novamente a pauta da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), agendada para o dia 2 de setembro, desta vez, para retirar a resolução que institui o Programa Nacional do Combustível Sustentável de Navegação (PNCSN).
Eleições 2026. O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) apresentou carta aos candidatos à Presidência em 2026, defendendo a transformação produtiva e a inovação verde.
Leilão de resíduos em SP. O governo do estado de São Paulo pretende realizar, em 2027, os leilões do Programa Integra Resíduos, iniciativa que reúne municípios em blocos regionais para dar escala ao tratamento do lixo e viabilizar projetos de aproveitamento energético, incluindo a produção de biogás e biometano.
Renovação de concessões. O Tribunal de Contas da União (TCU) deu aval para a renovação contratual de mais seis distribuidoras de energia elétrica.
Acordo MME-Eneva. A Frente Nacional dos Consumidores de Energia divulgou um manifesto pedindo o detalhamento dos efeitos do acordo entre a Eneva e o MME sobre térmicas inflexíveis. A entidade é contrária à formalização do acerto, antes do conhecimento de eventuais impactos.