Por Lucas Borges Teixeira
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, defendeu hoje a exploração de petróleo na foz do Amazonas, elogiou o trabalho regulatório do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e pediu confiança nas ações da empresa.
Magda argumentou que o licenciamento foi um “processo duríssimo”. “Não foi um processo curto, foi um processo longo, absolutamente técnico. E nós estamos convencidos de que o que entregamos foi nada mais, nada menos do que um plano de emergência individual”, defendeu, à imprensa, durante fórum da CNT (Confederação Nacional de Transporte).
A licença foi concedida para a exploração do Bloco 59, a 500 km da foz do rio. A região faz parte da Margem Equatorial, uma área que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e abriga o maior conjunto de manguezais do mundo, além de um dos maiores sistemas de recifes da Amazônia.
A executiva disse defender a transição energética, mas pontuou que, no momento, aumentar a exploração é aumentar, também, a segurança energética. “Energia per capita e desenvolvimento humano são duas marcas que andam muito de mão dada”, argumentou. “Para melhorar este índice, nós precisamos, sim, cuidar do planeta, mas precisamos, também, gerar mais energia e ofertar mais energia para a população brasileira.”
Um vazamento de petróleo naquela região poderia causar um desastre e tem sido alvo de ambientalistas. Oito organizações e movimentos ambientalistas entraram na Justiça contra a exploração hoje, alegando que o licenciamento “ignorou os impactos climáticos” e teve “falhas graves de modelagem”.
A presidente pediu confiança na empresa e elogiou as cobranças do Ibama. “Estamos convencidos, também, que o Ibama fez um grande trabalho, gerando assim uma exigência inigualável no planeta. Eu considero isso uma conquista do diálogo e do aprimoramento da bolsa regulatória [brasileira].”
O processo durou cinco anos, até ser liberado. A perfuração começou no mesmo dia da licença, na última segunda-feira (20), e, segundo a executiva, deverá durar cerca de cinco meses, com estimativa de conclusão para março.
“Essa empresa não está interessada em destruir o planeta”, continuou. “Ela está interessada em angariar cada vez mais a confiança da sociedade brasileira e garantir para a sociedade brasileira que o que ela vai fazer é o melhor possível em benefício dessa mesma sociedade.”
O governo Lula (PT) é a favor da exploração e não tem escondido isso. Questionado por ativistas, ele nega que seja um contrassenso promover a COP30 em Belém, que também está próxima à Margem Equatorial. “Eu não quero estragar um metro de coisas aqui, mas ninguém pode proibir a gente de pesquisar para saber o tamanho da riqueza que tem”, disse, em sua última viagem ao Amapá, em fevereiro.