Incentivos ao gás são válidos, mas têm de ser limitados, diz analista

Incentivos ao gás são válidos, mas têm de ser limitados, diz analista
18 de agosto de 2025

Os incentivos propostos por congressistas por meio de emendas parlamentares na Medida Provisória 1.304/2025, publicada pelo governo em 11 de julho, são importantes para “colocar o setor do gás natural para funcionar”, mas não devem ser encarados como subsídios vitalícios para que não haja distorção de finalidade, segundo o sócio fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), consultoria no setor de energia, e articulista do Poder360, Adriano Pires.

“O problema do Brasil é que a gente dá um empurrão e depois precisa ficar empurrando para sempre. Aí vira subsídio. O subsídio, em determinadas situações, ele é necessário. Porém, quando você dá um subsídio no Brasil para determinado setor, aquele subsídio é para sempre”, disse em entrevista a este jornal digital.

Ele afirma que o apoio proposto pelos congressistas será importante para acelerar o setor de gás natural brasileiro neste “1º momento”, mas que a tendência é que, sem dosagem correta, o setor não queira mais “abrir mão” dos incentivos.

“Às vezes você dá um certo privilégio, que é para você acelerar o crescimento daquele mercado, depois o cara quer o privilégio para sempre. E não abre mais mão”.

A MEDIDA

A MP regula a comercialização do gás natural da União, permitindo que a PPSA (Pré-Sal Petróleo S/A) venda diretamente o insumo a preços mais competitivos, contribuindo para a redução dos custos para consumidores e para a reindustrialização nacional.

A Medida recebeu 435 emendas e, entre outras medidas, destinam parte do gás leiloado para uso como combustível veicular, especialmente em caminhões, com o objetivo de reduzir o consumo de diesel e incentivar a descarbonização do transporte, propõem regras temporárias para limitar a participação da Petrobras nos leilões, estimulando a concorrência e a abertura do mercado de gás no país e a regulamentação do escoamento da produção.

ESCOAMENTO

Pires diz que o governo federal confirma que parte do alto preço do gás se deve ao que a Petrobras cobra pelo transporte e pelo processamento quando define que o CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) precisa regular essas tarifas para evitar abusos e tornar o gás mais barato para os consumidores.

“Através do CNPE, regular a tarifa do escoamento e da UPGN (Unidade de Processamento de Gás Natural). Porque, segundo o próprio governo, há um certo abuso de monopólio da Petrobras. Então, o que a Petrobras cobra no escoamento e na UPGN seria um dos motivos principais, junto com a tarifa de transporte, que encarece muito o preço da molécula para o consumidor”, disse.

A Medida Provisória estabelece que o CNPE determina as condições de acesso aos sistemas integrados de escoamento, processamento e transporte do gás natural da União, incluindo o cálculo do valor do acesso.

A tarifa cobrada pelo uso do transporte e processamento do gás deve ser calculada de forma técnica e justa, cobrindo custos, investimentos e risco do negócio, sem encarecer demais o gás para o consumidor.

A medida visa a permitir que a PPSA comercialize diretamente o gás natural da União a preços mais competitivos, contribuindo para a redução dos custos para os consumidores e promovendo a reindustrialização nacional, sem impactar o orçamento público.

Fonte: Poder360.
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