Home ESG Como conciliar mais petróleo com menos carbono, segundo nova diretora da Petrobras

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2 de agosto de 2025

Angelica Laureano assume diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade em momento histórico para a estatal e detalha plano de US$ 16 bilhões para iniciativas de baixo carbono

Por Letícia Ozório – Repórter de ESG

Dos nove membros da diretoria da Petrobras, cinco são mulheres. Essa é a primeira vez na história da estatal petroleira em que a gestão conta com maioria feminina — incluindo a presidente da companhia, Magda Chambriard, além de Clarice Coppetti, de Assuntos Corporativos; Renata Baruzzi, de Engenharia, Tecnologia e Inovação, e Sylvia Anjos, da diretoria de Exploração e Produção.

A soma fica completa com a nomeação da engenheira Angélica Laureano, que desde o começo de julho ocupa o cargo de diretora de transição energética e sustentabilidade na Petrobras. À primeira vista, o cargo pode parecer contraditório. Nos últimos três meses, a produção de petróleo e gás natural da gigante alcançou 2,91 milhões de barris ao dia, uma alta de 5% na comparação com o primeiro trimestre do ano.

Na realidade, a tarefa de Laureano ocupa um espaço cada vez mais importante — e desafiador — na companhia: como equilibrar as novas fontes limpas de energia em meio às possibilidades fósseis? Como a estatal pode dar continuidade à exploração de petróleo enquanto o país caminha para a transição energética? Essas são algumas das perguntas que a Petrobras tenta responder desde 2023, quando adicionou a busca com fontes renováveis entre os seus temas estratégicos.

Dos 45 anos de experiência, Laureano passou 37 na Petrobras, onde ocupou posições de liderança nas últimas duas décadas. A diretora conversou com a EXAME e contou sobre os desafios e expectativas para o cargo, além de comentar sobre a marca histórica.

Maioria feminina

“Quando entrei na Petrobras, em 1980, a presença feminina era mínima. Hoje, com 17% da força de trabalho sendo mulheres e cerca de 24% em funções de liderança, podemos afirmar que estamos avançando em direção a um ambiente mais inclusivo”, explica Laureano, que conta que a nova posição também é uma oportunidade transformadora para a sua carreira.

A companhia conta com metas de diversidade no seu Plano Estratégico desde 2023, incluindo ações como mentorias femininas, que já contaram com 105 mentoradas. Ao todo, 46% das participantes ascenderam a posições de liderança. No dia a dia, o objetivo de elevar as tristes taxas de diversidade no setor de energia incluem ações afirmativas para grupos sub-representados, como metas de diversidade, criação de grupos de afinidade e processos afirmativos que levam em conta as necessidades de representatividade em cada área.

Como principal meta para a posição que passou a ocupar, a diretora busca tornar viáveis os objetivos do Plano de Negócios da Petrobras, que estipula até 2029 o investimento de US$ 16,3 bilhões em iniciativas de baixo carbono e descarbonização, valor até 42% maior do que o elaborado no quadriênio anterior. Entre os principais eixos para investimentos estão a adoção de energias renováveis, a redução das emissões de gases de efeito estufa, inovação e tecnologia.

Transição energética

O plano ainda inclui parcerias e colaborações com empresas parceiras para impulsionar a transição das fontes de energia. Entre os recentes acordos, a Petrobras assinou um acordo de princípios com a empresa dinamarquesa European Energy pelo desenvolvimento de e-metanol em larga escala no país, em uma planta que deve ser instalada em Pernambuco.

No último ano, a companhia também assinou um acordo de estudos e avaliação e negócios em baixo carbono com a siderúrgica ArcelorMittal, buscando cooperação no desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de CO2. “São muitos projetos a desenvolver e metas de redução da pegada de carbono a atingir. Contamos com uma equipe diversa, inclusiva e coesa, é assim que seguiremos”, explica Laureano.

A companhia ainda inclui em seu plano orçamentário a criação de um fundo de US$ 1,3 bilhão ao longo dos próximos cinco anos, com o objetivo de alavancar a implementação e oportunidades de descarbonização nos negócios. “Temos a ambição de neutralizar as emissões nas atividades operacionais até 2050, além de continuar avançando no desenvolvimento de oportunidades de novos negócios de baixo carbono pavimentando um caminho mais eficaz e justo para a transição energética”, aponta a diretora.

O esforço até a descarbonização, reconhece a executiva, exige ações em distintas áreas e setores e um trabalho que já ultrapassa uma década. O sucesso vem aos poucos: entre 2015 e 2024, a petroleira reduziu em 40% as emissões absolutas de gases do efeito estufa, quantia equivalente a 47 milhões de toneladas de CO2 equivalente. “Esse número é equivalente a três vezes as emissões do setor de aviação brasileiro. Também reduzimos 70% das emissões de metano”, explica.

“Temos implementado práticas de eficiência energética, modernizando nossas instalações e processos. Alguns exemplos são a reinjeção de 80 milhões tCO2 até 2025 em projetos de captura de carbono, queima zero de rotina em flares até 2030 e redução da intensidade de emissões de metano no segmento upstream”, conta.

Exploração da Margem Equatorial

Em junho, quando a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis realizou o leilão da exploração de petróleo no Brasil, a companhia adquiriu dez blocos na Foz do Amazonas ou outros três na bacia de Pelotas. O tema levantou dúvidas e críticas de pesquisadores e ambientalistas pela falta de estudos que avaliassem os riscos ambientais.

Do lado da Petrobras, Laureano explica que mesmo no cenário de transição energético, os combustíveis fósseis seguem necessários no Brasil e mundo. Mesmo com o declínio na exploração, novos projetos devem manter a resiliência no fornecimento de energia, segundo a executiva. “A Petrobras acredita que conciliar o foco na exploração responsável de petróleo e gás com a expansão do portfólio de negócios de baixo carbono é o caminho mais eficaz para que o Brasil avance na transição energética justa sem comprometer sua soberania, seu desenvolvimento e sua competitividade internacional”, explica.

Segundo a companhia, o objetivo das atividades exploratórias é repor reservas e desenvolver novas fronteiras exploratórias para atender à demanda energética. Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo, o potencial de exploração da Margem Equatorial é de 10 bilhões de barris de petróleo, ajudando na segurança energética do país por décadas. No lado ambiental, a falta de pesquisas antes do leilão deixa a incerteza do caminho esperado até a transição energética e o esgotamento das fontes não-renováveis.

Fonte: exame.
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