Gasmig fecha negócio de R$ 1 bi com joint venture da Mitsui; assinatura será na quinta

Gasmig fecha negócio de R$ 1 bi com joint venture da Mitsui; assinatura será na quinta
25 de junho de 2026

Proposta da GeoMit foi selecionada em chamada pública de biometano e superou multinacionais como da britânica BP e das brasileiras Solví e Gás Verde

Por Marco Aurélio Neves

A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), subsidiária da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), selecionou a empresa GeoMit para o fornecimento de até 250 mil metros cúbicos (m³) por dia de gás biometano, produzido em Minas e entregue na região do Triângulo Mineiro, por meio da sua terceira e maior chamada pública do biocombustível. O contrato terá vigência de dez anos e deverá ser assinado na próxima quinta-feira (25/6).

O investimento previsto é de R$ 1 bilhão, com a construção de 400 quilômetros (km) de gasodutos na região, sendo aproximadamente 140 km de rede principal e o restante de linhas laterais. A GeoMit é uma joint venture da brasileira Geo Bio Gas&Carbon e da Mitsui Gás e Energia do Brasil, braço nacional no setor da multinacional japonesa Mitsui.

O início do fornecimento está programado para abril de 2028, após a conclusão das etapas de licenciamento, obtenção das autorizações regulatórias e implantação da infraestrutura necessária ao escoamento do gás.

Essa foi a terceira chamada pública de gás biometano da Gasmig. Nas outras duas primeiras, realizadas em 2023 e 2025, não houve contratação. Dessa vez, a companhia recebeu 27 propostas de 11 empresas. As propostas foram avaliadas pela estatal e passaram por um processo de ranqueamento das ofertas.

A proposta da GeoMit foi considerada superior às de empresas como a britânica BP (ex-British Petroleum) e multinacionais brasileiras, como a Solví, do ramo de gestão de resíduos, e a Gás Verde, a maior produtora de biometano da América Latina.

O critério da chamada pública para a seleção dos fornecedores foi o menor custo global, a localização estratégica, a capacidade efetiva de entrega e a maior vantagem operacional para a Gasmig. O biometano fornecido deverá atender integralmente às normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Além da entrega da rede de distribuição a ser construída no Triângulo Mineiro, a GeoMit poderá propor o uso de um gasoduto virtual, com transporte rodoviário. O modelo permite que produtores comecem a operar antes da conclusão da infraestrutura física de dutos, o que reduz o tempo entre investimento e geração de receita.

GeoMit pode atender CBMM, Mosaic e LD Celulose

A Gasmig destacou que o acordo com a Geomit representa uma etapa relevante, indicando o início no desenvolvimento do mercado de biometano em Minas Gerais. A companhia informou que segue atenta a novas oportunidades e projetos que possam contribuir para a diversificação e a sustentabilidade do suprimento de gás no estado.

Em uma segunda etapa, a ideia da Gasmig é levar o fornecimento de gás biometano para o mercado urbano, com o potencial de atender um milhão de pessoas.

Para esta chamada pública, a estatal de gás mapeou potenciais clientes, chamados de “consumidores-âncoras” – a mineradora CBMM, dos Moreira Salles, localizada em Araxá, a Mosaic Fertilizantes, em Uberaba, e a LD Celulose, em Indianópolis. A Gasmig conversa com essas empresas para atender parte da demanda de gás por meio do biocombustível.

O projeto é voltado para a demanda de quatro cidades-polo do Triângulo: as cidades dos consumidores-âncoras supracitados, mais Uberlândia. O presidente da Gasmig, Gustavo De Marchi, afirmou que a há inclusive manifestação de interesse dos consumidores-âncoras, considerados fundamentais para permitir o espraiamento do projeto e das redes isoladas.

A região do Triângulo Mineiro combina uma forte atividade agroindustrial, alta disponibilidade de resíduos orgânicos e demanda industrial concentrada. A região reúne grandes usinas sucroenergéticas, polos de avicultura, suinocultura e laticínios, todos com potencial significativo para a produção de biogás e sua posterior purificação em biometano.

O biometano pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel, e a chamada da Gasmig prevê precificação específica para o atributo verde do produto. Isso aproxima fornecedores e compradores do mercado voluntário de carbono e dos Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs) regulamentados pela ANP.

Fonte: O Tempo.
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