Por André Ramalho
NESTA EDIÇÃO. Diretoria da ANP se reúne nesta sexta (7/8) com gas release em pauta, mas Petrobras escala pressão para frear discussão;
Oferta Permanente da ANP vai oferecer, em outubro, 22 setores de blocos exploratórios de concessão e 13 blocos no regime de partilha do pré-sal;
Brava fecha acordo de longo prazo para compra de óleo cru da PetroReconcavo no Ativo Potiguar;
E o que o setor de energia quer do próximo governo.
A diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) se reúne nesta sexta-feira (7/8) com os olhares da indústria de gás natural voltados para a pauta do gas release, o programa de desconcentração do mercado que obriga o agente dominante — a Petrobras — a leiloar parte do gás que comercializa para concorrentes.
A Petrobras escalou, desde a semana passada, a pressão política contra o avanço da discussão e tenta evitar que a proposta da ANP vá à consulta pública — revelando, assim, o alcance do programa desenhado pela área técnica da agência.
O programa encontra amplo apoio no setor, sobretudo entre consumidores de gás e comercializadores concorrentes da Petrobras: em pesquisa realizada pela ANP, 95% dos agentes ouvidos classificaram o gas release como fundamental ou importante para abrir o mercado.Do outro lado, a Petrobras, que responde por cerca de 55% do mercado, trata o gas release como uma tentativa de redistribuir à força uma molécula que está sob seu controle, sem criar gás novo — e sem baixar preços.Nos bastidores, a estatal foi hábil em enquadrar o mecanismo de desconcentração como uma tentativa de “privatização” do seu gás, o que ajudou a manter o tema rejeitado dentro do governo. A companhia se opõe tanto à liberação de volumes de gás próprio quanto à criação de limites a sua participação na importação.Em tempo. A Petrobras reportou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, o que representa um aumento de 97% em relação a igual período de 2025. O resultado, puxado pela valorização do Brent e recordes de produção, permitiu ao Conselho de Administração aprovar a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas.
E o gas release não é o único tema de interesse da indústria de gás na pauta da ANP desta sexta (7/8), que ainda inclui:
Preço do barril. O Brent fechou com alta de 3,83%, a US$ 82,49 o barril, nesta quinta, em meio à troca de hostilidades entre Iêmen e Arábia Saudita no Mar Vermelho; e relatos de que o acordo firmado entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz proibiria a navegação de embarcações dos Estados Unidos e Israel na via marítima.Acordo na Bacia Potiguar. A Brava fechou um contrato de longo prazo, até 2030, para compra de petróleo cru da PetroReconcavo. O acordo estabelece o compromisso recíproco de compra e venda de, no mínimo, 50% da produção líquida da PetroReconcavo no Ativo Potiguar.O que o setor de energia quer do próximo governo? Solução para os cortes de geração, revisão e fim de subsídios, além de avanço na regulamentação de políticas que prometem viabilizar indústrias energointensivas e potenciais consumidoras de energias renováveis são algumas das prioridades nas agendas que o setor está levando aos candidatos à Presidência da República.
Plano Brasil Soberano III. O governo oficializou na quinta (6) o Conselho Interministerial do Plano Brasil Soberano III, que vai supervisionar a aplicação dos R$ 18,5 bilhões em créditos disponibilizados para empresas impactadas pelas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e outros conflitos geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio.