Gas release tem ‘Dia D’ na ANP em meio à pressão contrária da Petrobras

Gas release tem ‘Dia D’ na ANP em meio à pressão contrária da Petrobras
7 de agosto de 2026

A Petrobras escala pressão política contra o avanço do gas release e tenta evitar que a proposta da ANP vá à consulta pública

Por André Ramalho

NESTA EDIÇÃO. Diretoria da ANP se reúne nesta sexta (7/8) com gas release em pauta, mas Petrobras escala pressão para frear discussão;

Oferta Permanente da ANP vai oferecer, em outubro, 22 setores de blocos exploratórios de concessão e 13 blocos no regime de partilha do pré-sal;

Brava fecha acordo de longo prazo para compra de óleo cru da PetroReconcavo no Ativo Potiguar;

E o que o setor de energia quer do próximo governo.

‘Dia D’ para o gas release

A diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) se reúne nesta sexta-feira (7/8) com os olhares da indústria de gás natural voltados para a pauta do gas release, o programa de desconcentração do mercado que obriga o agente dominante — a Petrobras — a leiloar parte do gás que comercializa para concorrentes.

A Petrobras escalou, desde a semana passada, a pressão política contra o avanço da discussão e tenta evitar que a proposta da ANP vá à consulta pública — revelando, assim, o alcance do programa desenhado pela área técnica da agência.

O programa encontra amplo apoio no setor, sobretudo entre consumidores de gás e comercializadores concorrentes da Petrobras: em pesquisa realizada pela ANP, 95% dos agentes ouvidos classificaram o gas release como fundamental ou importante para abrir o mercado.Do outro lado, a Petrobras, que responde por cerca de 55% do mercado, trata o gas release como uma tentativa de redistribuir à força uma molécula que está sob seu controle, sem criar gás novo — e sem baixar preços.Nos bastidores, a estatal foi hábil em enquadrar o mecanismo de desconcentração como uma tentativa de “privatização” do seu gás, o que ajudou a manter o tema rejeitado dentro do governo. A companhia se opõe tanto à liberação de volumes de gás próprio quanto à criação de limites a sua participação na importação.Em tempo. A Petrobras reportou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, o que representa um aumento de 97% em relação a igual período de 2025. O resultado, puxado pela valorização do Brent e recordes de produção, permitiu ao Conselho de Administração aprovar a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas.

  • No segmento de Gás e Energias de Baixo Carbono, a companhia praticamente dobrou o lucro operacional (para R$ 1,38 bilhão), diante do aumento do preço do gás; e registrou um aumento de 6 p.p. na Margem Ebitda (para 17%). As receitas, por sua vez, caíram 1,4%, para R$ 12,15 bilhões.

E o gas release não é o único tema de interesse da indústria de gás na pauta da ANP desta sexta (7/8), que ainda inclui:

  • a retomada da discussão sobre o Plano de Desenvolvimento de Gato do Mato (Orca e Orca Sul), cuja aprovação foi adiada em junho por indefinições sobre a exportação de gás do projeto da Shell;
  • a revisão das normas de especificações e controle da qualidade do biometano e a autorização excepcional para fornecimento de biometano fora de especificação pela Metagás Biogás e Energia à Ecourbis Ambiental;
  • e a análise do pedido da VirtuGNL para autorização excepcional à operação de uma instalação de GNV em Parauapebas (PA), destinada exclusivamente ao abastecimento de sua frota própria de caminhões.
  • Leilões de petróleo. A ANP divulgou, nesta quinta (6/8), que serão ofertados 22 setores de blocos exploratórios no 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), além de dois setores de áreas com acumulações marginais.
    • Já no 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção (OPP) serão licitados 13 blocos. Os certames estão previstos para 7 de outubro.

    Preço do barril. O Brent fechou com alta de 3,83%, a US$ 82,49 o barril, nesta quinta, em meio à troca de hostilidades entre Iêmen e Arábia Saudita no Mar Vermelho; e relatos de que o acordo firmado entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz proibiria a navegação de embarcações dos Estados Unidos e Israel na via marítima.Acordo na Bacia Potiguar. A Brava fechou um contrato de longo prazo, até 2030, para compra de petróleo cru da PetroReconcavo. O acordo estabelece o compromisso recíproco de compra e venda de, no mínimo, 50% da produção líquida da PetroReconcavo no Ativo Potiguar.O que o setor de energia quer do próximo governo? Solução para os cortes de geração, revisão e fim de subsídios, além de avanço na regulamentação de políticas que prometem viabilizar indústrias energointensivas e potenciais consumidoras de energias renováveis são algumas das prioridades nas agendas que o setor está levando aos candidatos à Presidência da República.

    • Nesta quinta, a Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica (Abiape) divulgou uma carta pedindo a solução para os cortes de geração (curtailments) entre as prioridades dos candidatos.

    Plano Brasil Soberano III. O governo oficializou na quinta (6) o Conselho Interministerial do Plano Brasil Soberano III, que vai supervisionar a aplicação dos R$ 18,5 bilhões em créditos disponibilizados para empresas impactadas pelas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e outros conflitos geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio.

    • O governo dos Estados Unidos, aliás, anunciou na quinta (6/8) preços mínimos de importação e uma tarifa de 15% sobre produtos feitos de polissilício, matéria-prima usada na fabricação de semicondutores — incluindo chips de inteligência artificial — e de painéis solares. O objetivo proteger os fabricantes americanos da concorrência chinesa. (Reuters)
Fonte: Eixos.com.
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