Por André Ramalho
A Galp mira oportunidades de expansão de sua carteira de blocos exploratórios em novas fronteiras como a Bacia de Pelotas e a Margem Equatorial, afirmou nesta segunda-feira (21/9) a Country Manager da Galp no Brasil, Paula Pereira da Silva.
“O Brasil reúne já uma capacidade de performance comprovada, de competência comprovada e de entrega, que é algo que acho muito distintivo. Dito isto, com certeza que nós olhamos para várias bacias: Pelotas é uma delas, entramos o ano passado e temos ambição de mais, temos fome para mais. E Margem Equatorial com certeza é um objetivo também”, disse a executiva, a jornalistas, durante ROG.e 2026, no Rio.
No ano passado, no 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Petrogal arrematou três blocos na Bacia Potiguar: P-M-1670, P-M-1672 e P-M-1741, todos com uma fatia de 30%, em sociedade com a Petrobras (70%), a operadora.
Na Margem Equatorial, a companhia é sócia de quatro concessões na Bacia de Barreirinhas, com 10%, em sociedade com Shell e Petrobras.
Paula Pereira da Silva destacou que a Galp tem três pilares de crescimento bem definidos no Brasil: o aumento do fator de recuperação de Tupi-Iracema, no pré-sal da Bacia de Santos; o desenvolvimento da descoberta de Júpiter, que demanda investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I); e exploração.
“Na exploração realmente vemos com muito bons olhos o fato de a ANP ter voltado a trazer alguma previsibilidade aos leilões, que tinham estado parados por alguns anos, porque é assim que nós conseguimos alimentar os nossos por oportunidades num país onde realmente já temos uma base muito consolidada”, completou.
A executiva comentou ainda sobre a intenção da Galp de ampliar a sua presença no mercado brasileiro de gás natural, onde a companhia é, hoje, um dos principais produtores e comercializadores de molécula.
“Passa muito pela nossa estratégia aumentar a nossa carteira para conseguirmos aumentar essa nossa presença e irmos cada vez mais longe e chegarmos ao cliente seguinte, criá-lo. Então é algo que nós temos na nossa atenção, que nos orgulha muito, e estamos também numa perspetiva de crescimento de procurar aumentar essa nossa pegada e posicionamento”.
Ela mencionou que a Galp acompanha com atenção a agenda regulatória do gás no Brasil e que, como produtora comercializadora e dona de ativos de escoamento de gás, a companhia trabalha para “garantir as condições e contribuir para um mercado que seja saudável e equilibrado e competitivo”.
Ela pregou, nesse sentido, a necessidade de o país se manter como destino atrativo de capital.
“O investidor realmente precisa de alguma estabilidade, saber que as regras do jogo não há motivo do Brasil deixar de ser atrativo. Prova disso é que o ano passado novamente procuramos continuar a crescer, mas numa perspetiva do Brasil não perder competitividade quando comparamos com outras geografias que também estão atrás de capital estrangeiro e de capital para desenvolver a indústria”, disse.
Na agenda do gás, a Galp tem manifestado contrariedade com o teor da minuta de resolução sobre o acesso de terceiros aos gasodutos de escoamento e unidades de processamento.
A petroleira portuguesa e os demais sócios nesses ativos convergem na avaliação de que a minuta da ANP converte o regime de acesso negociado da Lei do Gás em regulado.
Como mostramos na gas week, dentre os principais pontos de atenção dos membros do Sistema Integrado de Escoamento (SIE) estão preocupações com:
Já na pauta do gas release, a Galp é uma das apoiadoras do programa de desconcentração do mercado.
A empresa sugeriu, no questionário aberto pela ANP sobre o programa, que a Petrobras deveria ser impedida de celebrar novos contratos de compra de gás de terceiros no Brasil.