A exploração de petróleo na Amazônia poderá criar 495 mil empregos e injetar R$ 175 bilhões no PIB brasileiro nos próximos anos, segundo estimativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada pela CNN.
O avanço se torna possível após o Ibama autorizar a Petrobras a iniciar perfurações exploratórias na Margem Equatorial, região localizada a cerca de 500 quilômetros da Foz do rio Amazonas, entre o Amapá e o Pará.
A licença, emitida nesta segunda-feira (20), encerra um impasse ambiental que durava anos e marca um passo estratégico para o setor energético. A autorização, no entanto, não envolve ainda a extração de petróleo, mas apenas a coleta de dados geológicos que poderão confirmar a viabilidade econômica das reservas.

Perfuração na Foz do Amazonas será apenas exploratória, sem extração de petróleo – Foto: Divulgação/Petrobras
De acordo com o economista Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, ouvido pela CNN, o impacto imediato para a Petrobras é limitado. “Ainda não há certezas se haverá reservas comercialmente viáveis, portanto, o impacto no fluxo de caixa ou no resultado da empresa é, por ora, reduzido”, explica.
Um relatório do Itaú estima que a Bacia da Foz do Amazonas possa conter até 5,7 bilhões de barris de petróleo, o que elevaria em 34% as reservas do Brasil e em 58% as da Petrobras. Caso confirmado, o volume colocaria a região entre as novas fronteiras energéticas mais promissoras do país.
Segundo o Ibama, a licença de exploração de petróleo na Amazônia foi concedida após um rigoroso processo de análise ambiental, que envolveu três audiências públicas, 65 reuniões setoriais em mais de 20 municípios e vistorias técnicas nas estruturas da estatal. Mais de 400 pessoas participaram da avaliação, entre técnicos da Petrobras e do próprio instituto.
A autorização atual veio após um pedido anterior negado em 2023, o que resultou em ajustes no projeto. Entre as medidas exigidas estão a construção de um novo centro de reabilitação e despetrolização da fauna em Oiapoque (AP) e a inclusão de três embarcações de apoio ambiental para eventuais emergências. Também será realizado um simulado de resposta a vazamentos durante a perfuração.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, celebrou a decisão de exploração de petróleo na Amazônia e afirmou que a Margem Equatorial é parte do “futuro da soberania energética brasileira”.
“Fizemos uma defesa técnica e firme para que a exploração seja feita de forma responsável, dentro dos mais altos padrões internacionais. O nosso petróleo é um dos mais sustentáveis do mundo”, disse o ministro.
A Petrobras informou que a perfuração do poço começará imediatamente, com duração estimada de cinco meses. A etapa de exploração de petróleo na Amazônia é voltada exclusivamente à pesquisa — sem produção de petróleo nesta fase.
A estatal destacou que toda a operação será conduzida com segurança, responsabilidade e qualidade técnica. Se os resultados confirmarem o potencial estimado, a Margem Equatorial poderá se consolidar como uma das maiores descobertas da história recente da Petrobras, impulsionando a economia e reacendendo o debate sobre os limites entre desenvolvimento e preservação ambiental na Amazônia.