Enquanto debate fim dos fósseis, América do Sul será crucial para atender demanda global de óleo e gás

Enquanto debate fim dos fósseis, América do Sul será crucial para atender demanda global de óleo e gás
10 de novembro de 2025

Região segue na dianteira do aumento da produção fora da Opep até 2030, indica Rystad Energy

NESTA EDIÇÃO. Em meio a discussões sobre a transição para longe dos fósseis, demanda global segue robusta e América do Sul assume papel estratégico no suprimento de óleo e gás.  Petrobras terá projeto de captura e armazenamento de carbono na Bahia.  China suspende medidas de controle de exportação sobre a cadeia de terras raras e minerais críticos.  EDF Power Solutions inaugura planta piloto de hidrogênio verde em Macaé.

Enquanto debate fim dos fósseis, América do Sul será crucial para atender demanda global de óleo e gás

Em meio às discussões que ganham os holofotes esta semana na COP30, em Belém (PA), sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, no curto prazo a demanda segue robusta. E, nesse contexto, a América do Sul vai ser crucial para entregar petróleo e gás a preços competitivos para atender ao consumo global, segundo a Rystad Energy.

  • A consultoria calcula que a demanda mundial vai atingir o pico apenas no começo da próxima década, em cerca de 107 milhões de barris/dia, e que vai começar a declinar somente em 2050.

Brasil, Guiana, Suriname e Argentina vão ser responsáveis pelas maiores expansões no suprimento de petróleo e gás natural fora da Opep pelo menos até 2030.

  • Apenas este ano, a América do Sul vai acrescentar 560 mil barris/dia ao suprimento global de petróleo bruto e condensado, volume que no próximo ano deve chegar a 750 mil barris/dia.

E vem o alerta: caso não ocorram novas descobertas, na próxima década o mercado corre o risco de ver a demanda superar o crescimento da produção e de viver um cenário de inflação global, ambiente fértil para a ampliação da pobreza energética.

  • O ritmo de expansão das reservas na região vem caindo: na Guiana, por exemplo, o volume de descobertas no último ano caiu ao menor nível desde 2017.
  • O Brasil também vem tendo dificuldades em viabilizar a exploração em áreas de novas fronteiras.

É neste contexto que nasce a mensagem que o governo brasileiro quer levar à COP: o presidente Lula (PT) defendeu na sexta (6), durante o discurso de abertura da Cúpula de Líderes, que parte dos lucros do setor de petróleo devem ser direcionados para a transição energética.

  • A conferência do clima começa oficialmente hoje (10/11). No evento de aquecimento, o presidente mencionou, inclusive, a possibilidade de criação de um fundo para viabilizar essa transferência de recursos.
  • É o mesmo discurso que vem dando a tônica da defesa da exploração da região da Margem Equatorial, que avançou com a liberação do Ibama em outubro para a Petrobras perfurar um poço na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A perfuração está em curso e a expectativa é de um resultado apenas no próximo ano.

Leia mais sobre a estratégia do Brasil na diálogos da transiçãoUm pouco de óleo, um pouco de agro na agenda do Brasil para a COP30Vale lembrar que a América do Sul tem sido bem sucedida em atrair os recursos da indústria: em 2024, o investimento em exploração e produção na região atingiu US$ 46 bilhões, maior nível desde 2015.

  • Para 2025, a projeção é de um aumento de 10% em relação ao ano passado.
  • Segundo a Rystad, a região é capaz de atrair US$ 50 bilhões ao ano para essas atividades ao longo da próxima década.

CCS na Bahia. A Petrobras fechou um Termo de Cooperação com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para medição, monitoramento e verificação no projeto piloto de captura e estocagem de CO2 (CCS) em ambiente marinho raso. O valor do repasse previsto no acordo é de R$ 113,2 milhões e a parceria terá duração de três anos, podendo ser prorrogada. Projetos adiados. O diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, admitiu que a companhia pode postergar investimentos a depender do cenário da cotação do barril de petróleo. Enquanto isso, barril segue em queda. O petróleo fechou em alta na sexta (7/11), mas acumulou perdas na semana, pressionado por sinais de excesso de oferta e pela decisão da Arábia Saudita de reduzir preços de venda.

  • O Brent para janeiro avançou 0,4% (US$ 0,35), a US$ 63,63 o barril. Na semana, o Brent recuou 1,76%.

Licitação de navios. A Transpetro, braço de transporte da Petrobras, lançou na sexta (7), uma licitação de lote único que prevê a contratação de quatro novos navios de médio porte da classe MR1 (Medium Range), com 40 mil toneladas de porte bruto, destinados ao transporte de petróleo e derivados pela costa brasileira.Opinião: Regulamento institui um regime jurídico próprio para a aquisição de bens e serviços destinados aos consórcios operados pela Petrobras, escrevem, respectivamente, a sócia e a associada de Direito Público e Assuntos Governamentais do CMA, Carolina Caiado e Carolina Pazzoti.PCC adultera combustíveis. A Polícia Civil do Piauí identificou que uma rede de postos ligada ao PCC pode ter utilizado fórmulas químicas elaboradas para expandir a adulteração de combustíveis na região Norte e Nordeste. A descoberta ocorreu durante a Operação Carbono Oculto 86.Enquanto CV ameaça energia em Belém. O governo federal determinou que a PF investigue ameaças de ataques do Comando Vermelho contra a Subestação Belém-Marituba, no Pará, uma das principais infraestruturas elétricas da capital paraense. As ameaças ocorreram às vésperas da COP30.Marco para minerais críticos na semana da COP. O relator do PL 2780/2024, deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), afirmou que apresentará sua proposta esta semana ao Colégio de Líderes da Câmara dos Deputados. A data coincide com o início da COP30 em Belém.

  • Segundo o deputado, a proposta é ter critérios e não uma lista de minerais que receberão incentivos.

Controle de terras raras. O governo chinês suspendeu até 10 de novembro de 2026 uma série de medidas de controle de exportação sobre a cadeia de terras raras e de minerais e insumos críticos. As regras agora congeladas previam licença obrigatória para exportar equipamentos de separação, refino e sinterização usados no setor.R$ 68 bi para o clima. Relatório do Climate Policy Initiative (CPI) estima que os investimentos em ações climáticas no Brasil mais do que dobraram desde 2019, alcançando US$ 67,8 bilhões em 2023.

  • A alta foi impulsionada pelos setores de energia e de Agropecuária, Florestas e Outros Usos da Terra (AFOLU).

Pronto para voar. A produção comercial de Sustainable Aviation Fuel (SAF), produzido pela rota de coprocessamento, marca um novo capítulo na transição energética justa do país. Leia na Coluna do GautoReforma judicial do RenovaBio. O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) defendeu a constitucionalidade dos trechos da Lei do Renovabio contestados pelo PRD e pelo PDT. O ministro afirmou que os partidos tentam estender ao STF debates próprios aos poderes Legislativo e Executivo.Expansão das renováveis. Dezenove usinas entraram em operação em outubro deste ano no Brasil, aumentando em 643,46 MW a potência de geração elétrica do país, segundo a Aneel.

  • Do total, 13 são solares fotovoltaicas, três são eólicas, duas são pequenas centrais hidrelétricas e uma é termelétrica.

Piloto de hidrogênio em Macaé. A EDF Power Solutions inaugurou sua a primeira planta piloto de hidrogênio verde no Brasil, na UTE Norte Fluminense. O projeto contou com investimento de R$ 4,5 milhões e vai produzir 18 m3 por dia, usando eletricidade de painéis solares.O fantasma da adicionalidade. O mesmo Nordeste que desponta como a principal fronteira para o hidrogênio verde no Brasil — com dezenas de projetos anunciados e investimentos estimados em mais de R$ 110 bilhões a partir de 2029 —  tem governadores e parlamentares apoiando uma medida que pode colocar em risco a competitividade dessa nova indústria. Leia na coluna Hidrogênio em FocoCemig. O governo de Minas Gerais incluiu a participação societária do estado na Cemig entre os ativos que serão utilizados para amortização da dívida pública estadual junto à União. A adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Precatórios (Propag) seria na modalidade que estabelece o abatimento no limite máximo de 20% do saldo devedor.Revisão das transportadoras. Ao aprovar o novo plano de ação para a revisão tarifária das transportadoras de gás natural, a ANP deu uma importante sinalização sobre como pretende tratar os novos investimentos na malha de gasodutos.

  • Na prática, a agência decidiu que só vai incorporar, nas receitas das transportadoras, projetos novos já autorizados, o que adia o impacto tarifário de investimentos de ao menos R$ 3 bilhões.

Opinião: Vale refletir sobre o que a cadeia de gás natural espera da COP30, especialmente diante do papel que o Brasil pode exercer nesse debate global, escrevem a diretora executiva do IBP, Sylvie D’Apote, e a consultora Daniela Santos. 

Fonte: Eixos.com.
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