Empresa brasileira fecha fábrica, demite 200 de uma vez e escancara colapso do setor químico com impostos abusivos, estireno estrangeiro sem tarifa e gás da Petrobras a preço impraticável

Empresa brasileira fecha fábrica, demite 200 de uma vez e escancara colapso do setor químico com impostos abusivos, estireno estrangeiro sem tarifa e gás da Petrobras a preço impraticável
12 de janeiro de 2026

Por Alisson Ficher

Fechamento de unidade industrial em Cubatão amplia impacto econômico, provoca demissões e expõe dificuldades estruturais da indústria química brasileira, pressionada por custos tributários, concorrência internacional e preços de insumos considerados inviáveis por empresas e representantes do setor.

Unigel paralisou as atividades de sua fábrica em Cubatão, no litoral de São Paulo, e o fechamento resultou na dispensa de trabalhadores ligados direta e indiretamente à operação.

O Sindicato dos Químicos da Baixada Santista informou que o impacto atinge cerca de 200 pessoas, enquanto outras estimativas divulgadas na região apontam um número menor de empregos diretos e terceirizados ligados à planta.

Em nota, a empresa confirmou a interrupção da produção e afirmou que o cenário econômico tornou a continuidade insustentável.

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A unidade, instalada em um dos mais tradicionais polos industriais do país, produzia insumos como estireno e tolueno, integrando uma cadeia relevante da indústria química nacional.

Com a linha parada, Cubatão perde mais uma atividade de peso na cadeia química e petroquímica, com reflexos esperados sobre fornecedores, prestadores de serviço e a arrecadação local.

O encerramento reforça a redução gradual de operações industriais em um município historicamente associado à atividade fabril.

Comunicado oficial da Unigel sobre a paralisação

No posicionamento divulgado, a Unigel afirmou que a decisão foi tomada diante do quadro econômico que afeta a indústria química, classificado pela companhia como um ciclo de baixa no setor.

Segundo a empresa, esse cenário inviabilizou a continuidade das operações nas condições atuais.

A companhia declarou que os próximos passos incluem a execução de procedimentos para interromper as atividades de forma segura, mantendo os padrões de proteção ambiental e de segurança industrial.

O comunicado também menciona a condução do processo em diálogo com empregados e entidades representativas.

A Unigel afirmou que cumprirá a legislação trabalhista e ambiental, mas não detalhou prazos para o encerramento operacional.

Também não houve indicação pública sobre eventual retomada da planta no curto prazo.

Sindicato aponta impostos e importações como fatores centrais

O presidente do Sindicato dos Químicos da região, Herbert Passos, confirmou o encerramento das atividades e relacionou o fechamento a uma combinação de fatores que vem pressionando o setor há meses.

Segundo ele, a Unigel já enfrentava dificuldades financeiras e buscava uma reorganização administrativa que não avançou.

Entre os principais entraves citados pelo dirigente está a alta carga tributária sobre produtos químicos, problema que, segundo o sindicato, afeta diversas empresas do segmento.

Outro ponto destacado foi a ausência de tarifa de importação sobre o estireno, principal produto associado à planta de Cubatão.

“O estireno importado entra no país a um preço muito mais baixo do que conseguimos produzir aqui, o que inviabiliza totalmente a operação”, afirmou Passos.

Ele também mencionou o fim de regimes especiais de incentivo que, no passado, ajudavam a sustentar a competitividade da indústria nacional.

Concorrência externa e custos logísticos no Porto de Santos

Na avaliação do sindicato, o ambiente tributário paulista agrava ainda mais o cenário para a produção local.

Passos citou o ICMS elevado em São Paulo como um dos principais obstáculos à manutenção das fábricas.

Outro fator mencionado foi a entrada de produtos sem imposto pelo Porto de Santos, o que amplia a concorrência com mercadorias importadas.

“O ICMS elevado em São Paulo e a entrada de produtos sem imposto pelo Porto de Santos tornam o cenário ainda mais difícil”, disse o dirigente.

Segundo ele, essa combinação compromete a viabilidade econômica de unidades industriais instaladas na região da Baixada Santista.

Reflexos da crise no setor de fertilizantes

O fechamento da unidade em Cubatão ocorre em um momento de dificuldades mais amplas na indústria química brasileira.

De acordo com o sindicato, a crise também atinge o segmento de fertilizantes, área em que a Unigel já figurou entre as maiores produtoras do país.

Passos afirmou que o alto custo da matéria-prima fornecida pela Petrobras, especialmente o gás natural, foi determinante para o fechamento de unidades no Nordeste.

Segundo ele, os preços praticados tornaram diversas operações economicamente inviáveis.

O dirigente acrescentou que esse cenário contribuiu para o encerramento de várias fábricas no Brasil ao longo do último ano, afetando a capacidade produtiva nacional do setor.

Impacto no emprego e na economia da Baixada Santista

A paralisação da fábrica atinge um setor historicamente relevante para o desenvolvimento industrial de Cubatão.

Além das demissões diretas, há expectativa de impacto significativo sobre empregos indiretos e serviços associados à operação da planta.

Contratos de manutenção, logística e atividades especializadas tendem a ser reduzidos ou encerrados.

Representantes locais também apontam perda de dinamismo econômico em um polo que, por décadas, concentrou investimentos e mão de obra qualificada.

Trabalhadores com formação técnica passam a disputar vagas em um mercado mais restrito, enquanto empresas terceirizadas podem buscar contratos fora da cidade para compensar a queda de demanda.

Sindicato e empresa convergem ao afirmar que a operação se tornou insustentável nas condições atuais, embora apresentem leituras distintas sobre as causas.

Enquanto a entidade sindical atribui o fechamento a impostos, custos e concorrência internacional, a Unigel aponta o cenário econômico do setor como decisivo.

Com a fábrica fechada e os efeitos já perceptíveis na região, como o polo industrial de Cubatão e o poder público vão reagir para evitar novos fechamentos?

Fonte: Click Petróleo e Gás.
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