Por Alisson Ficher
A Unigel paralisou as atividades de sua fábrica em Cubatão, no litoral de São Paulo, e o fechamento resultou na dispensa de trabalhadores ligados direta e indiretamente à operação.
O Sindicato dos Químicos da Baixada Santista informou que o impacto atinge cerca de 200 pessoas, enquanto outras estimativas divulgadas na região apontam um número menor de empregos diretos e terceirizados ligados à planta.
Em nota, a empresa confirmou a interrupção da produção e afirmou que o cenário econômico tornou a continuidade insustentável.
A unidade, instalada em um dos mais tradicionais polos industriais do país, produzia insumos como estireno e tolueno, integrando uma cadeia relevante da indústria química nacional.
Com a linha parada, Cubatão perde mais uma atividade de peso na cadeia química e petroquímica, com reflexos esperados sobre fornecedores, prestadores de serviço e a arrecadação local.
O encerramento reforça a redução gradual de operações industriais em um município historicamente associado à atividade fabril.
No posicionamento divulgado, a Unigel afirmou que a decisão foi tomada diante do quadro econômico que afeta a indústria química, classificado pela companhia como um ciclo de baixa no setor.
Segundo a empresa, esse cenário inviabilizou a continuidade das operações nas condições atuais.
A companhia declarou que os próximos passos incluem a execução de procedimentos para interromper as atividades de forma segura, mantendo os padrões de proteção ambiental e de segurança industrial.

O comunicado também menciona a condução do processo em diálogo com empregados e entidades representativas.
A Unigel afirmou que cumprirá a legislação trabalhista e ambiental, mas não detalhou prazos para o encerramento operacional.
Também não houve indicação pública sobre eventual retomada da planta no curto prazo.
O presidente do Sindicato dos Químicos da região, Herbert Passos, confirmou o encerramento das atividades e relacionou o fechamento a uma combinação de fatores que vem pressionando o setor há meses.
Segundo ele, a Unigel já enfrentava dificuldades financeiras e buscava uma reorganização administrativa que não avançou.
Entre os principais entraves citados pelo dirigente está a alta carga tributária sobre produtos químicos, problema que, segundo o sindicato, afeta diversas empresas do segmento.
Outro ponto destacado foi a ausência de tarifa de importação sobre o estireno, principal produto associado à planta de Cubatão.
“O estireno importado entra no país a um preço muito mais baixo do que conseguimos produzir aqui, o que inviabiliza totalmente a operação”, afirmou Passos.
Ele também mencionou o fim de regimes especiais de incentivo que, no passado, ajudavam a sustentar a competitividade da indústria nacional.
Na avaliação do sindicato, o ambiente tributário paulista agrava ainda mais o cenário para a produção local.
Passos citou o ICMS elevado em São Paulo como um dos principais obstáculos à manutenção das fábricas.
Outro fator mencionado foi a entrada de produtos sem imposto pelo Porto de Santos, o que amplia a concorrência com mercadorias importadas.
“O ICMS elevado em São Paulo e a entrada de produtos sem imposto pelo Porto de Santos tornam o cenário ainda mais difícil”, disse o dirigente.
Segundo ele, essa combinação compromete a viabilidade econômica de unidades industriais instaladas na região da Baixada Santista.
O fechamento da unidade em Cubatão ocorre em um momento de dificuldades mais amplas na indústria química brasileira.
De acordo com o sindicato, a crise também atinge o segmento de fertilizantes, área em que a Unigel já figurou entre as maiores produtoras do país.
Passos afirmou que o alto custo da matéria-prima fornecida pela Petrobras, especialmente o gás natural, foi determinante para o fechamento de unidades no Nordeste.
Segundo ele, os preços praticados tornaram diversas operações economicamente inviáveis.
O dirigente acrescentou que esse cenário contribuiu para o encerramento de várias fábricas no Brasil ao longo do último ano, afetando a capacidade produtiva nacional do setor.
A paralisação da fábrica atinge um setor historicamente relevante para o desenvolvimento industrial de Cubatão.
Além das demissões diretas, há expectativa de impacto significativo sobre empregos indiretos e serviços associados à operação da planta.
Contratos de manutenção, logística e atividades especializadas tendem a ser reduzidos ou encerrados.
Representantes locais também apontam perda de dinamismo econômico em um polo que, por décadas, concentrou investimentos e mão de obra qualificada.
Trabalhadores com formação técnica passam a disputar vagas em um mercado mais restrito, enquanto empresas terceirizadas podem buscar contratos fora da cidade para compensar a queda de demanda.
Sindicato e empresa convergem ao afirmar que a operação se tornou insustentável nas condições atuais, embora apresentem leituras distintas sobre as causas.
Enquanto a entidade sindical atribui o fechamento a impostos, custos e concorrência internacional, a Unigel aponta o cenário econômico do setor como decisivo.
Com a fábrica fechada e os efeitos já perceptíveis na região, como o polo industrial de Cubatão e o poder público vão reagir para evitar novos fechamentos?