Por Machado da Costa
A novela envolvendo a compra da Brava Energia pela colombiana Ecopetrol entrou na reta final na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Depois de ter a Oferta Pública de Aquisição (OPA) suspensa pela área técnica do regulador por prever tratamento assimétrico entre os acionistas, a estatal colombiana redesenhou a operação para tentar salvar o negócio bilionário.
O ajuste veio no preço. A Ecopetrol aceitou pagar R$ 24,00 por ação a todos os investidores, elevando em R$ 1,00 a proposta inicialmente destinada aos minoritários, de R$ 23,00, e igualando o valor ao acertado com o bloco de controle.
A mudança tenta responder à principal preocupação levantada dentro da autarquia: a existência de condições econômicas diferentes entre acionistas de uma mesma companhia.
Mas a nova estrutura ainda preserva uma diferença relevante na forma de saída. Os controladores venderão 100% de suas participações por meio de contrato privado, enquanto os minoritários terão acesso apenas à OPA parcial. Caso a adesão supere o limite da oferta, o rateio proporcional ficará restrito aos investidores fora do bloco de controle.
Na prática, a Ecopetrol corrigiu a assimetria de preço, mas manteve uma assimetria de execução.
O processo já passou pelas etapas técnicas da CVM e está pronto para julgamento pelo colegiado. A expectativa no mercado é que o caso seja apreciado a qualquer momento até sexta-feira, em reunião extraordinária, ou, no limite, na sessão ordinária da próxima terça-feira.
A decisão do xerife do mercado de capitais dirá se a equalização do preço será suficiente para destravar a operação ou se a tentativa da Ecopetrol de contornar o impasse abrirá um novo capítulo na disputa pela Brava.