A demanda brasileira por embarcações de suprimento de plataforma (PSVs) atingiu um pico de 140 anos-embarcação em 2025, impulsionada por novos desenvolvimentos offshore e diárias elevadas. O levantamento é da Rystad Energy, escrito pelos especialistas de Cadeia de Suprimentos Victor Claro e Einar Michel. Segundo a consultoria, esse cenário levou armadores a mobilizarem unidades de bandeira estrangeira para o Brasil. Contudo, segundo a empresa, a adição de embarcações no ano passado foi menor do que nos anos anteriores, sinalizando uma possível estabilização da demanda por embarcações de alta especificação. Para este ano, espera-se que a oferta de PSVs no mercado brasileiro recue levemente e permaneça estável até 2030, com perspectivas mais favoráveis para armadores com unidades mais novas, de alta especificação e forte presença local, seja por meio de frotas domésticas ou parcerias.
Segundo os cálculos da Rystad, o Brasil registrou 69 mobilizações de entrada e 24 saídas de PSVs entre 2021 e 2025 — um aumento líquido acumulado de 45 embarcações. A atividade de entrada foi particularmente forte entre 2022 e 2024, em linha com um crescimento robusto da demanda de 10% ao ano. O ano passado marcou um ponto de inflexão, com a entrada líquida caindo para seis embarcações, o menor crescimento no período. Isso coincidiu com o pico da demanda por PSVs no Brasil, com expectativa de queda para 132 anos-embarcação neste ano e estabilidade na segunda metade da década. Mesmo com a redução, o Brasil permanece como o terceiro maior mercado de PSVs do mundo, atrás apenas do Mar do Norte (167 anos-embarcação) e do Golfo da América (152 anos-embarcação).
“Os últimos cinco anos de crescimento contínuo da oferta estiveram associados a investimentos robustos no offshore, especialmente nos campos do pré-sal, com 14 unidades de produção, armazenamento e transferência (FPSOs) iniciando operações no período. Esse crescimento também evidencia a influência estrutural da Petrobras, responsável por cerca de 80% da atividade do mercado de PSVs, o que significa que as decisões de contratação e o cronograma de projetos da principal operadora do país impactam diretamente a dinâmica da frota”, apontou a Rystad.
A empresa indicou ainda que a demanda também vem crescendo entre outras operadoras no Brasil, ampliando as oportunidades para os armadores. A PRIO foi a segunda maior operadora em atividade de PSVs no ano passado, com a integração do campo de Peregrino, seguida pelos esforços de revitalização da Perenco e pela logística da Equinor para o início da operação do FPSO Bacalhau. Ao mesmo tempo, a concorrência de mercados vizinhos, especialmente Guiana e Suriname, vem oferecendo alternativas de alocação para embarcações de alta especificação na América do Sul.
A consultoria avalia que a estabilização do crescimento da demanda por PSVs no Brasil, combinada com o foco das operadoras em eficiência de custos, está criando um ambiente mais desafiador para armadores que buscam alocar tonelagem excedente de outras regiões no país sem pressionar os níveis atuais de diárias. Como se espera uma redução gradual da demanda por PSVs na maioria das bacias offshore, há poucos mercados alternativos evidentes para onde direcionar embarcações sem contratos firmes.
A análise da Rystad lembrou que PSVs estrangeiros podem ser trazidos ao Brasil para apoiar atividades offshore, mas sua participação em licitações historicamente foi mais restrita do que a das embarcações locais. Na prática, unidades estrangeiras enfrentam maior risco de substituição por embarcações de bandeira brasileira durante os contratos, tornando a entrada direta menos simples.
Acontece que o chamado o Registro Especial Brasileiro (REB) tem se tornado um mecanismo importante para ampliar a disponibilidade de frota. De forma geral, o REB permite que empresas com tonelagem brasileira elegível tragam embarcações estrangeiras para operar sob bandeira brasileira, reduzindo algumas das barreiras tradicionalmente associadas à entrada estrangeira.
“Dados operacionais mostram o crescimento do papel das embarcações de bandeira estrangeira. Com o aumento da demanda, as unidades locais passaram a não atender todas as especificações exigidas, tornando necessária a mobilização de embarcações de outros mercados. A atividade das embarcações de bandeira brasileira está estável desde 2023, enquanto as unidades que chegam têm atendido ao crescimento da demanda. Em 2021, embarcações estrangeiras praticamente não tinham participação, mas no ano passado passaram a representar cerca de 20% do mercado, vindas de países como Estados Unidos, Noruega, México, Ilha de Man, Libéria e Reino Unido“, concluiu a Rystad.