A digitalização e a busca pela maior eficiência operacional vão marcar o cenário da indústria de óleo e gás deste ano. Um dos principais vetores de transformação do setor será o uso de inteligência artificial (IA) e inteligência artificial generativa (GenAI). A análise consta no estudo global “2026 Oil & Gas Outlook”, divulgado nesta semana pela Deloitte. Nesse contexto, as empresas buscam eficiência operacional, apostando sobretudo em avanços tecnológicos. As empresas que já vinham apostando nessas tecnologias, inclusive no Brasil, passam a focar os investimentos em resultados operacionais práticos, conforme analisa o estudo.
“Agora, a prioridade é ver soluções de IA e GenAI se materializarem em aplicações, integradas ao dia a dia das operações, com ganhos claros de produtividade, redução de tempo, melhoria da tomada de decisão e aumento da efetividade dos ativos”, explica o sócio-líder para o setor de energia da Deloitte, Luiz Rubião.
Na visão da Deloitte, o uso da IA e GenAI pode ainda ser alavancado por meio de políticas públicas e apoio em investimentos. O relatório aponta que o Brasil ainda precisa coordenar esforços para intensificar o uso dessas tecnologias. “Enquanto nos Estados Unidos os investimentos ocorrem de forma estruturada e em escala, no Brasil eles ainda são majoritariamente isolados, conduzidos empresa a empresa, com iniciativas conjuntas e colaborativas ocorrendo ainda de forma tímida”, afirma a Deloitte.
Com ativos envelhecendo e margens pressionadas, a performance de ativos se consolida como um tema central para as companhias brasileiras. Assim, cresce a necessidade de adotar operações digitalmente habilitadas, capazes de antecipar falhas, reduzir paradas não programadas e proteger a rentabilidade. Experiências internacionais mostram que o uso da manutenção preditiva e prescritiva, com sensores inteligentes, drones, robótica para inspeções automatizadas e análises em tempo real, pode reduzir significativamente falhas em equipamentos e gerar economias relevantes.
“As primeiras empresas que adotaram esses sistemas relataram até 40% menos falhas de equipamento e economias anuais de US$ 10 milhões, conforme o estudo da Deloitte. Assim, a adoção dessas tecnologias se torna um diferencial competitivo em um cenário de crescimento mais lento da produção”, destacou a consultoria.
O relatório indica ainda que a transformação digital avança para além dos ativos físicos. Plataformas digitais apoiadas por IA permitem acelerar o treinamento, a retenção de conhecimento e o engajamento de uma força de trabalho majoritariamente técnica e mecânica. Ao mesmo tempo, a ampliação da conectividade em áreas remotas, como operações offshore, viabiliza o uso de dados em tempo real e centros de controle integrados, elevando a confiabilidade operacional.
“A adoção acelerada de tecnologias digitais e a busca por escala podem impulsionar movimentos de consolidação e novas parcerias entre empresas de energia, tecnologia e outros setores. Para o Brasil, o equilíbrio entre eficiência operacional, inovação tecnológica e avanço consistente na agenda de combustíveis renováveis será decisivo para manter a competitividade”, destacou Rubião.
Outra tendência global para o setor de petróleo e gás, com grande potencial para o Brasil, é o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis. Diante da instabilidade do cenário internacional, da volatilidade de preços e da pressão pela descarbonização do planeta, o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis tornou-se estratégico para a resiliência do setor de petróleo e gás.
“Ao investir em alternativas como biocombustíveis, as empresas ampliam seu portfólio energético, reduzem riscos associados à dependência exclusiva de fósseis, criam novas fontes de receita, possibilitam adaptação gradual e segura à transição energética e fortalecem sua licença social para operar”, concluiu Rubião.