Crise no Oriente Médio faz gás natural na Europa atingir maior preço desde 2022, com entregas de GNL 80% menores e estoques no nível mais baixo desde 2009

Crise no Oriente Médio faz gás natural na Europa atingir maior preço desde 2022, com entregas de GNL 80% menores e estoques no nível mais baixo desde 2009
26 de outubro de 2026

Por Romário Pereira de Carvalho

Preço do gás europeu chega a € 97,19 por MWh, enquanto conflitos no Oriente Médio prejudicam embarques, estoques caem ao menor nível para outubro desde 2009 e aumentam as preocupações com o inverno

O preço do gás natural na Europa voltou a subir nesta segunda-feira e alcançou o maior patamar desde 2022. A alta ocorre em meio às interrupções no fornecimento do Oriente Médio e à redução dos estoques europeus antes do inverno.

Gás natural na Europa sobe 3,6% e alcança € 97,19 por MWh

O contrato futuro holandês TTF, principal referência para o preço do gás natural na Europa, avançou 3,6%, chegando a € 97,19 por megawatt-hora (MWh).

Esse foi o maior valor registrado em quase quatro anos. O movimento marcou ainda a quarta sessão consecutiva de valorização, ampliando a pressão sobre o mercado europeu de  energia.

No Reino Unido, os contratos futuros NBP também avançaram. A alta foi de 3,7%, levando o preço a 239,33 pence por termia, nível que não era observado desde 2022.

O movimento já vinha ganhando força. Na semana anterior, os contratos holandeses acumularam valorização de quase 7%, enquanto os britânicos subiram mais de 6%.

A preocupação é com a disponibilidade de gás para atender à demanda europeia, principalmente diante das dificuldades no transporte internacional e da aproximação do período de maior consumo.

Crise no Oriente Médio afeta transporte de gás e pressiona preços

Um dos principais motivos da disparada está nas interrupções do transporte de gás natural liquefeito (GNL) no Oriente Médio.

O conflito na região trouxe novas preocupações após relatos de ataques de drones e mísseis dos Houthis contra instalações de transporte e energia da Arábia Saudita, incluindo estruturas em Dammam e Shaybah.

As tensões também atingem o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas utilizadas para transportar  petróleo e gás produzidos no Golfo Pérsico.

As restrições à circulação de navios nessa região prejudicam os embarques e aumentam a incerteza sobre os prazos de entrega.

Segundo os dados de mercado apresentados, as entregas de GNL do Oriente Médio para a Europa estão aproximadamente 80% abaixo dos níveis registrados um ano antes.

Parte dessa redução está relacionada às interrupções marítimas e ao desvio de embarcações pelo Cabo da Boa Esperança.

Esse caminho aumenta o tempo de viagem. Na prática, os navios demoram mais para entregar suas cargas e realizar novos transportes.

Estoques europeus estão em 74,6%, menor nível para outubro desde 2009

Outro fator que preocupa o mercado é a quantidade de gás armazenada na União Europeia.

Os reservatórios subterrâneos do bloco estão com aproximadamente 74,6% da capacidade preenchida, conforme os dados apresentados.

Esse percentual representa o menor nível de armazenamento para o final de outubro desde 2009.

A situação chama atenção porque o inverno está chegando. Durante os meses mais frios, o consumo de gás aumenta, principalmente por causa do aquecimento de residências e estabelecimentos.

Alguns países europeus já começaram a retirar gás dos reservatórios subterrâneos devido à queda das temperaturas.

Com os estoques menores, a Europa fica com menos gás armazenado para compensar eventuais interrupções nas importações ou aumentos inesperados do consumo.

Europa disputa cargas de gás com a Ásia enquanto negociações continuam

Além das interrupções no Oriente Médio, compradores europeus enfrentam concorrência de países asiáticos pelos carregamentos disponíveis de GNL.

A disputa envolve principalmente cargas da Bacia do Atlântico que ainda não estão comprometidas por contratos de longo prazo.

Quando vários compradores procuram o mesmo produto, os preços oferecidos para garantir os carregamentos podem aumentar.

Enquanto isso, mediadores do Catar teriam viajado a Teerã para discutir com autoridades iranianas possíveis medidas de redução das tensões, em coordenação com Washington.

Até o momento descrito, porém, não havia acordo confirmado para normalizar a navegação na região.

O encarecimento do gás também pode atingir a geração de eletricidade, os custos industriais e as contas de energia das famílias europeias.

Os mercados acompanham ainda possíveis reflexos sobre a inflação e as decisões de juros do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra.

A evolução dos preços dependerá principalmente da retomada dos embarques, da disponibilidade de fornecedores alternativos e do consumo durante o inverno.

Dados e informações: Advfn.

Fonte: Click Petróleo e Gás.
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