Os preços do gás na Ásia e Europa decolaram diante da disseminação do conflito no Oriente Médio, com a interrupção quase total da navegação pelo Estreito de Ormuz e a paralisação da produção de gás natural liquefeito (GNL) depois dos ataques iranianos às principais instalações produtivas do Catar, em Ras Laffan.
A situação traz o fantasma de uma repetição de 2022, quando o fluxo de gás russo para a Europa foi reduzido enquanto Moscou se preparava para atacar a Ucrânia (e, depois, com o invasão de fato), desencadeando uma alta de preços que abalou as economias da região.
Em volume absoluto, este choque poderia ser pior do que em 2022. No caso da Rússia, houve uma perda anual de 80 bilhões de metros cúbicos de suprimento anual do país, em comparação às remessas de 120 bilhões de metros cúbicos que poderiam deixar de sair do Oriente Médio com o virtual fechamento do Estreito de Ormuz e a paralisação de dois campos de gás israelenses.
Tudo depende, entretanto, de quanto tempo essas interrupções vão durar. Um conflito prolongado poderia ter um “efeito comparável” ao da guerra da Ucrânia, segundo Natasha Fielding, da firma de dados e inteligência de mercado Argus Media, mas “se isto for uma interrupção temporária, de uma semana, então, não haveria comparação com o momento divisor de águas que foi 2022”.
Embora as cotações do gás tenham subido quase 80% na Europa desde a sexta-feira, o aumento do MWh, para cerca de € 57, é um desdobramento modesto se comparado ao patamar atingido em 2022, de € 343 por MWh.
Ainda assim, o cenário preocupa tendo em vista que o Oriente Médio é uma importante região produtora de gás e o Catar é a força dominante. Como há relativamente poucos gasodutos, a grande maioria é exportada na forma de GNL em navios especializados. O Catar tornou-se o segundo maior fornecedor mundial de GNL, com cerca de 20% da oferta mundial.
Embora represente apenas entre 7% e 8% da oferta mundial total de gás, o GNL é uma fonte marginal crucial em muitos países e, portanto, age na formação dos preços.