Capacidade global de liquefação de gás natural deve triplicar até 2030

Capacidade global de liquefação de gás natural deve triplicar até 2030
31 de julho de 2025

As unidades flutuantes de liquefação de gás natural (FLNG) estão ganhando espaço no mercado global de GNL, com a capacidade prevista para triplicar até 2030, segundo levantamento da Rystad Energy. Antes limitados por desafios técnicos e operacionais, os projetos de FLNG agora atingem taxas de utilização comparáveis às de terminais em terra. Com o aumento da demanda por GNL e a viabilidade crescente de campos de gás menores, as FLNG surge como uma solução mais rápida, flexível e econômica, capaz de se adaptar à dinâmica do mercado e viabilizar reservas anteriormente inacessíveis.

A Rystad estima que a capacidade global de FLNG alcance 42 milhões de toneladas por ano (Mtpa) até 2030, chegando a 55 Mtpa em 2035 — quase quatro vezes os 14,1 Mtpa registrados em 2024. Os terminais comissionados antes de 2024 atingiram uma taxa média de utilização de 86,5% naquele ano e de 76% até agora em 2025, números comparáveis aos das instalações terrestres de GNL.

O FLNG avançou muito em menos de uma década. Os únicos entraves reais foram os problemas iniciais comuns a qualquer nova tecnologia, como visto no projeto Prelude da Shell, que enfrentou estouros de custo e produção instável. Mas desde então, o setor amadureceu significativamente — incluindo o próprio Prelude. As taxas de utilização estão melhorando, a tecnologia tem se mostrado confiável em diferentes ambientes e a economia começa a fazer mais sentido. De superar desafios regulatórios no Canadá a viabilizar reservas offshore remotas na África e Ásia, o FLNG está finalmente se tornando uma solução mainstream”, afirma o vice-presidente de Pesquisa em Gás e GNL da Rystad Energy, Kaushal Ramesh.

Sem modelos anteriores a seguir, projetos pioneiros como o Prelude, da Shell — construído na Coreia do Sul pelo consórcio Technip–Samsung — se tornaram exemplos negativos das limitações iniciais do FLNG. Os custos chegaram a US$ 2.114 por tonelada apenas para a liquefação. No entanto, com o ganho de experiência em construção e operação, o capex por tonelada caiu significativamente, aproximando-se dos níveis de terminais terrestres.

Os projetos propostos na costa do Golfo dos EUA hoje têm média de cerca de US$ 1.054 por tonelada. O projeto Delfin FLNG, nos EUA, está um pouco acima dessa média, com US$ 1.134 por tonelada, enquanto o Coral South FLNG, em Moçambique — de escala semelhante —, apresenta um custo comparável de US$ 1.062 por tonelada. Ainda assim, os conceitos de projeto variam: alguns incluem produção integrada com componentes de upstream, enquanto outros apenas liquefazem gás com especificações de gasoduto.

Paralelamente, desenvolvedores de FLNG vêm recorrendo cada vez mais à conversão de embarcações como alternativa de menor custo às construções novas. Projetos como o Tortue/Ahmeyim FLNG, o Cameroon FLNG e o FLNG MK II da Southern Energy atingiram níveis de capex significativamente menores — US$ 640, US$ 500 e US$ 630 por tonelada, respectivamente — ao reaproveitarem navios LNG do tipo Moss. Esses navios têm tanques esféricos modulares que facilitam a integração de módulos de liquefação pré-fabricados. Com a expectativa de aposentadoria de várias embarcações desse tipo nos próximos anos, há espaço para ampliar a oferta de soluções FLNG de baixo custo.

As unidades FLNG também vêm demonstrando flexibilidade operacional em diferentes ambientes — de águas profundas a ultraprofundas, e até em operações com fornecimento onshore. Caso um projeto seja interrompido, a embarcação pode ser realocada ou vendida, evidenciando a mobilidade e adaptabilidade inerentes a esse tipo de ativo.

Fonte: Petronotícias.
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