Por Lorena Marcelino e Gabriela Ruddy
A recuperação aprimorada de campos existentes e maduros ainda vai desempenhar um papel importante no atendimento à demanda por petróleo no futuro, na visão do CEO da Society of Petroleum Engineers International (SPE), Simon Seaton. Segundo ele, além dessas áreas, o Brasil também precisa contar com novas fronteiras exploratórias para manter a atual posição como um grande produtor.
Atualmente, o setor de óleo e gás defende uma regulação mais flexível para incentivar a recuperação de campos maduros.
Seaton considera que ainda existe um potencial significativo do pré-sal e que novas tecnologias serão centrais para a extensão da exploração e produção nessa região.
“O pré-sal continua sendo um dos ativos de energia mais importantes do Brasil (…) Descobertas futuras podem requerer um processamento de imagens e tecnologias de perfuração e de reservatório mais avançadas, mas é exatamente nisso que o Brasil tem mostrado liderança global”, disse em entrevista à agência eixos.
Segundo o CEO, novas fronteiras exploratórias também serão importantes para sustentar a longo prazo a posição do Brasil como um dos países capazes de atrair investimentos para a indústria offshore.
“O essencial é garantir um caminho regulatório que seja previsível e transparente para as companhias planejarem e investirem com confiança”, afirmou.
No momento, a principal aposta do Brasil em regiões de nova fronteira está na Margem Equatorial. No ano passado, a Petrobras obteve a licença ambiental do Ibama para perfurar o primeiro poço em águas profundas na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, depois de anos de discussão.
“A Petrobras vai continuar sendo um player central, mas companhias globais estão observando com atenção conforme novas áreas avançam e a regulamentação fica mais transparente”, disse Seaton.
Ele lembra que a previsibilidade no processo de licenciamento é crítica para a chegada de mais investimentos internacionais ao país.
Na competição por investimentos na América Latina, o executivo acredita que há mercado para todos os países produtores de petróleo na região.
No entanto, ressalta que os dois principais fatores para investimentos são regras previsíveis e estabilidade de longo prazo.
“Na América Latina, os países que atraem mais investimentos serão os que combinarem a existência de recursos com normas transparentes e a confiança de que os projetos podem ser entregues”, afirmou.
Na visão dele, o atual ambiente de altos preços não será suficiente para viabilizar novos projetos na região se as condições não forem favoráveis.
“Altos preços de petróleo podem apoiar investimento, mas o preço por si só não é o suficiente. Companhias procuram também estabilidade regulatória, cronogramas de projetos, infraestrutura, termos fiscais e demanda de longo prazo”, disse.
O preço do petróleo disparou em fevereiro, após o início do conflito no Oriente Médio entre EUA, Israel e Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, onde passa cerca de 20% da produção de petróleo do mundo.