Brasil vai precisar de mais 19 GW de térmicas flexíveis até 2035, prevê EPE

Brasil vai precisar de mais 19 GW de térmicas flexíveis até 2035, prevê EPE
16 de fevereiro de 2026

Planejamento inclui desde novas usinas à modernização de térmicas existentes, mas pode ter de ser recalibrado

Por André Ramalho

O sistema elétrico brasileiro vai precisar de uma expansão da ordem de 19 GW de termelétricas flexíveis até 2035, indica o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), colocado em consulta pública nesta quinta-feira (12/2).

planejamento inclui desde novas usinas à modernização de térmicas existentes em fim de contrato – e que, segundo o estudo, devem contribuir com 7,3 GW nos próximos dez anos.

O PDE, que é usado para orientar políticas públicas, indica, ainda, a expansão de 9,6 GW de térmicas flexíveis até 2031, horizonte de contratação dos próximos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs).

A efetiva necessidade de contratação nos próximos certames, porém, ainda não foi publicada.

Marcados para março, os LRCAPs de 2026 voltaram à prancheta do Ministério de Minas e Energia (MME) esta semana. A pasta está refazendo os cálculos dos preços-teto, após a reação do mercado aos valores inicialmente definidos.

Demanda por térmicas pode ser recalibrada

O cenário de contratação de capacidade para atendimento à demanda por potência, no entanto, pode mudar.

Tudo vai depender da definição, no Congresso Nacional, sobre a continuidade ou não dos leilões das térmicas a gás natural locacionais – chamadas assim porque a lei de privatização da Eletrobras (14.182/2021) exigia a contratação dessas usinas em regiões pré-determinadas, dentro de uma política de expansão da infraestrutura de gasodutos.

Com a aprovação da MP 1304/2025, no fim do ano passado, no entanto, o governo chegou a emplacar uma emenda que permite ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) limitar a contratação dessas térmicas “à necessidade identificada pelo planejamento setorial, a partir de critérios técnicos e econômicos”.

O futuro das térmicas locacionais está, hoje, pendente da análise de vetos à lei das eólicas offshore. A ver como vai se desenrolar a contratação dessas usinas — o que, de certa forma, pode influenciar na calibragem da demanda por potência.

EPE projeta ganhos com resposta da demanda

Além da contratação de térmicas flexíveis, o PDE 2035 contabiliza, pela primeira vez, os ganhos do mecanismo de resposta da demanda como solução para atendimento dos requisitos de capacidade.

A previsão da EPE é que o instrumento alcance um potencial de 3,3 GW ao final do horizonte decenal.

O estudo cita ainda, como opções viáveis para prover os requisitos de operação do sistema, as tecnologias de armazenamento – em especial hidrelétricas reversíveis e baterias de íons de lítio.

A EPE projeta que o armazenamento possa contribuir, em 2028, com uma expansão de pouco mais de 600 MW, chegando a 6,6 GW em 2035.

Fonte: Eixos.com.
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