Por Paulo Emílio
A produção de petróleo e gás na Bacia de Campos registrou o melhor desempenho para um primeiro trimestre dos últimos cinco anos. Entre janeiro e março de 2026, a produção média alcançou 893,8 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), crescimento de 13,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Play Video
Segundo o G1, a segunda edição do Boletim do Setor de Óleo e Gás do Norte Fluminense, elaborado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), destaca que o avanço reflete a retomada dos investimentos da Petrobras em exploração e produção iniciada em 2023.
O instituto destaca que a mudança de estratégia da estatal, marcada pelo fim da política de desinvestimentos e pela retomada da aquisição de ativos considerados estratégicos, já produz efeitos concretos sobre os indicadores da Bacia de Campos.
A Bacia de Campos responde atualmente por 16,8% da produção nacional de petróleo e gás, mantendo posição de destaque na matriz energética brasileira e na economia do país.
Além do crescimento da produção, o setor segue como um dos principais motores da geração de empregos no Norte Fluminense. De acordo com o auxiliar de pesquisa do Ineep, Lucas Peçanha, aproximadamente 37 mil postos de trabalho diretos e indiretos estão ligados à atividade nos municípios da área de influência da bacia.
“No primeiro trimestre de 2026, o setor de óleo e gás apresentou cerca de 37 mil postos de trabalho, diretos e indiretos, nos municípios que fazem confronto com a Bacia de Campos. Esses dados fazem com que o setor se consolide como um dos setores que mais geram emprego na região”, afirmou.
O pesquisador também ressaltou que, em 2025, a remuneração média dos trabalhadores do setor offshore foi de aproximadamente R$ 17 mil. Segundo ele, essa renda movimenta a economia regional por meio do consumo, da arrecadação de tributos e da circulação de recursos nos municípios produtores.
Outro dado destacado pelo boletim é a retomada da exploração de novas áreas. Em 2025, a Petrobras perfurou cinco poços exploratórios na Bacia de Campos, o maior número registrado desde 2011. Segundo o Ineep, essas campanhas resultaram na descoberta de novos reservatórios no pré-sal e no pós-sal, fortalecendo o potencial produtivo da região.
O levantamento também mostra que a produção do pré-sal na Bacia de Campos aumentou 46,1% em um ano, ampliando as perspectivas de expansão da atividade petrolífera e da vida útil da província.
Apesar dos resultados positivos, o Ineep avalia que a continuidade desse crescimento dependerá da manutenção dos investimentos.
O instituto destaca que o Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras adiou para depois de 2030 a contratação das plataformas previstas para os projetos estruturantes de revitalização da Bacia de Campos. Além disso, dos 11 poços exploratórios planejados para as bacias do Sudeste nos próximos cinco anos, apenas cinco deverão ser perfurados na região.
Na avaliação do Ineep, acelerar os projetos de revitalização, ampliar a aquisição de novas áreas exploratórias e intensificar a busca por novos reservatórios são medidas fundamentais para manter a produção, recompor reservas e assegurar a continuidade da geração de empregos, renda e arrecadação nos municípios do Norte Fluminense.