FONTE: Valor Econômico.
Com 34 blocos arrematados, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) encerrou a sessão pública do 5º ciclo da oferta permanente de concessão perto das 12h45 desta terça-feira (17). No total, a reguladora registrou bônus total de R$ 989,2 milhões no certame e R$ 1,4 bilhão em investimentos previstos. O leilão teve nove empresas ofertantes e ágio de bônus de 534,47%.
Ao fim da sessão pública, a ANP reabriu o recebimento de ofertas pelos blocos não arrematados, mas não recebeu manifestações. A Bacia da Foz do Amazonas foi o destaque do leilão e ofertava 47 blocos marinhos em quatro setores, mas foram arrematadas 19 áreas. O leilão, que é o ponto alto do 5º ciclo, oferta 172 blocos de petróleo em cinco bacias: Parecis, Foz do Amazonas, Potiguar, Santos e Pelotas.
O consórcio formado por Chevron (50%) e CNPC (50%) levou três blocos. Já o consórcio entre ExxonMobil (50%) e Petrobras (50%), arrematou outras cinco áreas. Segundo a ANP, o ágio ofertado do setor correspondeu a 691,1% em relação ao preço inicial.
Outro setor, SFZA-M-AP1, com dois blocos, não recebeu ofertas de interessadas. Na bacia Potiguar, que ofertava um setor com 16 blocos, nenhuma empresa apresentou oferta.
Bacia de Santos
Shell Brasil e Karoon Brasil arremataram três dos cinco blocos do setor SS-AUP4, na Bacia de Santos. A Shell levou um bloco e a Karoon, dois.
Segundo a ANP, o ágio ofertado nos três blocos do setor correspondeu a 33,06% em relação ao preço inicial, totalizando R$ 19,94 milhões. Dos 54 blocos da Bacia de Santos, foram arrematados 11 blocos.
Bacia de Pelotas
O consórcio formado por Petrobras (70%) e Petrogal (30%) arrematou três dos oito blocos do setor SP-AUP3, na Bacia de Pelotas, por R$ 11,46 milhões. O valor total dos bônus correspondeu a ofertas sem ágio em relação ao preço inicial.
O bloco terrestre SP-AP3, localizado na Bacia de Pelotas, não recebeu ofertas de empresas que participam da sessão pública. A Bacia do Parecis ofertava 34 blocos marinhos em dois setores, mas apenas três receberam ofertas, e o setor SP-AP3 englobava 19 áreas.
Do total de 172 blocos, 34 áreas já foram arrematadas, o que correspondeu a cerca de 20% do total ofertado. Até o momento, o bônus de assinatura acumulado é de R$ 989,26 milhões.
A comissão do leilão da ANP reabriu recebimento de ofertas de áreas não arrematadas no certame.
Bloco terrestre
A Dillianz arrematou, nesta terça-feira (17), o bloco terrestre PRC-T-121, localizado no setor SPRC-L, na Bacia do Parecis por R$ R$ 55 mil. O valor correspondeu a um ágio de 10% em relação ao preço inicial de R$ 50 mil. O negócio também ocorreu no âmbito da sessão pública do 5º ciclo da oferta permanente de concessão.
Já os 12 blocos do setor SPRC-O não receberam ofertas. Ainda serão oferecidos blocos do setor SFZA-AP2, na Bacia da Foz do Amazonas. A Bacia do Parecis, com potencial de exploração e produção de gás natural, ofertava 21 blocos terrestres em dois setores.
Foco em novas fronteiras petrolíferas
A diretora-geral interina da ANP, Patrícia Baran, disse, nesta terça, que o foco do leilão de blocos de petróleo, está em áreas de novas fronteiras petrolíferas, como as localizadas nas bacias da Foz do Amazonas e Pelotas.
O certame ocorre em hotel na zona oeste do Rio de Janeiro. Baran, na abertura do leilão, destacou que a principal característica da rodada é a oferta de áreas sem atividade prévia de produção.
“Embora o pré-sal permaneça como o principal polo de produção no Brasil, está previsto declínio a partir de 2030, logo, Foz do Amazonas e Pelotas surgem como novos potenciais de produção”, disse Baran.
Na entrada do hotel, houve protesto contra o certame, especialmente pela oferta de 47 blocos na Bacia da Foz do Amazonas e 16 blocos na Bacia Potiguar.
O leilão ocorre sob a expectativa de judicialização. Três ações judiciais foram impetradas na Justiça contra a realização da rodada: uma do Ministério Público Federal no Pará, outra do Instituto Arayara e uma terceira da Federação Única dos Petroleiros, em conjunto com a Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro).