Após ultimato da ANP, conselho da NTS aprova investimentos críticos para abastecimento de gás natural

Após ultimato da ANP, conselho da NTS aprova investimentos críticos para abastecimento de gás natural
15 de janeiro de 2026

A NTS anunciou a decisão final de investimento na Estação de Compressão de Japeri e no Ponto de Recebimento de Raia no RJ

Por Gustavo Gaudarde

O conselho de administração da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) aprovou, na quarta (14/1), a decisão final de investimento para os dois projetos críticos da expansão da oferta de gás natural produzido no pré-sal.

São eles: a Estação de Compressão em Japeri (Corredor Pré-sal) e o Ponto de Recebimento de Raia, em Macaé, ambos no Rio de Janeiro.

A decisão foi tomada dois meses após um ultimato da diretoria Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) para Ecomp Japeri. Sem uma decisão da NTS, a agência iria abrir uma concorrência para outra transportadora de gás disputar o investimento.

A Ecomp Japeri, de 25 milhões de m³/dia, é necessária para ampliar a transferência de gás natural do Rio para São Paulo (Rotas 2 e 3) e despachar mais combustível em direção a região Sul, elevando esta capacidade de 12,5 milhões de m³/d para 20 milhões de m³/d. O Rota 3, de 18 milhões de m³/dia, entrou em operação em 2025.

A estação está prevista para 2029, com atraso em razão da disputa pela remuneração do ativo. A NTS buscava blindar a taxa de retorno e pedia um valor superior ao calculado pelos técnicos da agência. Em novembro, a diretoria decidiu que manteria sua proposta, que acabou aceita pela transportadora.

A conexão de Raia, por sua vez, vai permitir a injeção de até 16 milhões de m³/dia de gás natural do pré-sal na malha de transporte. O campo no pré-sal é operado pela Equinor, em sociedade com a Petrobras, além de se tratar do único novo gasoduto previsto nas bacias petrolíferas do Sudeste (Campos e Santos). A produção está prevista para 2028.

Concorrência prevista na Lei do Gás

O transporte é um monopólio natural, com tarifas reguladas pela ANP. A Lei do Gás, de 2021, buscou simplificar as autorizações de construção, eliminando a necessidade de realização de leilões de concessão. Os investimentos, contudo, são pagos pelos usuários da malha e precisam ser aprovados pela agência.

Na decisão de novembro, a ANP recorreu, pela primeira vez, ao mecanismo de contestação previsto na Lei do Gás, que permite que outros transportadores manifestem interesse em construir o mesmo ativo. Se houver mais de um interessado, a agência deve realizar um processo seletivo público.

O impasse entre ANP e NTS girava em torno da taxa de remuneração do investimento. A ANP propôs um WACC real de 7,47% ao ano, enquanto a NTS queria 8,24%, além de uma blindagem da taxa durante todo o período de amortização.

A ANP rejeitou o pedido, afirmando que não há previsão regulatória para tal e manteve sua proposta de 7,47%.

A Ecomp Japeri é uma infraestrutura crítica para compensar a queda do gás boliviano e garantir o abastecimento nacional. O atraso preocupa o setor elétrico e já foi tema do CMSE em 2025. 

“Os projetos são estratégicos para a segurança energética nacional e fazem parte do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal”, afirmou a NTS, em comunicado ao mercado.

Fonte: Eixos.com.
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