Por Gabriela Ruddy
Petrobras confirma indícios na Foz do Amazonas e sinaliza para necessidade de continuidade da campanha exploratória. Governo publica diretrizes para combate a fraudes no mercado de combustíveis. Regulamentação do CCS vai na contramão dos modelos adotados internacionalmente e pode elevar o risco econômico dos projetos, indicam especialistas. Antaq adota medidas preventivas para estiagem na Amazônia.
Nas falas iniciais após o anúncio na sexta (14/8) dos primeiros indícios de hidrocarbonetos em águas profundas na Bacia da Foz do Amazonas na costa do Amapá pela Petrobras, a presidente da estatal, Magda Chambriard, reforçou que é necessário seguir com a campanha exploratória na região para delimitar o tamanho da reserva e elaborar um plano de desenvolvimento.
A Petrobras identificou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), no bloco FZA-M-59, localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros.
Em participação no energy talks da agência eixos no ano passado, Chambriard já havia destacado que seria necessário ter cerca de seis ou sete perfurações na região.
A Bacia da Foz do Amazonas é a grande aposta para a continuidade da produção brasileira após o declínio do pré-sal, na próxima década. A exploração na região começou após um controverso processo de licenciamento.
Essa primeira perfuração foi marcada por um incidente em janeiro que resultou na interrupção da atividade por mais de um mês, após o vazamento de 18.440 litros de fluido de perfuração.
O anúncio da primeira descoberta ocorreu justamente no final de semana que marca o início da campanha eleitoral no país.
Combate a fraudes. O governo federal publicou no Diário Oficial da União de sexta (14/8) a Resolução CNPE 10/2026, que define as diretrizes para o combate a fraudes no mercado de combustíveis. O texto estabelece o fortalecimento da fiscalização pela ANP como de interesse da Política Energética Nacional, com doze diretrizes a serem seguidas. Brasil e México. O presidente Lula fez uma videoconferência com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, na quinta-feira (13). Segundo nota divulgada pela Secom, os dois trataram sobre o avanço das relaçõesentre a Petrobras e a petrolífera mexicana Pemex.
Preço do petróleo. Sem novos desdobramentos na agenda diplomática, os preços registraram alta moderada na sexta (14/8), com novas ameaças econômicas dos Estados Unidos ao Irã e ataques dos houthis contra a Arábia Saudita.
Subvenção da gasolina e GLP. A Petrobras recebeu R$ 536,7 milhões referentes às subvenções da gasolina e do gás liquefeito de petróleo (GLP). Com isso, o total acumulado recebido pela estatal até sexta (14) soma R$ 6,9 bilhões.Volatilidade no gás. O mecanismo de pisos e tetos nos preços do gás adotado pela petroleira contou com ampla adesão das distribuidoras e concorrentes da estatal também começam a oferecer a solução no mercado livre. Veja os detalhes na gas week:
Decreto do CCS. A decisão do governo federal de manter com as empresas, por tempo indefinido, a responsabilidade por riscos e danos associados aos reservatórios de CO2 vai na contramão dos modelos adotados internacionalmente e pode elevar o risco econômico dos projetos de captura e armazenamento de carbono no Brasil.
Empréstimo verde. O Senado aprovou, na última semana, autorização para que o Banco de Desenvolvimento de Minas Geraistome emprestado do BID US$ 100 milhões com a garantia da União.
Biometano com Fundo Clima. O grupo Solvíinaugurou na quinta (13/8) uma usina de biometano com capacidade de produção diária de 36.744 metros cúbicos em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS).
Taxa de Seca. A Antaq reforçou medidas preventivas para ampliar a capacidade de resposta do setor diante de eventuais restrições provocadas pela estiagem na Região Amazônica. As ações envolvem planejamento, fiscalização e preparação de alternativas operacionais para reduzir impactos no transporte de passageiros e cargas. Mineração em terra indígena. O STF confirmou prazo de 24 meses para o Congresso aprovar uma lei e regulamentar a participação de indígenas na exploração mineral legal de seu território. O tribunal referendou uma decisão individual do ministro Flávio Dino, reconhecendo a omissão constitucional do Legislativo.