FONTE: Eixos.com.
RIO – A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai retomar este ano a discussão sobre a proposta de um programa de redução da concentração do mercado de gás natural (o gas release). A relatoria ficará com a diretora substituta Mariana Cavadinha.
A ANP espera concluir o assunto até o fim de 2026. O novo prazo está na agenda regulatória 2025-2026 (.pdf), aprovada pelos diretores na semana passada (veja mais detalhes sobre a agenda do gás abaixo).
A Lei do Gás, de 2021, atribuiu ao regulador a competência de acompanhar o mercado e, a seu exclusivo critério, adotar medidas para promover a efetiva concorrência nos diversos elos da indústria — desde que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) seja consultado.
Na sequência, em 2022, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reforçou o gas release como uma das diretrizes da transição para um mercado concorrencial.
A ANP chegou a publicar uma nota técnica, com o diagnóstico da concentração do mercado de gás no Brasil. Apontou, na ocasião, que houve avanços com a liberação de capacidade na malha de transporte e início do processamento do gás de terceiros nas UPGNs, mas que os ganhos até então ainda representavam “uma redução pequena, se não marginal”, da participação de mercado da Petrobras.
Este ano, o MME voltou a patrocinar a discussão sobre o gas release; e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) concluiu um estudo (veja na íntegra, em .pdf) com experiências internacionais sobre o tema.
Tarifas de gasodutos e biometano nas prioridades
Dentre as entregas previstas para este ano, a ANP colocou, entre as prioridades da agenda, a conclusão das regulamentações sobre:
No caso da regulamentação do acesso às infraestruturas essenciais, a ANP optou por segmentar o item: vai se debruçar primeiro, este ano, sobre as regras para terminais de gás natural liquefeito (GNL) e resolução de conflitos.
A previsão é que a regulamentação do acesso aos gasodutos de escoamento e unidades de processamento (UPGNs), por sua vez, seja concluída até maio de 2026.
O governo corre contra o tempo para viabilizar o 1º leilão de gás da União em 2025. E Silveira pauta o debate sobre a “remuneração justa e adequada” dos sistemas de escoamento e processamento num momento em que a PPSA trava uma negociação com a Petrobras pela redução desses custos de acesso aos ativos.
O que fica para os próximos anos
A expectativa da ANP é concluir em 2026, também, a regulamentação de critérios para definição de tarifas setoriais diferenciadas (relatoria de Symone Araújo)
É um desdobramento da discussão sobre os critérios de cálculo das tarifas de transporte. A ANP aproveitou o embalo da consulta prévia sobre a revisão dos critérios de cálculo das tarifas dos gasodutos de transporte (Resolução 15/2014) para introduzir um debate sobre a criação de tarifas diferenciadas.
E decidiu consultar o mercado sobre demandas de diferentes agentes, para concessão de descontos para instalações de estocagem subterrânea de gás; tarifação diferenciada para termelétricas; e a criação da tarifa de transporte de curta distância (o short haul).
A previsão é concluir essa regulamentação em outubro do ano que vem.
Outras entregas previstas para 2026 são:
Já para 2027 estão previstas as conclusões das discussões sobre:
A regulamentação ANP para autorização do exercício das atividades de importação e exportação de gás fica para 2028, sob relatoria de Daniel Maia.
Diretora substituta relata maior parte da agenda
A maioria dos itens da agenda do gás está sob relatoria de Cavadinha, diretora interina cujo mandato se encerra em julho. A partir de então, o seu substituto assumirá as pautas atribuídas a ela.
Cavadinha assumiu no início do ano a diretoria 4, que está sem um titular com mandato fixo desde a saída do diretor Cláudio Jorge de Souza, em dezembro de 2023. Desde então, Luiz Henrique Bispo, Patrícia Baran e Bruno Caselli exerceram a função.
O governo já enviou ao Senado os nomes de Artur Watt e Pietro Mendes para assumirem, respectivamente, a diretoria-geral e a diretoria 4. Ambos ainda precisam passar pela sabatina dos senadores.
Esta é também a última agenda a ser tocada pela atual composição da diretoria colegiada da ANP:
Com a desvinculação das áreas técnicas, os relatores dos processos passaram a ser definidos por sorteio. Há, contudo, exceções, na forma de regras de transição.
ANP tira alguns itens do radar
Quatro itens da agenda regulatória anterior saíram do radar e entraram no repositório de ações regulatórias da agência. São eles as regulamentações sobre: