Anderson Adauto propõe agenda do gás para enfrentar crise dos fosfatados

Anderson Adauto propõe agenda do gás para enfrentar crise dos fosfatados
11 de maio de 2026

Fechamento de unidades da Mosaic em Patrocínio e Araxá acende alerta para risco de retração da indústria de fosfatados e amplia preocupação com a segurança do agronegócio brasileiro e a produção de alimentos

Por Marconi Lima

A crise dos fertilizantes no Brasil ganhou novos contornos e se aprofunda em um momento de forte demanda global por alimentos, evidenciando fragilidades estruturais que vão além da dependência externa e atingem diretamente a segurança produtiva do agronegócio. Nesse cenário, o ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto, apresentou uma nota técnica à Casa Civil com propostas para enfrentar o problema, defendendo uma atuação mais incisiva do governo federal para estruturar soluções de médio e longo prazo.

O tema já é tratado como prioridade pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que instituiu um grupo de trabalho envolvendo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A iniciativa busca respostas diante de um quadro que se agravou com instabilidades geopolíticas recentes, como a guerra no Leste Europeu e tensões no Oriente Médio, que impactaram as cadeias globais de insumos.

O diagnóstico central aponta para uma crise em expansão, com destaque para o segmento de fertilizantes fosfatados. Diferentemente de outros nutrientes, os fosfatados enfrentam obstáculos estruturais mais complexos no Brasil, como a limitada oferta de insumos estratégicos — especialmente o ácido sulfúrico — o que torna sua produção doméstica um desafio de longo prazo ainda sem solução consolidada.

Esse gargalo amplia a vulnerabilidade do país e pressiona custos no campo. O cenário já começa a se materializar na indústria: a Mosaic, uma das principais produtoras de fosfatados no país, anunciou recentemente o fechamento e a hibernação de unidades no Brasil – Araxá e Patrocínio em MG, e Paranaguá, no PR -, citando perda de competitividade e custos elevados. “O movimento acende um alerta adicional ao indicar retração da capacidade produtiva em um dos segmentos mais críticos para o agronegócio e precisamos ficar atentos para proteger a unidade de Uberaba”, avalia Anderson.

Por outro lado, a nota técnica destaca uma janela concreta de solução no médio prazo: os fertilizantes nitrogenados. Nesse caso, o Brasil possui uma vantagem competitiva relevante com o gás natural do pré-sal. O problema, no entanto, está longe de ser apenas de disponibilidade. A falta de infraestrutura adequada para escoamento, processamento e transporte, somada a distorções no preço do gás, impede que esse potencial se traduza em produção industrial competitiva.

A proposta defendida por Anderson Adauto enfatiza que a ampliação da oferta de gás e a construção de uma estrutura robusta de distribuição são pontos chave para destravar investimentos. A revisão do modelo de precificação, com mais transparência e equilíbrio regulatório, é vista como condição essencial para viabilizar novas plantas industriais e ampliar rapidamente a produção nacional de nitrogenados — uma medida capaz de reduzir de forma significativa a dependência externa.

Nesse contexto, o ex-ministro também projeta a atuação de um eventual mandato como deputado federal voltado à articulação de políticas públicas estruturantes. A ideia é integrar esforços legislativos e executivos para garantir segurança regulatória, atrair investimentos e consolidar o gás natural como eixo estratégico da política nacional de fertilizantes.

Enquanto os desafios envolvendo fosfatados e potássio exigem soluções mais complexas e de longo prazo, o avanço na agenda do gás surge como o caminho mais imediato e viável. A crise, que já se amplia, exige coordenação, planejamento e decisões estruturais — sob risco de comprometer não apenas a competitividade do agronegócio, mas também a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos.

Com viagem de ministro, Conselho de Política Energética adia discussão

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) teria reunião nesta semana para discutir o projeto do gás natural, considerado estratégico para ampliar investimentos e estimular a interiorização do insumo no país. No entanto, o encontro foi cancelado devido à participação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem oficial aos Estados Unidos.

Entre os temas previstos na pauta estavam medidas voltadas à política de preços do gás natural e à expansão da infraestrutura de distribuição, pontos considerados essenciais para tornar o setor mais atrativo e viabilizar novos investimentos industriais — especialmente na produção nacional de fertilizantes nitrogenados.

Fonte: JM Online.
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