FONTE: Eixos.com.
RIO — As distribuidoras estaduais de gás canalizado, representadas pela Abegás, e seus acionistas privados saíram em defesa da inclusão do gás natural como combustível de transição na Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB); e do uso do gás para geração de energia para os data centers em implementação no país.
As duas pautas fazem parte de um pacote de doze propostas prioritárias do setor, anunciada nesta segunda-feira (9/6).
A carta, que será enviada ao governo federal e aos governadores, pede o reconhecimento do gás e biometano como energias de transição nas políticas públicas.
O movimento acontece num momento em que o governo Lula (PT) prepara uma medida provisória para atrair empresas de data centers e facilitar a instalação de estruturas de processamento de dados no país.
A MP atrasou diante da crise fiscal e a proposta de criação do programa de desoneração sobre a importação de equipamentos, o Redata, deve ser mais tímida que o previsto, apurou o eixos pro, serviço de cobertura para empresas (teste grátis).
Emenda tenta garantir inclusão do gás
O governo tem sinalizado que o uso de energia renovável — solar e eólica, especialmente no Nordeste — será uma diretriz central da nova política. As distribuidoras tentam trazer o gás para dentro do programa.
Na tramitação da MP 1300/2025, da reforma do setor elétrico, o assunto apareceu numa das mais de 600 emendas à matéria.
O senador Laércio Oliveira (PP/SE) propôs emenda para considerar projetos de geração a gás para data centers como “empreendimentos estratégicos, com tratamento regulatório próprio e tributário favorecido, desde que previamente demonstrado a necessidade para a sua viabilidade”.
Na justificativa, o senador argumenta que a disponibilidade contínua e a capacidade de resposta rápida da geração a gás a tornam essencial em aplicações que exigem alta confiabilidade – como é o caso do perfil de demanda dos data centers.
Governo e Congresso discutem taxonomia verde
Em outra frente de discussão, mas que guarda correlação com o debate sobre a inclusão ou não do gás natural na política de data center, o Ministério da Fazenda se debruça sobre a Taxonomia Sustentável do Brasil (TSB).
O mecanismo deve ajudar a reorientar o financiamento e os investimentos públicos e privados para atividades econômicas com impactos ambientais, climáticos e sociais positivos.
Em paralelo, no Legislativo, o projeto de lei 5209/2023, do senador Jader Barbalho (MDB/PA) define os critérios de classificação de atividades econômicas e tecnologias com base em seus impactos ambientais, por meio da Taxonomia Verde Nacional.
A Abegás quer garantir que o gás natural não fique de fora dessa discussão.
Distribuidoras elencam 12 prioridades
Ao todo, a agenda de prioridades divulgada pela associação passa por 12 propostas para ampliar o papel do gás como energia de transição:
A carta é assinada pelas 20 distribuidoras associadas e seus respectivos acionistas investidores: Compass, Mitsui Gás, Commit (Compass/Mitsui); Norgás (Energisa/Mitsui); e Termogás.