As junior oils — empresas independentes de petróleo e gás — ficaram grandes demais e abriram espaço para sucessoras. Uma nova leva de petroleiras de pequeno porte está chegando no mercado onshore do Espírito Santo, Bahia e Rio Grande do Norte para reativar campos que nem a Petrobras nem a primeira geração de independentes conseguiram viabilizar.
A NBS Petróleo e Gás, fundada em 2022 por três ex-Petrobras com mais de duas décadas de experiência na bacia capixaba, concluiu na última semana a aquisição dos campos Mosquito e Saíra, em São Mateus, e passou a operar como concessionária.
Os campos foram adquiridos da Origem Energia, segunda maior produtora independente de gás do Brasil, que havia comprado as concessões em 2019 e optou por concentrar o portfólio no segmento de gás.
A tese da NBS parte de uma análise do ciclo do setor. A primeira geração de independentes surgiu a partir da venda de poços terrestres pela Petrobras em 2016, para empresas como a Brava (antes 3R Petroleum) e a Seacrest. Elas aproveitaram campos maduros com volume considerável de petróleo, mas que não eram rentáveis na estrutura da estatal.
Agora, essas empresas cresceram, abriram capital e estão passando para a frente os campos menores de seus portfólios, que não são mais rentáveis por conta da estrutura organizacional mais pesada. A nova geração, ainda mais enxuta, quer aproveitar cada gota de óleo.
“O que está sendo feito agora é que elas estão centralizando nos principais campos e disponibilizando os menores para empresas menores, que é o nosso caso”, disse Gelson Nico, CEO e cofundador da NBS.
A viabilidade da operação depende de custos operacionais muito abaixo dos de qualquer antecessora. O breakeven da NBS está em 20 a 25 barris por dia de produção total nos dois campos. Um volume pequeno, mas suficiente para sustentar uma empresa enxuta.
A meta é produzir o primeiro óleo daqui a 90 a 120 dias, após autorização da ANP. No médio prazo, o plano é chegar a 250 barris diários em três anos, com a reativação dos nove poços já existentes e a perfuração de um adicional.
Esses campos, apesar de classificados como maduros pela ANP, são na prática quase inexplorados. “O campo Saíra não chegou nem a 0,3% de fator de recuperação”, afirmou Nico. “É praticamente um campo novo.”
Nico e seus dois sócios têm mais de 20 anos de experiência em operações terrestres no ES, a maior parte na Petrobras e nas operadoras que vieram na sequência. A equipe menor e dedicada, segundo ele, permite analisar cada poço com mais detalhe e dimensionar intervenções com mais precisão do que grandes operadoras conseguem fazer em campos de baixa produção.
Para escoar a produção, a NBS pretende acessar o mercado via parceria com operadoras maiores que já têm contratos de exportação pelo Terminal Norte Capixaba.
“Pelo nosso volume, é mais difícil acessar diretamente um cliente de maior porte, mas é possível por meio de parcerias”, disse Nico.
A empresa captou R$ 3 milhões em capital próprio e R$ 4 milhões com investidores de São Paulo para viabilizar a aquisição. O próximo passo é obter da ANP a autorização para início de produção e reativar os poços gradualmente, com a perspectiva de ampliar o portfólio de campos que já não cabem na estrutura das “grandes” junior oils.