Por Natália Bezutti
A desaceleração dos projetos de geração solar centralizada no Brasil seguiu pressionando os resultados da WEG no segundo trimestre de 2026, mas foi compensada pelo avanço dos negócios ligados à expansão das redes elétricas e ao crescimento da demanda por infraestrutura para data centers, principalmente nos Estados Unidos.
A companhia encerrou o trimestre com lucro líquido de R$ 1,56 bilhão, queda de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado e alta de 7% frente ao primeiro trimestre de 2026. A receita operacional líquida somou R$ 10,14 bilhões, redução de 0,6% na comparação anual, enquanto o Ebitda alcançou R$ 2,21 bilhões, redução de 2,1%. A margem Ebitda ficou em 21,8%.
O principal fator para a estabilidade dos resultados foi a mudança no perfil da demanda da divisão de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD), que representou 36,8% da receita operacional líquida da companhia no segundo trimestre.
Segundo a companhia, a menor receita decorre principalmente da ausência de novos projetos de geração solar centralizada em 2026, apesar da manutenção do ritmo de negócios na geração distribuída no mercado interno.
Em contrapartida, o segmento de transmissão e distribuição, nos mercados interno e externo, continuou apresentando forte desempenho, impulsionado pelas entregas de transformadores de grande porte, subestações para projetos vencedores dos leilões de transmissão e equipamentos destinados às redes de distribuição.
No Brasil, a receita operacional líquida de GTD teve uma queda de 22,9%, chegando a R$ 1,6 milhão entre abril e junho deste ano, enquanto o mercado externo se manteve aquecido, batendo R$ 2,1 milhões no 2T26, com alta de 5,8% na comparação anual.
No mercado internacional, a expansão da infraestrutura elétrica nos Estados Unidos seguiu sustentando o crescimento da companhia.
A WEG destacou mais um trimestre de forte volume de entregas de equipamentos para reforço das redes elétricas norte-americanas, além do desempenho da Marathon, fabricante de geradores adquirida pela empresa, cuja demanda vem sendo elevada, principalmente, pelos sistemas de geração de reserva destinados a data centers.
Os data centers também apareceram como um dos principais motores da divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais, que representou 51,4% da receita da companhia no segundo trimestre de 2026.
A WEG registrou crescimento nas vendas de motores de baixa tensão, motores de alta tensão e painéis de automação, com destaque para os segmentos de óleo e gás e sistemas de ventilação e refrigeração utilizados nesses empreendimentos.
Neste segmento, a receita operacional líquida superou R$ 3,5 milhões no mercado externo (+1,9%) e R$ 1,6 milhões no interno (+16,5%) de abril a junho de 2026.
Segundo a administração, a carteira de pedidos permanece saudável, especialmente para equipamentos ligados à infraestrutura elétrica, como transformadores, geradores e compensadores síncronos, mesmo diante de um ambiente considerado desafiador para o crescimento da receita.
A companhia também ressaltou a manutenção do ritmo de expansão industrial. No segundo trimestre, investindo R$ 794,9 milhões em modernização e ampliação da capacidade produtiva.
Mais da metade dos recursos foi destinada às operações internacionais, incluindo fábricas de transformadores no México, Colômbia e Estados Unidos, além da expansão da capacidade industrial na China.
No Brasil, os investimentos seguiram concentrados na ampliação da produção de equipamentos para transmissão e distribuição e de máquinas de grande porte em Jaraguá do Sul.
A WEG ainda afirmou que continua observando crescimento de dois dígitos da receita em dólares no mercado externo, apesar do impacto da valorização do real sobre os resultados consolidados. A empresa também reiterou que mantém uma estratégia de expansão global apoiada na diversificação de produtos e mercados, buscando preservar margens operacionais acima da média da indústria mesmo em um cenário de menor demanda por projetos renováveis no Brasil.