A expressiva vitória que a Eneva obteve no leilão de reserva de capacidade traz um importante reforço ao perfil de negócios da companhia no médio prazo, embora o ciclo de investimentos mais robusto deva manter os índices de endividamento, diz a Fitch Ratings.
Os analistas Wellington Senter e Lucas Rios escrevem que a relação entre a dívida líquida e o Ebitda da companhia deve se aproximar de 4 vezes em 2026, patamar que supera a sensibilidade de 3,5 vezes estabelecida para a manutenção da nota “AAA(bra)”, devendo permanecer nesse nível até 2028.
Apesar da pressão momentânea, a agência decidiu manter a nota inalterada, considerando que, quando os projetos estiverem em plena operação, a receita fixa anualizada da companhia deve saltar de R$ 7,5 bilhões para R$ 19,2 bilhões, reduzindo as incertezas sobre o vencimento de contratos antigos.
Esse plano de expansão, que elevará a capacidade instalada da empresa em 51%, exigirá investimentos estimados em R$ 18,2 bilhões, com concentração prevista para os anos de 2028 e 2029, um acréscimo de R$ 8,2 bilhões em investimentos frente ao cenário-base anterior.
A desalavancagem financeira da Eneva só deve ocorrer de forma mais acentuada após a entrada em operação comercial dos novos hubs, entre o final de 2028 e meados de 2031, sendo que os três novos projetos têm potencial para adicionar cerca de R$ 6,5 bilhões ao Ebitda fixo da companhia.
A companhia mantém uma liquidez adequada e um cronograma de dívida alongado, contando com R$ 2,6 bilhões em caixa ao fim de 2025, montante reforçado por uma captação de R$ 2 bilhões via debêntures no início de 2026, o que garante fôlego financeiro nesta nova fase de crescimento.