Por Maria Clara Machado
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou resolução para o desenvolvimento e a contratação de Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAH), também conhecidos como hidrelétricas reversíveis, no âmbito do Sistema Interligado Nacional (SIN). O texto insere o armazenamento hidráulico como estratégico para o planejamento energético de curto, médio e longo prazo.
A resolução estabelece o uso de leilões e outros mecanismos competitivos para a contratação desses empreendimentos, com diretrizes para que os contratos “reflitam a natureza de longo prazo dos investimentos”, garantindo a viabilidade econômica dos projetos. A remuneração também deverá considerar a disponibilidade de potência e ao desempenho operacional das usinas.
A resolução foi aprovada na reunião do CNPE realizada nesta quarta-feira, 1º de abril. Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) indica que os sistemas de armazenamento hidráulico contribuem para a ampliação da oferta de potência, aumento da flexibilidade operativa e maior resiliência do sistema elétrico.
Em entrevista ao podcast MinutoMega, o secretário de Energia Elétrica do MME, João Daniel Cascalho, revelou que as reversíveis estariam entre as prioridades da pasta em 2026. No fim de 2025, estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicou que as hidrelétricas reversíveis tinham custo de manutenção menor do que os sistemas de armazenamento em baterias.
Em outra resolução, o CNPE determinou que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) faça estudos de inventário hidrelétrico para identificação e desenvolvimento de projetos com capacidade de armazenamento. A atuação da EPE terá acompanhamento da Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento, do MME.
A pasta avalia que os estudos devem contribuir para a ampliação da capacidade de armazenamento dos reservatórios brasileiros.
Os estudos deverão considerar os usos múltiplos da água, como geração de energia, irrigação, abastecimento e controle de cheias. A resolução prevê ainda a realização de eventos para promover a participação social durante o planejamento.
Compostas por dois reservatórios, as usinas reversíveis geram energia com a queda d’água, como as hídricas tradicionais. A diferença é que, quando o preço está mais baixo, um sistema bombeia a água do reservatório inferior para o superior.
Há consumo de energia neste processo, mas o benefício se explica porque o déficit ocorre quando há mais oferta, possibilitando a geração a menor custo em momentos de suprimento limitado.