Anualmente, são publicados relatórios de riscos por empresas e instituições, os quais servem de orientação para Conselhos de Administração e líderes C-Level. A primeira instituição a publicar seu Top Risks Globais é sempre a Eurasia Group e, a seguir, apresentamos nossa análise a partir dos riscos apontados pelo grupo estadunidense.
Nos próximos dias, o Fórum Econômico Mundial divulgará seu tradicional relatório de riscos globais e, novamente, traremos a nossa análise com foco no Brasil, na agenda ESG e no setor de petróleo & gás.
Boa leitura!
O Top Risks 2026 (Eurasia Group) indica que o ambiente global entra em um ciclo de instabilidade estrutural, marcado por:
Para o Brasil, país exportador de energia, alimentos e minerais críticos, esse cenário gera riscos relevantes, mas também janelas estratégicas, especialmente no debate sobre ESG, transição energética e o setor de petróleo & gás.
A “revolução política” nos EUA reduz a previsibilidade da política externa americana e tende a:
Impactos diretos para o Brasil
Implicação estratégica:
Empresas brasileiras precisam antecipar compliance ESG robusto, não apenas por convicção ambiental e social, mas como mecanismo de proteção geopolítica.
O relatório aponta que a disputa EUA × China será decidida pela infraestrutura energética, não apenas por tecnologia digital.
O que isso significa para o Brasil:
Petróleo & gás: risco ou ativo estratégico?
Leitura para o Brasil:
O petróleo & gás brasileiro, se operado com boas práticas ambientais, sociais e de governança, pode ser:
O relatório mostra que, em 2026:
Para empresas brasileiras do setor de energia como um todo (considerando toda a cadeia produtiva) ESG passa a ser:
Recomendação prática:
Migrar de ESG declaratório para ESG operacional, com:
A chamada “Doutrina Donroe” indica maior intervenção dos EUA na América Latina.
Para o Brasil:
Oportunidade brasileira:
Posicionar-se como:
Isso exige instituições fortes (ANP, Ibama, BNDES, CVM), marcos regulatórios previsíveis e adoção das melhores práticas em governança.
De outro lado, o risco de instabilidade política é crescente na América Latina, em face da querela EUA e Venezuela (ainda não tratada no relatório) e eleições para Presidente da República e Congresso no Brasil com elevada polarização, causando insegurança econômica, fiscal e jurídica.
A mensagem central do relatório é clara: O maior risco não é o conflito direto, mas o enfraquecimento das instituições que evitam conflitos.
Reflexo para empresas brasileiras:
Atenção: Governança forte = resiliência em 2026.
Quadro síntese para o Brasil

Empresas que:
Estarão mais bem posicionadas para navegar um cenário global mais instável, porém cheio de oportunidades estratégicas.
O setor de petróleo & gás brasileiro tem uma grande oportunidade de desenvolvimento e crescimento, em face da exploração da Margem Equatorial e das Bacias de Caxias, Campos e Santos, com recentes novas descobertas. No entanto, o setor precisa evidenciar (e comunicar) uma robusta e importante agenda de gestão de riscos ESG e também com ações compensatórias, em face das críticas e do forte discurso de transição energética justa.
Por Augusto Cruz, advogado, escritor, professor, mestre em Direito, Governança e Políticas Públicas, sócio da AC Consultoria, consultor do Polo SEBRAE Onshore de petróleo e gás natural. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/gugacruz/