Top Risks 2026 Eurasia Group – Análise estratégica considerando o Brasil, a agenda ESG e o setor de petróleo & gás

Top Risks 2026 Eurasia Group – Análise estratégica considerando o Brasil, a agenda ESG e o setor de petróleo & gás
7 de janeiro de 2026

Anualmente, são publicados relatórios de riscos por empresas e instituições, os quais servem de orientação para Conselhos de Administração e líderes C-Level. A primeira instituição a publicar seu Top Risks Globais é sempre a Eurasia Group e, a seguir, apresentamos nossa análise a partir dos riscos apontados pelo grupo estadunidense.

Nos próximos dias, o Fórum Econômico Mundial divulgará seu tradicional relatório de riscos globais e, novamente, traremos a nossa análise com foco no Brasil, na agenda ESG e no setor de petróleo & gás.

Boa leitura!

Introdução

O Top Risks 2026 (Eurasia Group) indica que o ambiente global entra em um ciclo de instabilidade estrutural, marcado por:

  • enfraquecimento institucional,
  • maior interferência geopolítica em cadeias produtivas,
  • fragmentação das regras multilaterais,
  • aceleração tecnológica sem governança.

Para o Brasil, país exportador de energia, alimentos e minerais críticos, esse cenário gera riscos relevantes, mas também janelas estratégicas, especialmente no debate sobre ESG, transição energética e o setor de petróleo & gás.

1. Estados Unidos instáveis e impactos para o Brasil

A “revolução política” nos EUA reduz a previsibilidade da política externa americana e tende a:

  • enfraquecer compromissos climáticos globais;
  • aumentar o uso de sanções, tarifas e coerção econômica;
  • politizar agendas ESG e ambientais.

Impactos diretos para o Brasil

  • ESG deixa de ser consenso global e passa a ser instrumento geopolítico;
  • Pressão seletiva sobre cadeias produtivas (agronegócio, mineração, óleo & gás);
  • Risco de exigências ambientais assimétricas contra países emergentes.

Implicação estratégica:

Empresas brasileiras precisam antecipar compliance ESG robusto, não apenas por convicção ambiental e social, mas como mecanismo de proteção geopolítica.

2. Energia, eletrificação e o papel do petróleo & gás brasileiro

O relatório aponta que a disputa EUA × China será decidida pela infraestrutura energética, não apenas por tecnologia digital.

O que isso significa para o Brasil:

  • O país possui uma matriz elétrica limpa, mas:
  • depende fortemente de petróleo e gás para estabilidade energética,
  • precisa ampliar investimentos em infraestrutura, armazenamento e redes.

Petróleo & gás: risco ou ativo estratégico?

  • O relatório não prevê eliminação rápida dos fósseis;
  • Pelo contrário: países com produção segura e estável ganham relevância.

Leitura para o Brasil:

O petróleo & gás brasileiro, se operado com boas práticas ambientais, sociais e de governança, pode ser:

  • um instrumento de transição energética justa;
  • fonte de financiamento para descarbonização;
  • fator de segurança energética regional e global.

3. ESG deixa de ser “agenda moral” e vira gestão de risco

O relatório mostra que, em 2026:

  • ESG perde uniformidade global;
  • países e blocos adotam critérios próprios;
  • cresce o risco de greenwashing regulatório e disputas comerciais.

Para empresas brasileiras do setor de energia como um todo (considerando toda a cadeia produtiva) ESG passa a ser:

  • ferramenta de acesso a mercados,
  • condição para financiamento,
  • critério para integração em cadeias globais.

Recomendação prática:

Migrar de ESG declaratório para ESG operacional, com:

  • rastreabilidade,
  • indicadores auditáveis,
  • gestão ativa de riscos socioambientais,
  • governança sólida da cadeia de fornecedores;
  • transparência a partir da publicação de relatórios de sustentabilidade com base em normas reconhecidas.

4. América Latina sob pressão geopolítica

A chamada “Doutrina Donroe” indica maior intervenção dos EUA na América Latina.

Para o Brasil:

  • pressão por alinhamento político: menos ideologia e mais inteligência e estratégia comercial;
  • disputas por recursos estratégicos (energia, minerais, biodiversidade);
  • risco de sanções indiretas via cadeias de suprimentos.

Oportunidade brasileira:

Posicionar-se como:

  • fornecedor confiável de energia,
  • país com governança regulatória estável,
  • polo de investimento sustentável;
  • Liderar o Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.

Isso exige instituições fortes (ANP, Ibama, BNDES, CVM), marcos regulatórios previsíveis e adoção das melhores práticas em governança.

De outro lado, o risco de instabilidade política é crescente na América Latina, em face da querela EUA e Venezuela (ainda não tratada no relatório) e eleições para Presidente da República e Congresso no Brasil com elevada polarização, causando insegurança econômica, fiscal e jurídica.

5. Risco institucional global e lições para governança corporativa

A mensagem central do relatório é clara: O maior risco não é o conflito direto, mas o enfraquecimento das instituições que evitam conflitos.

Reflexo para empresas brasileiras:

  • Governança corporativa passa a ser ativo estratégico;
  • Empresas com:
    • conselhos independentes e/ou estruturas decisórias bem definidas (empresas médias e de pequeno porte),
    • compliance estruturado,
    • políticas anticorrupção efetivas,
    • gestão de riscos climáticos e sociais tendem a resistir melhor à volatilidade global.

Atenção: Governança forte = resiliência em 2026.

Quadro síntese para o Brasil

Conclusão

Empresas que:

  • operarem com responsabilidade,
  • investirem em governança,
  • tratarem ESG como gestão de risco,
  • e alinharem energia, desenvolvimento e inclusão social

Estarão mais bem posicionadas para navegar um cenário global mais instável, porém cheio de oportunidades estratégicas.

O setor de petróleo & gás brasileiro tem uma grande oportunidade de desenvolvimento e crescimento, em face da exploração da Margem Equatorial e das Bacias de Caxias, Campos e Santos, com recentes novas descobertas. No entanto, o setor precisa evidenciar (e comunicar) uma robusta e importante agenda de gestão de riscos ESG e também com ações compensatórias, em face das críticas e do forte discurso de transição energética justa.

Por Augusto Cruz, advogado, escritor, professor, mestre em Direito, Governança e Políticas Públicas, sócio da AC Consultoria, consultor do Polo SEBRAE Onshore de petróleo e gás natural. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/gugacruz/

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