Terras Raras: novas descobertas no Brasil com concentrações no solo até 6 vezes maiores que a China

Terras Raras: novas descobertas no Brasil com concentrações no solo até 6 vezes maiores que a China
14 de agosto de 2025

A região em que a descoberta foi feita apresenta alta concentração de terras raras, com níveis até 12 vezes maiores do que os dos solos de Cuba e até seis vezes maiores em comparação aos solos chineses, afirma pesquisador

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade do Pampa (Unipampa) identificaram rochas e solos com alta concentração de elementos de terras raras (ETRs) em Caçapava do Sul, na região central do Rio Grande do Sul.

As reservas foram encontradas a partir de uma expedição de análise financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que deve seguir até dezembro de 2026.

Minérios

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Embora o termo “terras raras” possa sugerir uma presença limitada dos elementos que as compõem, elas estão presentes nas cinco regiões do país, e seus elementos existem em abundância. O “raro” vem da dificuldade na separação e refino dos minerais em óxidos, e de sua localização em áreas de difícil manejo e extração.

A pesquisa conduzida na região central do Rio Grande do Sul foi liderada pelo professor Marcelo Barcellos da Rosa, do Departamento de Química da UFSM, que encontrou rochas de carbonatito com alta concentração de terras raras, como a Picada dos Tocos, rica em elementos de terras raras (ETRs) como apatita, pirocloro, monazita-(Ce) e aeschynita-(Ce), além de nióbio e tântalo, outros dois minerais relevantes.

A UFSM coordena a coleta e análise de amostras de solo, vegetação e água, enquanto a UFRGS atua na caracterização mineralógica e geológica das rochas, e a Unipampa contribui com a identificação de áreas e análise ambiental da fauna local.

A região de Caçapava do Sul, em que a descoberta foi feita, apresenta alta concentração de terras raras, com níveis até 12 vezes maiores do que os dos solos de Cuba e até seis vezes maiores em comparação aos solos chineses, afirma à UFSM o pesquisador Lucas Mironuk Frescura. “Atualmente, já determinamos a concentração desses elementos em amostras de rocha, solo e vegetação nativa, a carqueja”, diz ele.

No Brasil, as principais reservas de terras raras estão associadas a rochas alcalinas-carbonatíticas em estados como Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Em Minas Gerais, destacam-se os municípios de Araxá, Poços de Caldas e Tapira. Em Goiás, o município de Catalão é relevante, assim como Jacupiranga e Itapirapuã, em São Paulo. Além disso, o estado do Amazonas tem depósitos em Pitinga, e Goiás é conhecido por seus depósitos em Minaçu.

O Brasil é o segundo país do mundo em concentração de terras raras, com até 23% das reservas mundiais, mas não está entre os principais produtores e exportadores, e suas iniciativas de extração são abastecidas, em sua maior parte, por capital estrangeiro.

Os ímãs permanentes feitos à base de terras raras são conhecidos por suas propriedades magnéticas superiores, com resistência a altas temperaturas e à desmagnetização. Usados em sensores de posição e velocidade, são componentes essenciais, além disso, dos motores elétricos e dispositivos eletrônicos de alta tecnologia, como discos rígidos. Também têm uso nas cadeias de energia limpa, como componentes dos geradores que captam energia eólica.

Fonte: Revista Forum.
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