Terras raras: nova disputa da transição energética pode colocar o Brasil em posição de protagonismo, aponta relatório da XP

Terras raras: nova disputa da transição energética pode colocar o Brasil em posição de protagonismo, aponta relatório da XP
2 de março de 2026

Essenciais para carros elétricos, turbinas eólicas e tecnologias digitais, minerais críticos podem acelerar a descarbonização

Por Nilson Cortinhas

Indispensável para conter o aquecimento do planeta, a transição energética global depende cada vez mais de um grupo de minerais que hoje atravessam cadeias industriais, estratégias diplomáticas e disputas econômicas internacionais: as terras raras.

Presentes em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, celulares, data centers e sistemas de defesa, esses elementos metálicos se tornaram insumos estratégicos da economia de baixo carbono. Ao mesmo tempo, o avanço acelerado da eletrificação e das energias renováveis transformou o acesso a esses minerais em questão de segurança energética. Nesse contexto, países com grandes reservas minerais saem na frente ou deveriam “sair”.

De acordo com relatório recente da XP sobre o mercado internacional de terras raras, o Brasil detém cerca de 20% das reservas mundiais, mas ainda participa de forma marginal da produção global e permanece praticamente ausente das etapas industriais de maior valor agregado.

O poder econômico das terras raras se concentra nas etapas posteriores da cadeia produtiva — separação química, refino, produção metálica e fabricação de ímãs permanentes — responsáveis por abastecer indústrias de alta tecnologia.

Hoje, essas fases continuam amplamente concentradas na Ásia, sobretudo, na China.

O resultado é um padrão recorrente na história econômica brasileira: abundância geológica combinada à exportação de matéria-prima, enquanto o conhecimento tecnológico e o maior valor econômico permanecem no exterior. O país possui disponibilidade mineral, mas ainda enfrenta um déficit de execução industrial.

Barreiras industriais

A reorganização das cadeias globais ocorre em meio à tentativa de Estados Unidos e Europa de reduzir a dependência da China, que atualmente responde por cerca de 70% da produção mundial e controla mais de 90% do refino e da fabricação de ímãs — etapa considerada crítica para setores como energia limpa, defesa e tecnologia digital.

Para o head de Mineração e Siderurgia da XP, Lucas Laghi, o Brasil reúne condições naturais para assumir papel relevante nesse novo cenário, contudo, lida com entraves estruturais.

“Devido à relevância estratégica de segmentos intensivos no uso de terras raras, como o setor de defesa, e dada a concentração de oferta na China, o Brasil acaba estando bem-posicionado para se beneficiar dos esforços globais de diversificação”, afirma.

Segundo ele, transformar reservas em liderança industrial exige superar obstáculos históricos.

“Existem desafios importantes, como um ambiente regulatório ainda pouco desenvolvido, prazos longos relacionados à aprovação de licenças ambientais e investimentos ainda limitados em mapeamento geológico e exploração mineral”.

Atualmente, governos tratam terras raras como tema de segurança nacional, financiando projetos minerários e industriais em países aliados para garantir autonomia tecnológica e estabilidade de suprimento.

Fonte: Um Só Planeta.
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