Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, o setor de celulose mantém monitoramento constante dos desdobramentos geopolíticos. Segundo Beto Abreu, presidente da Suzano, a companhia intensificou seus mecanismos de acompanhamento. “O Comitê de crise passou a fazer parte da rotina”, afirmou o executivo, nesta terça-feira, 7, durante evento do Bradesco BBI, em São Paulo.
Ao analisar o cenário internacional, Abreu também destacou mudanças estruturais no mercado, especialmente na China. O avanço da integração, processo em que fabricantes de papel passam a produzir sua própria celulose, tem alterado a dinâmica de oferta e demanda no longo prazo. Ainda assim, o executivo avalia que a diferença de competitividade entre a indústria sul-americana e a chinesa segue significativa.
“Vejo a integração acontecer numa velocidade maior, mas não vejo uma competitividade sólida no curto prazo. A China ainda depende muito de importação de madeira, e esse ainda é um mercado pouco consolidado”, disse.
Em relação aos custos com energia, o presidente da Suzano afirmou que a companhia está protegida contra oscilações no curto prazo. Segundo ele, 100% do combustível e do gás estavam “hedeados” [protegidos]. “Não tivemos impacto de caixa no negócio, vai ter no Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização], mas teremos a compensação financeira”, afirmou.