Solar, baterias e infraestrutura de recarga: a combinação que deve redefinir o setor energético

Solar, baterias e infraestrutura de recarga: a combinação que deve redefinir o setor energético
20 de abril de 2026

Assunto foi abordado por Bernardo Marangon durante sua participação no Latam Mobility 2026

Por Caique Amorim

O avanço da integração entre geração solar, sistemas de armazenamento (BESS) e infraestrutura de recarga para veículos elétricos foi destacado como um dos principais vetores da próxima fase de crescimento do setor energético no Brasil, durante o Latam Mobility 2026.

O tema foi abordado por Bernardo Marangon, sócio do Grupo Canal Solar, durante sua participação no evento. Segundo o executivo, a convergência dessas soluções deve redefinir a dinâmica do setor elétrico nos próximos anos.

Para o executivo, enquanto o mercado de energia solar entra em um momento de crescimento mais estável após anos de expansão acelerada, a eletromobilidade surge como uma nova frente de desenvolvimento, apesar da atual limitação da infraestrutura elétrica.

“Os principais desafios estão relacionados à infraestrutura. Como que esses veículos serão carregados, seja eles dentro de casa, seja ele na rua através das estações de carregamento? Nas redes de distribuição, já vemos hoje que a capacidade das distribuidoras para carregar ônibus, por exemplo, ainda é limitada”, afirmou.

De acordo com Marangon, isso aponta que a expansão da rede de distribuição não tem acompanhado (na mesma velocidade), o aumento da demanda por recarga, especialmente em grandes centros urbanos.

“A capacidade da distribuidora em carregar ônibus é limitada. Muitas vezes, ampliar a tensão em cidades como São Paulo é difícil, porque não há potência disponível”, explicou.

Nesse contexto, Marangon reforça que os sistemas de armazenamento de energia, mais conhecidos como BESS, ganham protagonismo como solução estratégica para viabilizar o crescimento da mobilidade elétrica sem depender exclusivamente da expansão da rede.

“Eu tenho a visão de que todas as vagas vão ter um carregador, seja em garagens de ônibus ou em condomínios. Isso pode se tornar um problema de demanda, e a solução está no BESS, porque a distribuidora não vai ter capacidade de ampliar a rede na velocidade que precisamos”, disse.

Oportunidade para integradoresAlém de aliviar a demanda sobre o sistema elétrico, Marangon ressaltou que o BESS também amplia o escopo de atuação dos integradores, permitindo o acesso a novos perfis de consumidores.

Nessas aplicações, o armazenamento pode atuar tanto em conjunto com sistemas fotovoltaicos residenciais, otimizando o uso da energia gerada, quanto no suporte ao carregamento de veículos elétricos, agregando flexibilidade e autonomia ao consumo energético.

Outro fator que tende a acelerar esse movimento é o ecossistema já consolidado da energia solar no Brasil. Marangon aponta que integradores e fornecedores têm migrado rapidamente para esse novo mercado, com empresas que antes atuavam na comercialização de módulos e inversores passando a oferecer também estações de recarga.

Por fim, o sócio do Canal Solar também destacou o potencial de tecnologias como o V2G (vehicle-to-grid), que permitem utilizar a bateria dos veículos elétricos como fonte de energia, reforçando a tendência de integração entre geração, armazenamento e consumo.

 

Fonte: Canal Solar.
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