Sinal locacional deve ser levado em conta na instalação de data centers, afirma CEO da Engie Brasil

Sinal locacional deve ser levado em conta na instalação de data centers, afirma CEO da Engie Brasil
25 de junho de 2025

Medida incentivaria implantação de data centers próximos à geração

FONTE: Eixos.com.

BRASÍLIA — O CEO da Engie Brasil, Eduardo Sattamini, defendeu que os sinais locacionais sejam levados em conta durante a implementação de projetos de data centers.

A fala ocorreu durante a abertura do Engie Day, evento promovido pela empresa no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (23/6).

O sinal locacional é um incentivo à implantação da demanda de energia próxima à geração, para evitar maiores custos de transmissão e indisponibilidade de redes. Esse sinal tem um reflexo nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão. Quanto maior a distância entre as usinas e o empreendimento, maior a taxa.

O governo prepara uma medida provisória para incentivar a implementação de data centers no Brasil e aproveitar o potencial das fontes eólica e solar.

O estímulo ao consumo, a exemplo de setores como data centers, é uma saída para a sobreoferta de energia elétrica, na visão do executivo.

Segundo Sattamini, a medida poderia ser importante para mitigar os prejuízos causados pelos cortes de geração (curtailment), mas ele defendeu que é necessário levar em conta as localidades onde há melhor infraestrutura de transmissão.

“Acreditamos que devemos promover o crescimento econômico, promover a demanda através de outros mecanismos de incentivo a indústrias eletrointensivas e, com isso, fazer com que o nosso setor se equilibre entre oferta e demanda, tenha sinais de preços mais adequados, para que as decisões de investimento sejam cada vez mais racionais”, disse.

O CEO exaltou os 85% de fontes renováveis do Brasil no setor elétrico, o que consolida o país como um dos mais avançados na transição energética.

Mesmo assim, os cortes de geração são vistos como um problema a ser combatido.

“O incentivo da demanda é primordial, principalmente na experiência que a gente tem tido com a sobreoferta na região do Nordeste. É uma necessidade premente que novas cargas sejam atreladas ao sistema, para que a gente não tenha um problema crítico, que é o problema do curtailment da sobreoferta”, afirmou.

No mesmo evento, a superintendente de Transição Energética e Clima do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carla Primavera, defendeu a definição de regras para os cortes de geração, para que os investimentos em energia sejam precificados de forma correta.

Ela entende que a decisão deve ser debatida em conjunto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

“Que o regulador ofereça a metodologia de como a gente vai tratar esse risco daqui para frente, para a gente ter visibilidade de tempo e visibilidade de como mitigá-lo”, afirmou.

Para a superintendente, as normas relacionadas ao curtailment também deverão exercer influência na formatação das linhas de transmissão futuramente necessárias.

“Essa discussão está intrinsecamente ligada aos investimentos do futuro, à decisão de investimento num momento de sobreoferta. Revisitar o planejamento de transmissão faz com que a gente tenha mais ferramentas para assegurar que o nosso país vai continuar atraindo investimento de escala e não um investimento de varejo”, concluiu.

Taxa de juros é entrave

O sócio do BTG Pactual Vittorio Perona apontou o alto custo de capital do Brasil como um problema para o desenvolvimento do setor elétrico.

Segundo Perona, o país poderia construir entre 50 gigawatts (GW) e 70 GW de usinas eólicas com fator de capacidade acima de 50%, o que seria capaz de consolidar ainda mais a posição de protagonista na transição energética.

“O potencial do Brasil em termos de ser um grande fornecedor de produtos limpos, então processamento de dados, aço, alumínio, alumínio, é absolutamente gigantesco”, disse.

A solução, no entendimento do sócio do BTG, passa por diminuir a percepção de risco que o mercado financeiro tem, com a melhoria nas contas públicas.

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